30
Mai 11

Sobre «stresse»

Não é para mim

 

 

      «A defesa tentou explorar um desmaio sofrido por Diego em Fevereiro de 2005 em plena escola, justificando os pais que o rapaz estaria em stresse por ter falsificado a assinatura num teste a que teve nota negativa» («Pais de escuteiro dizem que ele entrou em delírio antes de morrer», Roberto Dores, Diário de Notícias, 27.05.2011, p. 23).

      Ninguém me apanhará a usar este aportuguesamento manhoso. Antes a forma como os Brasileiros aportuguesaram, estresse, por ser mais conforme à nossa língua. De qualquer modo, não se esqueçam os tradutores e os revisores que, e já o disse uma vez, a palavra «tensão» diz o mesmo.

 

[Texto 76]

 

Helder Guégués às 23:38 | comentar | favorito
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Sobre «golpear»

Ainda bem que é usada

 

 

      «E se poderão “fazer harakiri”, ritual dos samurais no Japão, que consistia em golpear o ventre para, por exemplo, recuperar a honra ou evitar ser sequestrado» («Comunistas apelam contra o voto suicida dos jovens», Carla Soares, Diário de Notícias, 27.05.2011, p. 6). «Segundo fontes policiais, esta suspeita ainda não foi confirmada. Apenas que terá sido o animal a golpear, no mesmo dia, uma sobrinha da vítima mortal, perto do local onde o corpo foi encontrado» («Autoridades já têm carneiro suspeito», Paulo Julião, Diário de Notícias, 27.05.2011, p. 23).

      Reparem como o verbo «golpear» foi usado acima em dois sentidos diferentes. Actualmente, a segunda acepção — dar pancadas, como se lê no dicionário de Bluteau — anda arredada da linguagem do dia-a-dia e dos dicionários, pelo menos de forma tão explícita.

 

[Texto 75]

Helder Guégués às 23:28 | comentar | favorito
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Ortografia: «anti-social»

Demasiado previsível

 

 

      «“Não estava doente. Era reclusa”, disse o jornalista Bill Deedman, da MSNBC, que fez uma reportagem de investigação sobre a vida da filha daquele que foi, no seu tempo, um dos homens mais ricos dos EUA, e a quem o The New York Times chamou “a socialite antissocial”» («A multimilionária que viveu e morreu longe do mundo», Diário de Notícias, 27.05.2011, p. 43).

      Será assim de acordo com as novas regras ortográficas, mas, como o Diário de Notícias ainda segue a ortografia do AOLP45, está incorrecto. O jornalista deveria ter escrito «anti-social». Quando o jornal adoptar a nova ortografia, alguns jornalistas estarão anos seguidos a escrever em conformidade com as regras do AOLP45. Tudo demasiado previsível.

 

[Texto 74]

 

Helder Guégués às 23:08 | comentar | favorito
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Léxico: «enteremorrágico»

Bastava pensar

 

 

      Ora vejam este caso: «A causa da propagação da bactéria Escherichia coli enterohemorrágica está ligada ao consumo de legumes crus, como pepino, tomate e salada, refere o Ministério da Agricultura alemão» («Bactéria em alimentos crus leva à morte», Ana Maia, Diário de Notícias, 27.05.2011, p. 20).

      Está-se mesmo a ver, senhora jornalista, um h interior sem ser num dígrafo. Estabelece o Acordo Ortográfico de 1945: «Se um h inicial passa a interior, por via de composição, e o elemento em que figura se aglutina ao precedente, suprime-se: anarmónico, biebdomadário, desarmonia, desumano, exaurir, inábil, lobisomem, reabilitar, reaver, transumar.» Assim, escrever-se-á enteremorrágico. Não foi apenas a informação que veio da Alemanha, mas também, e dispensávamos, o termo: enterohämorrhagische

 

 

[Texto 73]

Helder Guégués às 18:49 | comentar | favorito
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30
Mai 11

Prefixo «sub-»

O domínio do mundo

 

 

      «Um homem de 47 anos apontou, ontem de manhã, uma arma à cabeça do comandante da Esquadra da PSP de Benfica e clicou no gatilho. A arma encravou e o sub-comissário da PSP ainda levou uma coronhada na cabeça e vários murros antes de conseguir deter o agressor» («Arma apontada à cabeça encravou», Luís Fontes, Diário de Notícias, 27.05.2011, p. 26).

     «Clicou no gatilho»! A informática domina agora completamente o mundo. Já quase a escrevermos segundo as novas normas ortográficas, e alguns jornalistas ainda não dominam as regras do Acordo Ortográfico de 1945. O prefixo sub- só se liga por hífen ao elemento seguinte quando este começa por b, h ou r. Logo, subcomissário.

      «Turvado agora pelo medo, o Jerónimo mediu o adversário bem de frente e premiu o gatilho» (Os Homens e as Sombras, Alves Redol. Lisboa: Publicações Europa-América, 1981, p. 53).

 

[Texto 72]

 

Helder Guégués às 11:03 | comentar | favorito
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