22
Mar 17

Léxico: «dinca/Dincas»

Todos amigos

 

      «O Sudão do Sul tornou-se independente em 2011, mas o conflito político e étnico reacendeu-se em 2013, com combates entre os grupos que apoiam o presidente, Salva Kiir, de etnia dinca, e os ligados ao seu ex-vice, Riek Machar, de etnia nuer», acabo de ler na melhor revista missionária portuguesa, a Além-Mar. Ora vejamos: no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, o grupo de pressão dos Nueres levou de vencida os Dincas, que não estão representados no dicionário. Oh!, vamos acabar com esta discriminação étnica.

 

[Texto 7604]

Helder Guégués às 22:49 | comentar | favorito
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Léxico: «supercontinente»

E fica o trabalho completo

 

    «A equipa de paleontólogos da Universidade de Cambridge e do Museu de História Natural de Londres defende também, após uma nova análise de dados-chave, que os dinossauros poderão ter ‘nascido’ no supercontinente do norte Laurasia [sic] (que englobava os continentes que formam hoje o hemisfério norte, nomeadamente América do Norte, Europa e Ásia do Norte)» («Vamos esquecer muito do que sabemos sobre os dinossauros?», Rádio Renascença, 22.03.2017, 18h35).

    Está em vários dicionários, decerto, e no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora está e não está; aparece no verbete de Pangeia: «GEOLOGIA hipotético supercontinente único que, por divisão ulterior, originou os continentes actuais». Um dicionário não pode ter estas pontas soltas. Estas estão à vista, mas há outras, ocultas. Por exemplo, se acolhe o termo supercontinente, que tinha, como vimos, o nome de Pangeia (= a Terra toda), tem de acolher igualmente o vocábulo relacionado megacontinente, que foi o resultado da divisão do supercontinente, e, como são apenas dois megacontinentes, Gondwana e Laurásia, mencioná-los, como se fez com Pangeia.

 

[Texto 7603]

Helder Guégués às 21:23 | comentar | favorito
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Léxico: «ornitísquio», saurísquio» e «sauropodomorfo»

Falemos de dinossauros

 

      «Ao longo de 130 anos, os paleontólogos (que estudam fósseis) têm trabalhado com um sistema de classificação que agrupa as espécies de dinossauros em duas categorias: ornitísquios (com quadril de pássaro) e saurísquios (com quadril de lagarto). […] À medida que mais espécies foram descritas, tornou-se claro, para os especialistas, que os dinossauros pertenciam a três linhagens distintas: ornitísquios, sauropodomorfos (grupo de dinossauros herbívoros com pescoço longo) e terópodes (subgrupo dos saurísquios e carnívoros)» («Vamos esquecer muito do que sabemos sobre os dinossauros?», Rádio Renascença, 22.03.2017, 18h35).

   Nos dicionários, nem rasto. Minto: o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista saurisquiano, verbete que remete para sauripélvico. De sauropodomorfos também não há vestígio, e vale mais registá-lo do que vê-lo por aí nas suas vestes latinizadas como Sauropodomorpha.

 

[Texto 7602]

Helder Guégués às 21:08 | comentar | favorito
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Tradução: «lockdown»

Pelo menos a definição

 

      O edifício do Parlamento britânico estava fechado, ninguém entrava e ninguém saía. Em inglês, isto diz-se numa só palavra: lockdown. Nas televisões, podia ler-se: «UK Parliament on lockdown after officer stabbed.» Seja como for, devia estar nos nossos dicionários bilingues. No Merriam-Webster: «an emergency measure or condition in which people are temporarily prevented from entering or leaving a restricted area or building (such as a school) during a threat of danger». (Uma dica para quando quiserem pesquisar neste dicionário: basta, ao escreverem a palavra no Google, acrescentar «mw». Assim: «lockdown mw».)

 

[Texto 7601]

Helder Guégués às 20:41 | comentar | favorito

Léxico: «pigmalião»

Assim não vamos lá

 

      «J’ai eu la chance de rencontrer mon pygmalion en la personne d’une, etc.» Como aconteceu com muitos outros nomes próprios, também Pigmalião se transformou, pela chamada derivação imprópria, em substantivo comum: pigmalião. Nos dicionários de língua francesa encontramo-lo, porque, naturalmente, reflectem esse uso na língua. Nos nossos, nada, nem pigmalião nem pigmalionismo. Parece uma conspiração para poderem afirmar, ainda com mais razão, que a língua inglesa tem incomparavelmente mais vocábulos. Pudera, se ignoramos os nossos!

 

[Texto 7600]

Helder Guégués às 20:38 | comentar | favorito

Léxico: «nanocápsula»

Não há nas farmácias

 

    «A descoberta é de cientistas da universidade espanhola de Salamanca e consiste num aerossol que se usa como um inalador normal, através do qual entram no corpo nanocápsulas inteligentes capazes de levar o medicamento directamente às células dos tumores» («Método promissor de combate ao cancro pode poupar horas de tratamento a doentes», Rádio Renascença, 22.03.2017, 13h14).

    Vejo-o em dicionários de outras línguas, pelo que, se for para os nossos, acho muito bem. São cápsulas nanométricas, ocas e de forma esférica, que servem de invólucro para pequeníssimas quantidades de produtos farmacêuticos, enzimas ou outros catalisadores.

 

[Texto 7599]

Helder Guégués às 20:34 | comentar | favorito

Léxico: «fluoranteno»

Coisa do dia-a-dia

 

    «Os níveis máximos aceitáveis de chumbo também foram ultrapassados uma vez na Albufeira do Fratel na análise de dezembro e outra na Albufeira de Belver em abril. Finalmente, os hidrocarbonetos fluoranteno e benzo(a)pireno, igualmente perigosos para a saúde pública, ficaram acima dos limites legais em janeiro de 2017» («Cádmio, chumbo e muito fósforo poluem Tejo», Nuno Guedes, TSF, 22.03.2017, 7h27).

     Não encontramos o termo fluoranteno nos nossos dicionários. O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista benzopireno, o que me parece bastar; este «benzo(a)pireno» vejo-o escrito das mais desencontradas maneiras: «benzo-a-pireno», «benzo[a]pireno», etc. Suponho que será o mesmo que «α-benzopireno».

 

[Texto 7598]

Helder Guégués às 20:31 | comentar | favorito
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21
Mar 17

Léxico: «esquizoafectivo»

Um contributo

 

      «No acórdão, lido esta terça-feira, o colectivo de juízes considerou a idosa inimputável para os factos de que era acusada, porque sofria à data do crime, em maio de 2016, no Lar da Santa Casa da Misericórdia de Ourique, no distrito de Beja, e sofre de psicose crónica (esquizofrenia ou perturbação esquizoafetiva)» («Idosa que matou outra à bengalada em lar considerada “inimputável”», Rádio Renascença, 21.03.2017, 10h18).

      Sem palavras, não há ciência. Se continuar fora dos dicionários, não nos podemos admirar que se use, em vez de esquizoafectivo, schizoaffective. Já vimos disparates mais absurdos.

 

[Texto 7597]

Helder Guégués às 20:06 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «televangelista»

Usado há décadas

 

      «Para além [sic] de Edir Macedo, um controverso televangelista, fundador da igreja em 1977, estão também incluídos a directora financeira da IURD, Alba Maria Silva da Costa, o ex-deputado federal João Batista Ramos da Silva e o bispo evangélico Paulo Roberto Gomes da Conceição» («Líder da IURD enfrenta a justiça no Brasil», Público, 14.09.2011, p. 18).

      Está na hora de ir para o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, que também não regista televangelismo.

 

[Texto 7596]

Helder Guégués às 19:36 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «filocomunista»

Atar as pontas

 

     Não será muito empregado (mas revi hoje um texto em que foi usado), mas não é isso que interessa neste momento. Trata-se, neste caso, apenas de atar pontas: não está registado no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, no entanto, aparece em três dicionários bilingues da Infopédia.

 

[Texto 7595]

Helder Guégués às 19:32 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Cláusula Molière

A língua dos andaimes

 

      Em algumas regiões e municípios franceses, entrou agora em vigor a cláusula Molière, uma medida que impõe a utilização da língua francesa nos estaleiros de obras públicas ou a contratação de um tradutor, o que é apresentado como uma medida de segurança. Pela sua hipocrisia, veio dizer o primeiro-ministro francês, devia antes chamar-se cláusula Tartufo, mas é o máximo que pode fazer, pois o Governo não pode impedir a aplicação de normas regionais, a não ser que sejam declaradas inconstitucionais. Veremos o que faz a União Europeia. Seja como for, todos estão de acordo em que os trabalhadores têm, pelo menos, de entender termos técnicos em uso neste sector. E entendê-los-ão?

 

[Texto 7594]

Helder Guégués às 19:26 | comentar | favorito
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