31
Jul 12

Léxico: «caipirosca»

Semiburlesco

 

 

      Um artigo do Diário de Notícias revela-nos onde beber as melhores caipirinhas em Lisboa. Pelo meio, também fala das variantes: caipirosca, em que em vez de cachaça se adiciona vodca, e caipirão, quando em vez de cachaça se acrescenta Licor Beirão. E não é que o seriíssimo Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista «caipirosca»?! E «caipirão» também regista, mas somente como diminutivo de «caipira».

 

  [Texto 1895]

Helder Guégués às 22:26 | comentar | favorito
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Léxico: «malhassol»

Fora, mas usada todos os dias

 

 

      O engenheiro queimado por mil sóis africanos não quer rede galinheira no terraço, mas malhassol. E o vocábulo não devia estar nos dicionários? Malhassol = malha + soldada. Welded steel mesh, se preferem em inglês...

 

  [Texto 1894]

Helder Guégués às 15:20 | comentar | favorito
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Sobre «condimento»

Não faltam condimentos

 

 

      «Para evitar os assaltos no parque de campismo, a segurança foi reforçada. Além de mais iluminação, há também, segundo Luís Montez, mais arruamentos e um segurança em cada cruzamento. Os campistas contam ainda com um supermercado, inovação introduzida no ano passado, para fazerem as suas compras. No entanto, admite o responsável, nota-se que quem já chegou ao recinto vai carregado de condimentos para evitar gastos maiores. Um reflexo da crise, tal como a tendência verificada na venda de ingressos» («Eddie Vedder obriga a criar pista de helicóptero», Sofia Fonseca, Diário de Notícias, 31.07.2012, p. 45).

      Parece ser uma citação indirecta, e nesse caso é erro de Luís Montez, mas a jornalista devia ter corrigido. Condimentos, meus caros, são substâncias que realçam o sabor dos alimentos: ervas aromáticas, especiarias, etc.

 

  [Texto 1893]

Helder Guégués às 08:06 | comentar | favorito
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31
Jul 12

«Idêntico/semelhante»

Repetimo-nos

 

 

      «Os materiais da caverna Border são, por outro lado, muito idênticos aos que posteriormente – há 24 mil anos – foram produzidos e utilizados pelas populações pré-históricas na região, conhecidas por povo San» («‘Flinstones’ africanos já eram modernos há 44 mil anos», Filomena Naves, Diário de Notícias, 31.07.2012, p. 33).

      Já o perguntei várias vezes: a identidade tem graus? Ora, se temos o vocábulo «semelhante», porque havemos de usar sem propriedade o vocábulo «idêntico»?

 

  [Texto 1892]

Helder Guégués às 08:05 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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30
Jul 12

Léxico: «bilocação»

É diferente

 

 

      Ah, não se designa por ubiquidade, não... Ao acto ou capacidade de uma pessoa poder estar, por milagre, em dois lugares distintos ao mesmo tempo dá-se o nome de bilocação. «Por milagre» é como o define o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, mas nunca se sabe. São habitualmente referidos os casos de António de Pádua e de Francisco Xavier. Para os Brasileiros, talvez o mais conhecido seja o caso de Frei Galvão.

 

  [Texto 1891]

Helder Guégués às 22:55 | comentar | favorito
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Léxico: «empequenecer»

Para não morrer

 

 

      «E, em todos esses anos, desde que tiraram Perón do poder, em meados dos anos 50, o obrigaram ao exílio e lhe pediram depois que regressasse para os salvar, a Argentina foi empequenecendo até ficar sem moeda nacional» (A Ordem do Tigre, J. J. Armas Marcelo. Tradução de Miranda das Neves e revisão de José Costa. Lisboa: Editorial Teorema, 2010, p. 97).

      Este vocábulo, que já ouvira e lera, também ainda não desapareceu dos dicionários. «Empequenecer não me desagrada, mas nunca o li, e nunca o ouvi, se bem que sou beirão [de Lobão da Beira, Tondela]» (Falar e Escrever, Cândido de Figueiredo. Lisboa: A. M. Teixeira, 1921, p. 148). Agora Fernando Venâncio pode vir, estraga-prazeres, comentar que vem do castelhano empequeñecer.

 

  [Texto 1890]

Helder Guégués às 17:03 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «assucatar»

Vou usar

 

 

  Nunca tinha lido ou ouvido. O engenheiro, queimado por mil sóis africanos, acusou o empreiteiro de ter assucatado a fachada do prédio. Assucatar é construir mal, fazer mal.

 

  [Texto 1889]

Helder Guégués às 09:32 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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30
Jul 12

Sequelas do AOLP90

Empatados

 

 

      No Bom Dia Portugal de sexta-feira, o jornalista João Tomé de Carvalho perguntou à médica alergologista Susana Piedade em que se distinguia a rinite alérgica da vulgar constipação. Respondeu a médica: «Portanto, as constipações são limitações autolimitadas no tempo.» A abrir, o jornalista tinha dito: «A rinite alérgica afecta cerca de 2,5 milhões de portugueses.» O jornalista talvez não padeça de rinite, mas da chamada síndroma de AO, que afecta a fala, é certo que sim: o falante não sabe se a consoante é muda ou não. E lá saiu o c de «afecta» bem articulado...

 

  [Texto 1888]

Helder Guégués às 08:29 | comentar | favorito
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29
Jul 12

Os dislates no «Público»

Procurador às Cortes...

 

 

      O texto do provedor do leitor do Público é hoje inteiramente dedicado aos dislates que se vão lendo nas páginas deste jornal de referência (sem aspas...). Deixo o último parágrafo. O texto, que vale a pena ler, está na íntegra aqui.

      «Valerá a pena acres­cen­tar que, tenham ou não ori­gem em cha­ma­das de aten­ção dos lei­to­res, essas cor­rec­ções devem ser sem­pre sina­li­za­das. O lei­tor José Orti­gão Oli­veira assi­na­lou um erro numa notí­cia do pas­sado dia 20 sobre o fale­ci­mento de José Her­mano Saraiva: escrevera-se que o antigo minis­tro da Edu­ca­ção fora “pro­cu­ra­dor às Cor­tes”, quando se pre­ten­de­ria infor­mar que inte­grara a Câmara Cor­po­ra­tiva do Estado Novo. A ano­ma­lia his­tó­rica terá tido ori­gem num des­pa­cho da agên­cia Lusa (foi aliás repro­du­zida em outros órgãos de comu­ni­ca­ção) e foi, no caso do PÚBLICO, rapi­da­mente detec­tada e cor­ri­gida. Porém, tendo o erro estado em linha, a cor­rec­ção deve­ria ter sido assi­na­lada, e não o foi. Quando esse pro­ce­di­mento não é seguido, tornam-se incom­pre­en­sí­veis as men­sa­gens de lei­to­res que per­ma­ne­cem nas cai­xas de comen­tá­rios, aler­tando para o erro no texto original» («Os erros de escrita não são inevitáveis», José Queirós, Público, 29.07.2012, p. 55).

 

  [Texto 1887]

Helder Guégués às 10:57 | comentar | favorito
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Sobre «surto»

Cuidado com eles

 

 

      «O caso recente de Hugo Sequeira, que continua internado na ala de Psiquiatria do Hospital de Cascais, na sequência da queda de um segundo andar da sua casa na zona da Parede, em Cascais, há uma semana, devido a um alegado surto psicótico, voltou a trazer para a ordem do dia uma questão que tem tido muito destaque nos últimos anos» («Quando eles não aguentam a pressão», Nuno Cardoso, Diário de Notícias, 29.07.2012, p. 47).

      Está correcto: surto psicótico. Mas a primeira acepção que vem à mente da maioria dos falantes é surgimento de vários casos da mesma doença numa região, epidemia. No surto psicótico é outra coisa: é o aumento significativo e rápido de um fenómeno ou de um processo. Vem tudo de trás...

 

  [Texto 1886]

Helder Guégués às 10:12 | comentar | favorito
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29
Jul 12

«Ready to rock»

Mais uma lição de amaricano

 

 

      «“Vamos falar nos balneários”, adiantou Lochte após a prova. A sua sétima medalha olímpica – quarta de ouro, uma de prata e duas de bronze – foi a recompensa por “quatro anos de trabalho árduo” e, agora, diz-se pronto para arrasar – ready to rock, foi a expressão que utilizou – em Londres 2012» («Phelps sem pilhas para ‘rock’ de Lochte», Pedro Sequeira, Diário de Notícias, 29.07.2012, p. 27).

      Arrasar — ou algo próximo. To rock é, em sentido figurado, abalar, agitar, fazer tremer. «I’m ready to rock this thing», disse ele. «Go big or go home.»

 

  [Texto 1885] 

Helder Guégués às 10:01 | comentar | favorito
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