31
Ago 11

Ortografia: «retractação»

Fica o retrato

 

 

      «O idílio de Hwang Woo-suk durou pouco mais de um ano. Em poucos meses fez uma ascensão meteórica, passando de investigador quase anónimo a estrela mundial da ciência e herói da Coreia da Sul. Até que uma denúncia, em Novembro de 2005, pôs a descoberto uma prática anti-ética na sua investigação.[...] Pelo menos é isso que está a acontecer com as retratações das revistas científicas em relação a artigos com problemas que passaram nas malhas da verificação pelos seus comités de especialistas — é o peer review que se destina a garantir a qualidade do trabalho a publicar» («Retratações nas revistas científicas estão a aumentar», Filomena Naves, Diário de Notícias, 20.08.2011, p. 34).

      Primeiro temos esperança de que seja apenas erro de quem fez o título, mas, com tristeza, comprovamos depois que afinal já a jornalista escreveu da mesma forma. Mas o Acordo Ortográfico vai ajudar esta gente toda.

 

[Texto 440] 

Helder Guégués às 23:29 | comentar | ver comentários (4) | favorito
Etiquetas:

Acordo Ortográfico

É já amanhã

 

 

      Se ainda em Agosto referi um artigo na edição de Setembro da revista Pais & Filhos, com a qualidade que vimos, não posso deixar de dizer que na edição de Setembro da revista LER será publicado um ensaio de sete páginas sobre o Acordo Ortográfico («Acordo Ortográfico. Visita guiada ao reino da falácia») do nosso amigo Fernando Venâncio, que historia a coisa desde 1967. Vai valer a pena ler.

 

[Texto 439]

Helder Guégués às 22:03 | comentar | favorito
Etiquetas:

Variantes

Pense bem

 

 

      Sim, Daniel, deslumbre existe a par de deslumbramento, mas não estamos a falar do mesmo quando nos referimos a variantes como «biscate/biscato», «cacifo/cacifro», «delapidar/dilapidar», «dinossauro/dinossáurio», «mão-cheia/mancheia», «tão-pouco/tampouco», não acha? Nem destoutras: «balouço/baloiço», «louro/loiro», «ouro/oiro», «touro/toiro»...

 

 [Texto 438]

Helder Guégués às 22:01 | comentar | favorito
Etiquetas:

Regência do verbo «preferir»

E jogo branco

 

 

      «Larkin, um dos grandes poetas do século XX, disse, com o jeito propagandístico que tinha (como nas críticas de jazz, tão sinceras e reaccionárias), que preferiria ler um novo romance de Barbara Pym do que um novo de Jane Austen. Larkin, como muitos escritores seguros, gostava de promover escritores que não eram tão bons como ele» («Diz Barbara Pym», Miguel Esteves Cardoso, Público, 31.08.2011, p. 31).

      Talvez seja, afinal, como Montexto aqui escreveu ontem, mas não tem importância. O verbo «preferir», Miguel Esteves Cardoso não pode deixar de saber, rege a preposição e não a construção do que. O que significa que a frase em que aparece o destaque está mal formada. É mau português.

      (Espero que o título do post não seja demasiado críptico e tenha de vir Fernando Venâncio explicá-lo.)

 

[Texto 437]

 

Helder Guégués às 10:54 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas:

Como se fala na rádio

Agora fala-se assim

 

 

      Luís Soares, no noticiário das 7 da tarde de ontem na Antena 1: «Já o líder do grupo de trabalho que desenhou o futuro Conselho das Finanças Públicas mostrou-se receoso que a entidade possa ser prejudicada através do corte de verbas devido a uma alteração na proposta.»

 

 

[Texto 436] 

Helder Guégués às 10:39 | comentar | ver comentários (2) | favorito
Etiquetas:
31
Ago 11

Acordo Ortográfico

Regresso às aulas

 

 

      Ainda o artigo sobre o «novo português» na Pais & Filhos. «Em Setembro», escreve Ana Sofia Rodrigues, «o Novo Acordo Ortográfico torna-se a escrita oficial escolar.» Sobre o uso da maiúscula, afirma que passa a ser «opcional o uso de maiúscula ou minúscula em casos como: títulos de livros ou obras; títulos de santos; domínios de saber; cursos e disciplinas; formas de tratamento, expressões que exprimem reverência, hierarquia, cortesia». Não exemplifica, mas há-de ser assim: Engenheiro Marinho ou engenheiro marinho Santo António (por causa dos peixes). Que paráfrase... «É essencial que os pais dominem a nova grafia», escreve Ana Sofia Rodrigues. E os jornalistas? O texto é o exemplo acabado da incompetência na interpretação e aplicação das regras do Acordo Ortográfico. Tudo por 3,5 euros.

 

[Texto 435] 

Helder Guégués às 08:52 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: ,
30
Ago 11

Acordo Ortográfico

O novo português

 

 

      Sabem qual é a «Melhor Revista de Educação ‘11»? Segundo outra publicação, a Meios & Publicidade, é a Pais & Filhos. A edição de Setembro promete-nos logo na capa revelar «o que mudou no ensino do português». O artigo da página 70 e seguintes, assinado por Ana Sofia Rodrigues, ainda é mais arrasador: «O novo português». Sobre o uso do hífen, pode ler-se na página 73: «Algumas palavras são formadas com a adição de prefixos. Nesse caso passam, por princípio, a escrever-se sem hífen, como autorrádio, eurodeputado, ultraligeiro, minissaia, contrarrelógio, autoestrada. Algumas das exceções nas quais continua a usar-se hífen: a palavra a que se juntam começa pela letra ‘h’ (anti-histamínico); a palavra a que se juntam começa pela mesma vogal com que termina o prefixo (micro-ondas); sota-, soto-, vice-, grão-, grã- ou ex- (ex-marido, vice-presidente); quando os prefixos são acentuados graficamente (pré-reforma); a palavra a que se juntam é um estrangeirismo, nome próprio ou sigla (anti-apartheid, anti-Europa, mini-GPS).» Está bem visto, sim senhor. Vai, aliás, ao encontro do que tenho defendido — mas a verdade é que o texto do Acordo Ortográfico só por duas vezes se refere a siglas, e nenhuma delas a propósito do hífen. Onde é que a jornalista viu esta regra? Por outro lado, até parece que antes se escrevia de outra maneira que não «eurodeputado» ou «ultraligeiro». Há ainda no texto vários conselhos; eis um deles: «Se ao perguntar ao seu filho quantas são as vogais e ele passar a responder “14”, não o repreenda.»

 

 

[Texto 434] 

Helder Guégués às 23:32 | comentar | ver comentários (5) | favorito
Etiquetas:

Ortografia: «Edimburgo»

Não é bem

 

 

      Acabei de falar pelo Ipad (graças ao Freephoo) com o meu amigo David C. Está em Edimburgo. Não Edinburgo, caro Miguel Esteves Cardoso: «No Sunday Telegraph de anteontem, contava-se a anedota de um homem que dizia que “queria morrer como o pai, sossegado a dormir – e não como os passageiros dele, aos gritos, cheios de medo”. Acabou mais um Festival de Edinburgo, com mais comediantes do que sempre (sobretudo porque os velhos continuam a comparecer) e os comentadores dos jornais ingleses, a dormir em camaratas e a levar, ressacados ou bêbados, com dez horas seguidas de comediantes, lamentam-se que já ninguém tem a graça que tinha e que os novos não têm graça nenhuma» («A idade do riso», Miguel Esteves Cardoso, Público, 26.08.2011, p. 31). Mas Miguel Esteves Cardoso não nos desensina apenas: «É tal a fartura, hoje em dia, de comediantes autores e intérpretes (o termo standup não diz nem traduz nada), que não é possível seguir as carreiras dos quarenta ou cinquenta melhores, conhecidos ou por conhecer.»

 

[Texto 433] 

Helder Guégués às 11:09 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas:
30
Ago 11

«Dar uma palinha»

Olhe que não

 

 

      O Público também falou da presença da fadista Ana Moura no programa de Jô Soares (e não tiveram de escrever que foi na «antiga colónia»). «Acompanhada por Filipe Larsen na viola baixo, José Manuel Neto na guitarra portuguesa e José Elmiro na viola foi ao Programa do Jô e durante a entrevista, sentada no sofá ao lado de Gil, “deu palinhas” (de “dar uma pala”, como dizem os brasileiros, mostrou o seu talento) no fado Loucura, na música angolana Birin birin e em Brown sugar, dos Rolling Stones» («Ana Moura é “belíssima revelação do fado” no Jô Soares», «P2»/Público, 29.08.2011, p. 15).

      Será mesmo assim? Parece que mesmo os falhos de talento podem dar uma palinha, pois a expressão, usada sobretudo por músicos brasileiros quando dão entrevistas e cantam trechos das suas canções – dar uma pala ou uma palinha – significa dar uma amostra de algo, uma pista. Entre nós, povo sensitivo, a expressão seria outra: «Pode dar-nos um cheirinho do seu novo trabalho?»

 

[Texto 432] 

Helder Guégués às 00:20 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas:
29
Ago 11
29
Ago 11

«Colocar o dedo na ferida»

Mais um

 

 

 

      O senhor professor António Jacinto Pascoal veio para ficar no Público. O texto de hoje já se percebe, mas há por ali muitos erros. O menor: também diz «colocar o dedo na ferida». «Um bom exemplo de como nem tudo é um mar de rosas prende-se com a retórica sobre o ensino do Português, manifestada recentemente nos órgãos de comunicação social. O doutor Carlos Reis contribuiu, igualmente, para uma certa polémica, ao assinar o artigo Sabe ele o seu português? (PÚBLICO, 12/08/2011). Chamou a atenção para a formação de professores de Português e colocou o dedo numa ferida – a relação entre essa formação e as entidades formadoras» («Sabe ele o seu lugar?», António Jacinto Pascoal, Público, 29.08.2011, p. 31).

 

 

[Texto 431] 

Helder Guégués às 23:14 | comentar | favorito
Etiquetas: