31
Ago 12

«São-tomense/santomense»

Ambos correctos

 

 

      No verbete «santomense», o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora remete para «são-tomense». Há prontuários, por sua vez, que apenas registam «santomense». O contrário do que faz a Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira (agradeço ao leitor E. P. a oferta dos 40 volumes, que começo agora a citar com mais frequência), que só regista «são-tomense» (vol. 27, p. 654), com este acrescento: «Em Portugal também sã-tomense, forma dialectal.)»

 

[Texto 2030]

Helder Guégués às 15:13 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Florida/Flórida»

Andam a ver como é melhor

 

 

      «A Universal Studios no Japão, em parceria com a Warner Bros. e a Universal Parks & Resorts, anunciou ontem a construção de um novo parque temático dedicado ao universo do feitiçeiro [sic] Harry Potter. A nova atração japonesa é a terceira a ser anunciada, depois de o primeiro parque ter aberto em Orlando, na Florida em 2010» («Novo parque temático», Diário de Notícias, 11.05.2012, p. 49).

      «Já na terça-feira, no início da convenção republicana em Tampa, na Flórida, o partido voltou a enfatizar estar contra o matrimónio entre homossexuais» («Ann Romney convidada para oficializar casamento ‘gay’», Ana Filipe Silveira, Diário de Notícias, 31.08.2012, p. 47).

 

[Texto 2029] 

Helder Guégués às 15:00 | comentar | favorito
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«Centro de saúde»

Muito divertido

 

 

      «Saúde. São hoje inaugurados os centros de saúde de Portel e Redondo, anunciou a Administração Regional de Saúde do Alentejo. O centro de Portel vai servir cerca de 6540 utentes e o do Redondo 7000, após um investimento de 3,9 milhões de euros» («Portel e Redondo têm novos postos», Diário de Notícias, 31.08.2012, p. 14).

      Só para dizer isto: na esmagadora maioria das vezes, quando se usa a locução centro(s) de saúde, sem se referir a nenhum em concreto, é grafada em maiúsculas iniciais. Farto-me de rir.

 

[Texto 2028]

Helder Guégués às 14:57 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Tradução: «parish»

Só para confundir

 

 

      «Uma das zonas mais afetadas foi Plaquemines, onde as águas passaram por cima de um dique e chegaram aos 3,6 metros de altura. O Isaac “atingiu-nos com mais força do que pensávamos”, disse Billy Nungesser, o presidente desta paróquia (como são conhecidas as regiões administrativas na Luisiana), citado pela CNN» («Nova Orleães passa primeiro grande teste pós-‘Katrina’», Susana Salvador, Diário de Notícias, 30.08.2012, p. 23).

      Sim, mas isso não interessa para nada. Parish também se traduz por freguesia, única correspondência com a realidade administrativa portuguesa que para o caso interessa. É óbvio que não podem escrever o mesmo todos os dias, mas hoje já se esqueceram: «Em Tangipahoa Parish, os responsáveis locais temiam que o rio Tangipahoa, já com um caudal engrossado pelas chuvas intensas provocadas pelo furacão, pudesse transbordar para as áreas de fronteira com o estado do Mississípi» («Nova Orleães sobrevive ao ‘Isaac’ e celebra a preceito», Diário de Notícias, 31.08.2012, p. 25).

 

[Texto 2027]

Helder Guégués às 08:00 | comentar | favorito
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31
Ago 12

Tradução: «shuttle»

Já não se chama vaivém?

 

 

      «Muita música foi já emitida da Terra para astronautas em órbita. Numa ocasião em que as nuvens e a chuva impediam a reentrada do shuttle, a NASA acordou os astronautas com Hold Back the Rain, dos Duran Duran» («O dia em que a Terra ouviu uma canção que veio de Marte», Nuno Galopim, Diário de Notícias, 30.08.2012, p. 43).

 

[Texto 2026]

Helder Guégués às 07:58 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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30
Ago 12

Nomenclatura científica

Peixe médico

 

 

      «O conceito de colocar os pequenos peixes Garra Rufa a fazer manicure e pedicure em centros comerciais era desconhecida por cá e o jovem empresário ainda recorda a estranheza dos primeiros dias» («A sua pele é o almoço dos peixes esfoliadores», Ana Bela Ferreira, Diário de Notícias, 30.08.2012, p. 15).

      Caríssima Ana Bela Ferreira: trata-se do nome científico do peixe, logo escreve-se Garra rufa. (E lá está o omnipresente «colocar».)

 

[Texto 2025]

Helder Guégués às 18:04 | comentar | favorito
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Deixou de haver chefes

Nem os índios escapam

 

 

      Já nem chefes índios há — só líderes! «Iaualapiti é uma tribo indígena brasileira que mantém uma forte relação com a natureza e recusa a modernidade citadina. No Parque Nacional de Xingu, no estado do Mato Grosso, estes índios realizam todos os anos festejos em honra de uma personalidade morta que tenha sido importante para a tribo. O ritual em honra da morte tem o nome de quarup’ e dura vários dias. Este ano, os escolhidos foram um índio Iaualapiti, considerado um grande líder, e Darcy Ribeiro, um famoso autor, antropólogo e político, conhecido pelos seus esforços em melhorar a relação dos nativos com a restante população» («Iaualapiti. Rituais tribais no Brasil», Diário de Notícias, 30.08.2012, p. 6).

 

[Texto 2024]

Helder Guégués às 18:02 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Há/à»

Ah, pois

 

 

      «O The Times também avança que uma das causas para a queda [de Carlisle Brigham Champalimaud] teria sido uma enorme mala de mão que a terá levado a desequilibrar-se. Antes de morrer, a jovem tinha estado num casamento. Depois disso terá ido a um bar com um amigo onde, segundo o The Times, foi vista “bastante embriagada”. Carlisle Brigham estava separada à nove meses do marido, que se encontra a trabalhar em Inglaterra» («Carlisle estaria embriagada quando caiu», Diário de Notícias, 30.08.2012, p. 21).

      Confundir a contracção da preposição a com o artigo definido no feminino singular a com a formal verbal do verbo «haver» é coisa que eu só julgava possível na escola primária.

 

[Texto 2023] 

Helder Guégués às 10:34 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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«Paraolímpicos»

Chavões coxos

 

 

      «Os Jogos Paralímpicos de Londres 2012 começaram oficialmente ontem, um dia antes do início das competições. À semelhança da vertente olímpica, os atletas do desporto adaptado tiveram direito a uma receção com pompa e circunstância, dirigida pelos autores Jenny Sealey e Bradley Hemmings, na qual Stephen Hawking foi um dos protagonistas» («Stephen Hawking deu as boas-vindas a 4200 atletas», Rui Frias e Sarah Saint-Maxent, Diário de Notícias, 30.08.2012, p. 38).

      Bem se pode perder tempo a argumentar que paraolímpicos é mais correcto. E eu pensava que os jornalistas evitavam o uso da expressão, já tão gasta e vazia, «pompa e circunstância».

 

[Texto 2022] 

Helder Guégués às 09:57 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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30
Ago 12

Como se escreve nos jornais

«Ques» a mais

 

 

      «A investigação que levou a esta descoberta, que foi realizada por investigadores alemães, canadianos, americanos e italianos, e que foi coordenada por David Grimaldi, do Museu de História Natural de Nova Iorque, implicou a análise de mais de 70 mil gotas de âmbar com uma dimensão entre os dois e os seis milímetros, até que finalmente os investigadores puderam gritar eureka – quando deram com os insetos» («Insetos mais antigos de sempre em âmbar», Diário de Notícias, 30.08.2012, p. 27).

 

[Texto 2021]

 

Helder Guégués às 09:55 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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