31
Dez 11

«Engsoc»

Se não for crimideia

 

 

      «Tudo isto é perigoso para a democracia porque esconde uma realidade básica: o economês-tecnocratês é um politiquês, uma linguagem abastardada da má política. Mistura eufemismos, duplicidades, dolo, “engsoc” no sentido orwelliano e faz circular a pior das ilusões: a de que as soluções para os problemas nacionais e europeus dependem da actuação de técnicos e sábios, desempecilhados da “tralha” da política» («Palavras de 2011», José Pacheco Pereira, Público, 31.12.2011, p. 32).

      Há um engsoc que não seja no sentido orwelliano? Que o diga o Ministério da Verdade.

 

[Texto 896]

Helder Guégués às 13:14 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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«Por forma a»

Não nos lêem

 

 

      «A Confraria do Príapo quer certificar o principal símbolo da loiça erótica caldense – o falo em cerâmica ou “garrafa das Caldas” – por forma a valorizar um produto que tem um grande potencial comercial. Edgar Ximenes, presidente da confraria, diz que vai precisar do apoio da autarquia, porque a certificação é um processo caro» («Caldas da Rainha pretende certificar a garrafa-falo», Carlos Cipriano, Público, 31.12.2011, p. 24).

      Confraria do Príapo! Garrafa-falo! (Vejam na aqui na TV Caldas.) E lá está a forma espúria por forma a, em vez de de modo que.

 

 

[Texto 895]

Helder Guégués às 11:58 | comentar | ver comentários (13) | favorito
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«Anestesista/anestesiologista»

Mais fácil

 

 

      «Desalentado com a experiência em Portugal, João Marques Vinagre, que completou o curso na Hungria e voltou para Viana do Castelo (onde está a fazer a especialidade de medicina geral e familiar), já pensa abalar de novo porque o que quer mesmo ser é anestesiologista» («Já há muitos estudantes de Medicina no estrangeiro que pensam não regressar», Alexandra Campos, Público, 29.12.2011, p. 10).

      Anestesista é mais fácil de pronunciar e significa o mesmo. Ou não? Para o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, anestesista é o médico que aplica anestesia, o especialista em anestesia, e anestesiologista é a pessoa especializada em anestesiologia.

 

[Texto 894] 

Helder Guégués às 11:40 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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31
Dez 11

«Reunir-se»

Conjugado reflexamente

 

 

      «Na próxima segunda-feira, a comissão de trabalhadores da FCV vai reunir, pelas 18h, com o vice-presidente da Câmara de Gaia, Firmino Pereira, que, em conjunto com o presidente da autarquia, Luís Filipe Menezes, já recebeu o conselho de administração da empresa, há cerca de quinze dias» («Cerâmica Valadares precisa de um milhão de euros mas não encontra crédito», Aníbal Rodrigues, Público, 31.12.2011, p. 16).

      De vez em quando, é conveniente voltarmos a tratar destes erros, não aconteça pensar-se que estão ultrapassados. Reunir é verbo transitivo, pelo que pede complemento directo. Onde está ele na frase acima?

 

[Texto 893]

Helder Guégués às 11:07 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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30
Dez 11

Ortografia: «painho»

Câmara de maravilhas

 

 

      «Era um senhor alentejano que vinha trazer pão ao cozinheiro do restaurante onde eu ia almoçar. Este incitou-me a segui-lo até à carrinha, por “estar cheia de coisas boas”. Assim fiz e lá descobri um único balde cheio de azeitonas novas, pão, paios, paínhos e queijinhos de ovelha. Era um wunderkammer de entradinhas» («Olá e adeus», Miguel Esteves Cardoso, Público, 29.12.2011, p. 29).

      A palavra não é acentuada — como não são acentuadas as palavras «buinho», «cainho», «moinho», «rainho», por exemplo. Nestas e noutras, a semivogal vem seguida do dígrafo nh da sílaba seguinte, que a anasala, levando-a a formar por si só uma sílaba: pa-i-nho.

 

[Texto 892] 

Helder Guégués às 20:37 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Sobre «colmatar»

Outros riscos

 

 

      «O risco de escrever sobre este assunto, com um título destes, é sempre o risco de moralizar em excesso, de opinar em causa própria e de ficcionar um diálogo grandíloquo com um ausente. Vou procurar colmatá-los evitando um tom plástico e circunscrevendo a minha defesa» («Carta a um ex-leitor de jornais», Pedro Lomba, Público, 29.12.2011, p. 32).

      «Colmatar riscos». Chegará a extensão semântica a tanto? Não me parece.

 

[Texto 891]

Helder Guégués às 15:55 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Sobre «convocar»

Chamado a depor

 

 

      «Além de Iñaki Urdangarin, o juiz José Castro, titular do processo, imputou a prática dos crimes ao seu sócio Diego Torres e outros dirigentes do Instituto Nóos, chamados a testemunhar já no dia 5 de Janeiro. O ex-director-geral de Desportos do Governo das Ilhas Baleares, o ex-director da Fundação Illesport e o responsável pelo Instituto Balear de Turismo também foram convocados («Iñaki Urdangarin chamado a depor em tribunal», Rita Siza, Público, 30.12.2011, p. 30).

      Convocar é também solicitar a presença de alguém, geralmente de forma imperativa, mas não é o verbo habitualmente usado para exprimir a ordem com intimativa emitida por um tribunal. O monarca, antigamente, convocava as cortes. Convocava a palácio (como se dizia então) governadores e outros representantes da Coroa, etc.

 

[Texto 890] 

Helder Guégués às 12:34 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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30
Dez 11

O «Público» errou

Erro num caso, gralha no outro

 

 

      «Por uma necessidade de simplificação de linguagem na manchete da edição de ontem dizia-se que “Quem pedir isenção das taxas da Saúde vai ter de revelar dados fiscais”. De facto, trata-se não de “revelar”, mas de autorizar o acesso a esses dados. Face à eventual confusão que o título possa ter gerado nos leitores, aqui fica a explicação» («O Público errou», Público, 30.12.2011, p. 40). Sim, é um pouco diferente... Imagino as reclamações que receberam dos leitores. E hoje, no «Sobe e desce», sobre a ministra da Justiça: «Ao enterrar os famosos Campus de Justiça, o Estado irá gastar menos 15 milhões de euros por ano em rendas».

 

[Texto 889]

Helder Guégués às 10:52 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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26
Dez 11

Como falam os médicos

Eusébio fez levante!

 

 

      O Dr. José Roquette, director clínico do Hospital da Luz, veio, mais uma vez, falar do estado de saúde de Eusébio: «Passou muito bem a noite. Ahn... Fez... As análises estão muito... estão melhores. Do ponto de vista radiológico e clínico também. Ahn... Fez levante, sentou... está sentado num cadeirão.»

 

[Texto 888]

Helder Guégués às 11:07 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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26
Dez 11

«Handcycle»

Vamos arranjar-lhe nome português?

 

 

      «O ex-piloto italiano compete em handcycle (bicicleta adaptada para a propulsão manual). Em 2011 conseguiu vários resultados assinaláveis, com destaque para a vitória na Maratona de Nova Iorque e o segundo lugar no contra-relógio nos Campeonatos do Mundo de estrada. “Foi uma temporada muito boa. Consegui ganhar várias maratonas, em Roma, em Milão, em Veneza. Mas a Maratona de Nova Iorque foi a que me deu mais satisfação”, apontou» («Dez anos depois de perder as duas pernas num acidente Alessandro Zanardi quer uma medalha em Londres», Tiago Pimentel, Público, 26.12.2011, p. 27).

 

 

[Texto 887] 

Helder Guégués às 10:31 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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