31
Ago 14

Sobre «quartel»

Falta em quase todos

 

 

      «O que nós queremos é um debate intenso neste último quartel deste ano que permita que essa reforma venha ainda a tempo do próximo ciclo. O País precisa de profundas reformas» (deputado centrista Ribeiro e Castro em declarações à Antena 1, 24.08.2014).

    Poucos dicionários acolhem esta acepção de quartel: a quarta parte do ano, trimestre. E a verdade é que também nem todos registam a acepção mais conhecida relacionada com períodos de tempo, o período de vinte e cinco anos.

 

[Texto 4993]

Helder Guégués às 14:07 | comentar | favorito
Etiquetas:

«Guerrismo/guerrista»

Belicismo

 

 

      «Após garantir [sic] o financiamento de alguns grandes proprietários alentejanos, nomeadamente António Sousa Fernandes (que se opunham à política “guerrista” de Afonso Costa, contestando em particular o tabelamento dos preços agrícolas que restringiam as margens de lucro), o golpe avança na noite de 5 de Dezembro de 1917, com a participação decisiva de unidades militares que se preparavam para seguir para a frente de combate» («O regime presidencialista que anunciou o fim da República. Sidónio», Paulo Curado, «I Grande Guerra»/Público, 24.08.2014, p. 4).

      «O belicismo do Reizinho – ou o seu “guerrismo”, como então se dizia – havia de custar-lhe, nos anos seguintes, muitas críticas dos monárquicos, em contraste com os elogios dos republicanos ao “patriotismo” de D. Manuel» (A Amante do Reizinho & Outras Histórias de D. Manuel II, Vasco Duprat. Alfragide: Oficina do Livro, 2012, p. 127).

 

[Texto 4992]

Helder Guégués às 14:04 | comentar | favorito
Etiquetas:

Léxico: «policiário»

Fernando Pessoa

 

 

      «O termo Policiário foi desenvolvido pelo Sete de Espadas, a partir
 da [sic] designação que foi dada por Fernando Pessoa que em carta escrita ao seu amigo Adolfo Casais Monteiro referia que estava a trabalhar numa novela policiária, supostamente “O Roubo na Quinta das Vinhas”. Esta carta, de 13 de Fevereiro de 1935, foi o ponto de partida para a designação do nosso passatempo» («O Policiário em tempo de férias: Évora 2012», Luís Pessoa, Público, 24.08.2014, p. 43).

 

[Texto 4991]

Helder Guégués às 14:03 | comentar | ver comentários (2) | favorito
Etiquetas:

«Mar cachão»

No mar

 

 

      «“Trouxeram sacos de plástico?” A pergunta do pescador de Quarteira, a sorrir, antes da partida para uma noite no mar, é feita em jeito de apresentação de cartão-de-visita: “O mar está cachão”, avisa. Dentro de dez minutos, o 24 Horas solta amarras, e ei-los que partem para mais uma jornada» («Polvo do Algarve prepara ‘passaporte’ para entrar, vivo, no Japão», Idálio Revez, Público, 24.08.2014, p. 22).

 

[Texto 4990]

Helder Guégués às 06:31 | comentar | favorito
Etiquetas:

Sobre «caldeira»

Alguém conhece?

 

 

    «Têm agora a palavra os proprietários, havendo contactos desenvolvidos pela autarquia no sentido de se intervir com urgência, após muitas décadas de abandono. “Não existem muitas zonas na área metropolitana de Lisboa que sejam propriedade de privados com acesso de rio, possibilitando que alguém chegue de barco e entre na sua quinta e estacione”, diz o vereador do Planeamento.

    A Quinta do Braamcamp, por exemplo, tem uma caldeira de 100 metros por 50, adequada à prática de desportos náuticos» («Zona ribeirinha do Barreiro está a caminho de ser devolvida à população», Luís Nascimento, Público, 24.08.2014, p. 21).

 

[Texto 4989]

Helder Guégués às 06:30 | comentar | favorito
Etiquetas:

Léxico: «lomba»

«Come-molas» é melhor

 

 

   «Foram já concluídas as obras na avenida e no Largo da Igreja do Rosário, diz a autarquia. Também já foram colocadas “lombas” na Av. Bento Gonçalves, ao longo da qual existe um jardim muito utilizado para passeios e práticas desportivas e que funciona como uma marginal com vista privilegiada para Lisboa e o Mar da Palha» («Zona ribeirinha do Barreiro está a caminho de ser devolvida à população», Luís Nascimento, Público, 24.08.2014, p. 21).

    É só mais uma acepção da palavra «lomba», mas o jornalista acha que tem de lhe pespegar com aspas. Recentemente, revi um romance de um autor angolano e uma personagem dava a estas lombas o nome de come-mola ou quebra-molas. Bem visto.

 

[Texto 4988]

Helder Guégués às 06:27 | comentar | favorito
Etiquetas: ,

Angolismos e termos angolanos

Culpa dos pulas

 

 

    Não faltam termos angolanos e angolismos no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. Angolismos na nossa língua não são muitos, assim de repente só me lembro de caçula, cota, fuba, funje, jindungo, musseque e soba. Todos registados naquele dicionário. Quanto a termos angolanos acolhidos naquele dicionário, a primeira dúvida é logo: porquê só estes? Regista alembamento, anhara, babular, bassula, bolacha, bombó, bonhar, bumbar, cachico, cacitane, cacusso, cafrique, calema, calulu, caluanda, calundu, calunga, calungangombe, camba, canuco, cassacambe, catolotolo, cazumbi, caxexe, caxi, caxicagem, caxico, caxinde, caxipembe, chimboto, cubicar, cubico, cumbu, jinguba, loacos, lombongo, luando, mabululos, maca, macota, maculo, mambo, massambala, martrindinde, matona, ngololo, pacaça, pula, quilápi, quimbala, quimbanda, quimbári, quimbo, quimbombeiro, quimbombo, quinguila, quissângua, quizaca, revienga, salalé, zâmbi, zunga... Mas não regista bichocho, bilô, caleluia, candongueiro, cassunguminha, lombonde, ngovola, papóite, quimbandeiro, uminada... Enfim, é preciso continuar a trabalhar.

 

[Texto 4987]

Helder Guégués às 06:26 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas:

«Abraâmico/abraânico»

Antes, nem sequer um

 

 

      O professor disse «abraânico», que eu nunca tinha lido ou ouvido antes. Pior estava o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, que ignora tanto abraânico como abraâmico. Agora, por sugestão minha, registou este último.

 

[Texto 4986]

Helder Guégués às 06:25 | comentar | favorito
Etiquetas:
31
Ago 14

Léxico: «angevino»

Ora, isto é estranho

 

 

  O autor, português, diz que a mulher é angevina, palavra que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora desconhece. Ora, o Dicionário de Francês-Português da mesma editora acolhe-o. Angevin: «Angevino; natural de Angers ou de Anjou».

 

[Texto 4985]

Helder Guégués às 06:22 | comentar | favorito
Etiquetas:
30
Ago 14
30
Ago 14

Sempre o plural

Até custa a dizer

 

 

   «Isto conta-nos o padre Rufino Xavier, entre as casas de xisto das ruas desta aldeia transmontana, mostrando-nos outro negócio da família, o turismo rural — a taberna será também gerida pelos Xavier. Aos 38 anos, Rufino, reitor do Seminário de S. José em Bragança, não tem pudor em admitir que gosta do negócio» («“Se é preciso fazer alguma coisa, fazemos todos”», Joana Gorjão Henriques, Público, 23.08.2014, p. 8).

   Mas Camilo e qualquer pessoa com os pés assentes na terra e a cabeça nos ombros: «Ora, os Xavieres de sua avó materna eram sangue puro, sem glóbulo de mouro ou judeu» (in A Caveira da Mártir).

 

[Texto 4984]

Helder Guégués às 21:46 | comentar | favorito
Etiquetas: ,