30
Nov 12

Léxico: «pensionamento»

Pela primeira vez

 

 

      Acabei de a ver num texto de natureza económica, de autor português. Pensionamento. Os dicionários gerais da língua portuguesa desconhecem-na. Mas existe pensionado, pensionar, pensionário, pensioneiro, pensionista. Encontro-a nos dicionários de italiano: «Il mettere o il mettersi in pensione, collocamento in pensione di un lavoratore che ha cessato la propria attività» (in Enciclopédia Treccani). Não dirá a nossa palavra «aposentação» rigorosamente o mesmo?

 

[Texto 2385]

Helder Guégués às 18:07 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Acordo Ortográfico

O desastre está aí

 

 

      O número de falantes que adoptaram o novo Acordo Ortográfico e que escrevem «contato» revela-se, a cada dia que passa, assustador. E estou a falar de licenciados para cima. Professores universitários, investigadores... Convenhamos que ainda não foi ultrapassado o pior desconchavo nesta matéria: o daquela professora de Português que introduzira paulatinamente, mesmo antes de frequentar uma «ação de formação» específica, as novas regras nos textos que dava aos alunos, «adatando-os». Assim mesmo, sem p nem pés nem bom senso.

 

[Texto 2384]

Helder Guégués às 16:28 | comentar | ver comentários (2) | favorito (1)
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Léxico: «cremona»

Também do francês

 

 

      «Quando acordou[,] viu que Raul, de tronco nu, fazia a barba olhando-se no espelho pequeno que tinha por hábito pendurar na cremona da janela mais pequena» (Nunca É de mais, Maria Roma. Lisboa: Bertrand Editora, 2003, p. 214). Conheci-a ontem. Na definição do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, é o «ferrolho duplo, comprido, da altura da porta ou da janela, que fecha simultaneamente em cima e em baixo». Também se diz carmona.

 

[Texto 2383]

Helder Guégués às 07:46 | comentar | favorito
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Sobre «impasse»

Se são meramente descritivos

 

 

      «Encontro», escreve a autora sobre Lisboa, «ruas que vão dar a impasses e escadas que acabam de repente.» Sempre achei muito curioso este galicismo. Impasse é o mesmo que beco sem saída. O termo, que talvez tenha sido introduzido na língua na década de 1940, já está nos dicionários, mas há imprecisões que é necessário corrigir. No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, por exemplo, estão registadas duas acepções — e  nenhuma é esta. No Dicionário Priberam da Língua Portuguesa aparece como terceira acepção, mas com esta particularidade: «[Portugal: Madeira] Rua sem saída». Ai sim? Experimentem pesquisar no sítio Lisboa Interactiva e verão quantos impasses por ali estão. Se acolheram o galicismo, têm de registar todas as acepções usadas na nossa língua, que são precisamente as do étimo, como se pode comprovar no Le Trésor de la Langue Française Informatisé: «Rue sans issue. Synon. cul-de-sac» e «position ou situation qui ne présente pas d’issue favorable».

 

[Texto 2382] 

Helder Guégués às 07:13 | comentar | ver comentários (5) | favorito
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30
Nov 12

Dia da Espiga

Pois então

 

 

      Na obra Festividades Cíclicas em Portugal, de Ernesto Veiga de Oliveira (Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1984, p. 113), é Dia da Espiga, com maiúsculas iniciais, que se pode ler. Por analogia com outras datas, também sou de opinião que se deve grafar desta forma.

 

[Texto 2381]

Helder Guégués às 07:12 | comentar | favorito
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29
Nov 12

Léxico: «feijão-mungo»

Nutritivos

 

 

      Hoje comprei rebentos de feijão mungo no supermercado, para fazer com ravióis. É o que se lia na embalagem, e eu pensei logo que havia de ser designação mal traduzida do inglês: mung beans sprouts... Engano o meu: está na honestíssima Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira (vol. 11, p. 28): feijão-mungo, nome vulgar do Phaseolus mungo Lin., também conhecido como feijão-do-congo. Não está no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora.

 

[Texto 2380]

Helder Guégués às 21:46 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Catarense»/«catariano»

Seria melhor

 

 

      «Há ainda outros dois trunfos que reforçam a esperança do xeque do Qatar. Uma delas é a amizade entre Mourinho e o presidente do Paris Saint-Germain, o também catari Nasser Al-Khelaifi, que numa entrevista recente ao jornal espanhol Marca desfez-se em elogios a Mourinho. “É muito inteligente e está a fazer um grande trabalho em Madrid”, disse» («PSG seduz José Mourinho com oferta estratosférica», Carlos Nogueira e Madalena Esteves, Diário de Notícias, 29.11.2012, p. 37).

      Está longe de ser português, como salta à vista. O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista catariano, que remete para catarense.

 

[Texto 2379]

 

Helder Guégués às 12:58 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Como se escreve nos jornais

Está na hora de mudar de jornal

 

 

      «A ausência do Presidente da Rússia, Vladimir Putin, durante as últimas semanas na comunicação social causou estranheza e especulação entre a população, com o chefe de Estado a vir ontem explicar-se: Putin, 60 anos feitos em maio e cinturão negro em judo, garantiu ter-se magoado num combate, tendo lesionado-se na coluna, o que lhe tem provocado dores nas costas» («Putin lesiona coluna no judo», Diário de Notícias, 29.11.2012, p. 26).

 

[Texto 2378]

Helder Guégués às 12:56 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Aspas escusadas

Pecha muito vista

 

 

      «Tanto ela [Ana Saltão] como o marido tinham ido ao funeral da octogenária assassinada, cerimónias que decorreram este sábado. Mas, apesar de estar habituada e ter conhecimentos técnicos sobre como ‘ler’ cenários de crime, a inspetora terá cometido alguns deslizes, cruciais para o sucesso desta investigação. A arguida, de 36 anos, natural da Figueira da Foz, estava de baixa médica devido a uma intervenção cirúrgica» («Inspetora da PJ recusa explicar porque matou», Paula Carmo, Diário de Notícias, 29.11.2012, p. 19).

      Não interessa se é um sentido principal ou um sentido figurado — não precisa das aspas.

 

[Texto 2377]

Helder Guégués às 12:55 | comentar | favorito
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29
Nov 12

Ortografia: «inclusive»

Para a próxima

 

 

      «Ao longo dos meses, a investigação conseguiu também reunir muitas outros tipo de prova, nomeadamente através da vigilância realizada tanto na Sé como junto às habitações. O agente em causa foi inclusivé visto a sair da casa de Aurélio, pertencente ao grupo de detidos e que está em prisão domiciliária à espera de ser julgado por tráfico de droga. Terá avisado os restante detidos de rurgas agendadas e terá inclusivé reunido com os advogados dos indivíduos. Nos autos constam ainda escutas telefónicas onde [sic] o polícia participa» («Chefe da PSP que avisava traficantes fica em preventiva», A. T., Diário de Notícias, 29.11.2012, p. 19).

      Pode ler-se assim, pode, mas não se escreve dessa forma, pois trata-se de uma palavra grave.

 

[Texto 2376]

Helder Guégués às 12:48 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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