30
Set 13

Léxico: «amimado»

Então não é

 

 

      «Foi desde esse momento que te amei. Eu sei que as mulheres já te devem ter dito isto muita vez, a ti, que és um menino amimado» (Amok (O Doido da Malásia), Stefan Zweig. Tradução de Alice Ogando. Porto: Livraria Civilização, s/d, p. 119).

      Pois que me lembre, assim de repente, só em Camilo e em Eça já lera «amimado» em vez de «mimado». E nas traduções. Não é curioso?

 

  [Texto 3339]

Helder Guégués às 22:12 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas:

Ponto de exclamação invertido

Mas datável

 

 

      «¡A gente não mente na hora da morte de um filho único!» (Amok (O Doido da Malásia), Stefan Zweig. Tradução de Alice Ogando. Porto: Livraria Civilização, s/d, p. 109).

      Sem data, sim, mas antes de 1945, com certeza — ali está o ponto de exclamação invertido —, pois só o Acordo Ortográfico de 1945 é que veio abolir as formas invertidas do ponto de interrogação e do ponto de exclamação.

 

  [Texto 3338]

Helder Guégués às 21:38 | comentar | favorito
Etiquetas:

«Pernada», uma acepção

Passada larga

 

 

      «Os criados e os porteiros subiam e desciam febrilmente as escadas; acordaram todos os hóspedes e telefonaram para a polícia. Mas, no meio de todo este tumulto, o homem gordo, de colete desabotoado, passava em grandes pernadas, através da noite, soluçando e gritando, de forma insensata, um único nome: “Henriette!... Henriette!...”» (Vinte e Quatro Horas da Vida de Uma Mulher, Stefan Zweig. Tradução de Alice Ogando. Lisboa: Publicações Europa-América, 1972, pp. 15-16).

      O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista cinco acepções do vocábulo «pernada»: movimento violento ou pancada com a perna; pontapé; passada larga; ramo grosso de árvore; braço de rio. Pena é, como muitos outros dicionários, a maioria, não acolher abonações.

 

  [Texto 3337]

Helder Guégués às 15:17 | comentar | ver comentários (2) | favorito
Etiquetas:

«Esporão/gume da quilha»

Já vamos ver

 

 

      «Enfim, tropeçando nas cordas e passando pelos cabrestantes, atingi a proa do navio, que avançava na sombra, e vi a claridade líquida da lua saltar, espumante, dos dois lados do esporão» (Amok (O Doido da Malásia), Stefan Zweig. Tradução de Alice Ogando. Porto: Livraria Civilização, s/d, p. 13).

      Estão (marinheiros de água doce) aqui a dizer-me que em vez de «dos dois lados do esporão» é mais correcto «os lados do gume da quilha». Numa tradução francesa, lê-se «des deux côtés de l’éperon». Esta é uma questão para Paulo Araujo.

 

  [Texto 3336]

Helder Guégués às 13:37 | comentar | favorito
Etiquetas:

«Húmido/úmido»

Molha, mesmo sem agá

 

 

      «Como tinha feito parar o ventilador [da cabina do navio], o ar úmido e engordurado molhara-me a testa» (Amok (O Doido da Malásia), Stefan Zweig. Tradução de Alice Ogando. Porto: Livraria Civilização, s/d, p. 11).

      Mesmo sem agá, alguém fica sem perceber? E «herva» e «hontem», por exemplo, não perderam o agá? Alguém morreu por causa disso?

 

  [Texto 3335]

Helder Guégués às 11:27 | comentar | ver comentários (3) | favorito
Etiquetas:
30
Set 13

«Não vitória»!

Aquela onda

 

 

      Moita Flores, no momento da reconhecer a derrota: «Reconhecemos que não temos os resultados que esperávamos. De facto, aquela onda que atravessou o País também atingiu Oeiras, e por mais, melhor que tenha sido a nossa campanha, e foi seguramente a melhor campanha e as melhores propostas que se apresentaram aos Oeirenses saíram do PSD, nós não conseguimos atingir os nossos objectivos. Por isso mesmo, nós assumimos essa falência desse objectivo essencial que era ganhar a Câmara de Oeiras e devo assumir responsabilidades totais e pessoais por esta não vitória.» Também Luís Filipe Menezes começou por falar em «não vitória», mas depois lá disse claramente «derrota». Mas, claro, este não é escritor.

 

  [Texto 3334]

Helder Guégués às 09:27 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas:
29
Set 13

Léxico: «poncha»

Diga «3333»

 

 

      «A grande popularidade da poncha (bebida à base de aguardente de cana-de-açúcar, mel e sumo de fruta) na Madeira ajuda a explicar o recente aumento da produção de maracujá na ilha, diz Cláudia Ferreira, da Direcção Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural da ilha» («Produção de maracujá está a crescer», A. P. C., Público, 29.09.2013, p. 24).

      Ainda só bebi ponche, e este nome, poncha, só pode ter sido atribuído por analogia. Prefiro esta receita à do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, que junta aguardente, açúcar e água.

 

  [Texto 3333]

Helder Guégués às 23:14 | comentar | ver comentários (2) | favorito
Etiquetas:

«Por que misteriosa razão»

Não é misteriosa, não

 

 

      «Mas, mais grave do que tudo o resto, porque misteriosa razão, cinco anos depois do “escândalo BPN”, os tribunais não o puseram ainda no banco dos réus, com o bando de cúmplices que o serviu?» («A nossa mansidão», Vasco Pulido Valente, Público, 29.09.2013, p. 56).

      Escreve-se, quase toda a gente sabe ou sabia, «por que razão», ou seja, por (preposição) + que (pronome relativo), e, logo, «por que misteriosa razão», mas a mansidão leva-os a não mexerem na prosa do Sr. Pulido. Por mim, está bem.

 

  [Texto 3332]

Helder Guégués às 22:44 | comentar | ver comentários (3) | favorito
Etiquetas:

«Os milhares»

Desconcordância

 

 

      «Rio elogiou o sucesso da movida, e as milhares de pessoas que atrai, ligando-a à regeneração do espaço urbano num conjunto de artérias da Baixa da cidade, aos esforços de animação iniciais feitos pela própria autarquia que está prestes a deixar de dirigir» («Rui Rio teria “dificuldade para manter o ritmo” de obras de... Rui Rio»,  Abel Coentrão, Público, 28.09.2013, p. 15).

      Abel Coentrão, então já não sabe de que género é a palavra «milhar»? Costumava ser do género masculino. Sim, podíamos tratar de matéria mais interessante, mas não sem antes resolver o básico, não é?

 

  [Texto 3331]

Helder Guégués às 21:56 | comentar | favorito
Etiquetas:
29
Set 13

É mais ou menos isso

Pequeno e verde

 

 

      «O [Prémio] Stirling consta já do currículo de vários ateliers de renome e distinguiu obras que já são emblemáticas: desde o edifício de Norman Foster na City londrina, o 30 St Mary Axe (2004) — conhecido informalmente como o “gherkin” — ao MAXXI de Zaha Hadid (2010) em Roma, passando pelo Terminal 4 do Aeroporto de Barajas, em Madrid (Richard Rogers, 2006)» («Prémio Stirling: um castelo do século XII é o melhor edifício de 2012»,  Joana Amaral Cardoso, Público, 28.09.2013, p. 26).

      Por acaso é conhecido por The Gherkin, que em português é «pepino» e não «pequeno pepino». Gherkin é um pepino pequeno e verde, usado, lê-se nos dicionários de língua inglesa, «to make pickles».

 

  [Texto 3330]

Helder Guégués às 21:42 | comentar | favorito
Etiquetas: