31
Out 13

«Coolie/cúli/cule»

Não surpreende nada

 

 

      Na mesma tradução, ora se lê coolie ora o seu aportuguesamento cúli. Nem este nem a variante cule estão registados no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. Se consultarmos o Dicionário de Inglês-Português da mesma editora, vemos que coolie é o nome depreciativo que se dá ao «trabalhador assalariado (indiano ou chinês)». É como se no verbete football escrevessem «jogo entre dois grupos de onze jogadores, em campo rectangular, geralmente relvado, em que cada grupo procura meter uma bola na baliza do adversário, sem lhe tocar com os membros superiores». Não surpreende, assim, que alguns, demasiados, tradutores deixem a palavra em inglês.

 

  [Texto 3454]

Helder Guégués às 07:22 | comentar | favorito
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Sobre «zootrópio»

De pouco serve

 

 

      Sabem o que é um zootrópio? Se não sabem e forem consultar a definição do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, não ficarão a saber muito mais: «aparelho que dá a ilusão do movimento pela persistência das sensações ópticas». É mais um verbete a precisar de nova redacção, pois de todos os dicionários que consultei, é o menos claro.

 

  [Texto 3453]

Helder Guégués às 06:27 | comentar | favorito
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«Homicídio/assassínio»

Isso não é connosco

 

 

      «Rosario Porto e Alfonso Basterra estão detidos pela morte da filha, mas negam serem os autores do crime. Inicialmente foram acusados de homicídio, mas o juiz alterou a acusação para assassínio (que pressupõe um planeamento do crime) ao receber os resultados do exame toxicológico» («Asunta morreu devido à ingestão de ansiolíticos», Diário de Notícias, 25.10.2013, p. 24).

      Que «pressupõe um planeamento do crime» (porquê «um»?), sim, mas no ordenamento jurídico espanhol. Num artigo publicado na edição em linha de segunda-feira do diário espanhol ABC, explicava-se a diferença: «Para hablar de homicidio lo único que se necesita es que una persona le causa la muerte a otra, voluntaria o involuntariamente, pero siempre excluyendo tres condiciones que sí se dan para que el delito se eleve al de asesinato: que se cometa con “alevosía”, es decir, premeditación; que se de “ensañamiento” o, por último, que haya una recompensa por cometer el crimen, lo que se tipifica como “concurrencia de precio”

 

  [Texto 3452]

Helder Guégués às 06:09 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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31
Out 13

«Verãos», um plural pouco visto

Coincidências

 

 

      Coincidência espantosa: depois de ter passado uma vida sem ver o plural «Verãos», esta semana vi-o em duas traduções. Até ao início desta semana, só conhecia Verões. Agora, porém, já sei que Rui de Pina, Garcia de Resende e outros autores — mesmo contemporâneos nossos, como Fernando Campos — usaram aquele plural. E, assim, confere com aquela ideia de Ana Paula Silva, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), de que, «quando a terminação espanhola for –ano (cidadão-ciudadanos; cristão-cristiano; irmão-hermano; mão-mano), a palavra portuguesa terá seu plural com –ãos».

 

  [Texto 3451]

Helder Guégués às 05:39 | comentar | ver comentários (16) | favorito
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30
Out 13

Léxico: «bazofeiro»

Estava a pedi-las

 

 

      E então ele «tornava-se bazofeiro, tornava-se insolente». Há gente assim, mas nada que uma murraça nas trombas não resolva, não é? Nem sempre podemos ser diplomáticos, conciliadores, contemporizadores. Ora, para Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, só há bazofiadores. Porque é popular? Não! Porque não se lembraram, não o viram.

 

  [Texto 3450]

Helder Guégués às 11:26 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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30
Out 13

Léxico: «destila»

De certeza que é bom

 

 

      Em Évora, na 3Bicos, produz-se gim biológico, da marca Templus. A mitologia, mesmo de forma ínvia, ainda vende. «Fermenta mais ou menos em dois dias. Seguidamente, sairá daqui só o líquido em si, que vai dar origem à primeira destila», disse ontem ao Jornal da Tarde João Rosado, artesão da destilaria. Primeira de três destilas, na última entram o zimbro, ervas aromáticas como poejo e hortelã da ribeira, etc. E cá está mais uma palavra que não encontro em nenhum dicionário, um substantivo por derivação regressiva.

 

  [Texto 3449]

Helder Guégués às 08:18 | comentar | ver comentários (12) | favorito
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29
Out 13

«Capelo da chaminé»

Mais incoerências lexicográficas

 

 

      Não me recordo de alguma vez antes ter deparado com a expressão «capelo da chaminé». Vi-a agora mesmo numa tradução do inglês. Os tradutores podem não ter as coisas facilitadas, pois, se chimney hood consta no Dicionário de Português-Inglês da Porto Editora, não está, como devia, porque é onde mais falta faz, no Dicionário de Inglês-Português. E, incongruentemente, do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora também está ausente. É o nome que se dá ao remate superior da chaminé, construído para aproveitar as correntes de ar para uma melhor tiragem.

 

  [Texto 3448]

Helder Guégués às 14:06 | comentar | favorito
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«Tratar-se de»

Leitura, pois

 

 

      «Quer se tratem de livros ou jornais em formato digital, a leitura em suportes electrónicos continua a ser uma prática individualizada, tal como acontece com a leitura em papel» («Na era da partilha online, a leitura continua a ser uma prática individual», João Pedro Pereira, Público, 28.10.2013, p. 27).

      Para falar da leitura, nada como atacar logo com um solecismo dos mais arrepiantes. Caro João Pedro Pereira, a construção tratar-se de é impessoal, pelo que apenas se conjuga na terceira pessoa do singular. Desconfio que não lhes ensinam isto no Cenjor nem nas faculdades.

 

  [Texto 3447]

Helder Guégués às 09:03 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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29
Out 13

Léxico: «carregador»

Último reduto

 

 

      «“Carregadouro”», lê-se no Decreto-Lei n.º 124/2006, de 28 de Junho, sobre a gestão da floresta, «é o local destinado à concentração temporária de material lenhoso resultante da exploração florestal, com o objectivo de facilitar as operações de carregamento, nomeadamente a colocação do material lenhoso em veículos de transporte que o conduzirão às unidades de consumo e transporte para o utilizador final ou para parques de madeira.» Dos dicionários, porém, onde já esteve (assim como «descarregadouro»), desapareceu. Tiram-nos tudo, até as palavras.

 

  [Texto 3446]

Helder Guégués às 09:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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28
Out 13
28
Out 13

Traduzir com exigência e critério

Províncias vizinhas do silêncio

 

 

      «Trata-se apenas de um exemplo [escola de tradutores, na Holanda] do que pode ser feito por quem transporta de outras língua para as nossas línguas-mães as obras que permitem partilhar novos conhecimentos, novas ideias e novas visões do mundo. Quanto melhor se traduz, com exigência e critério, mais beneficiam a língua de origem e a traduzida, bem como a própria cultura. E isto, pelo menos, pode ser dito e compreendido em qualquer língua» («Traduzir não é trair, é universalizar», José Jorge Letria, Público, 28.10.2013, p. 47). «Sem a tradução», recorda José Jorge Letria que George Steiner escreveu, «habitaríamos províncias vizinhas do silêncio».

 

  [Texto 3445] 

Helder Guégués às 22:30 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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