30
Set 14

Pronúncia: «própolis»

Mais uma silabada

 

 

      Vim agora do Celeiro, no Centro Comercial Colombo. Então não é que a empregada que me atendeu não sabia pronunciar a palavra «própolis»? Nem sempre estou para isso, mas hoje, sem parecer que o estava a fazer, mostrei-lhe como se pronuncia a palavra. Não sei se ela ganhou o dia, mas eu pratiquei a minha boa acção.

 

[Texto 5102]

Helder Guégués às 17:33 | comentar | favorito
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Escrever e depois reler

De jacto, e depois reler de-va-gar

 

 

      «Só por isso, Costa deveria
 ter enviado flores e beijinhos a Seguro. Se é certo que as primárias nasceram para o desgastar e atrasar o processo de sucessão,
 a verdade é que Seguro acabou por lhe prestar um enorme 
favor. O varapau com que se quis defender de Costa foi o bastão
 que o entronizou» («A tramóia acabou em glória», João Miguel Tavares, Público, 30.09.2014, p. 48).

  A última frase só se percebe porque, como leitor, temos muito boa vontade. À letra, significa que aquele metafórico varapau serviu para Seguro se defender e entronizar, que não é, como sabemos, o que o cronista quis dizer.

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[Texto 5101]

Helder Guégués às 09:24 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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Aprender a brincar

Didáctico, explicativo e... lúdico

 

 

      «O desafio é da RTP2, que através da imagem e entretidos diálogos se propõe dar a provar aos portugueses os vinhos mais representativos de cada uma das regiões. Verdade do Vinho é um programa com treze episódios, que conta com o apoio da ViniPortugal e vai para o ar a partir das 22h50. […] E a principal característica que logo se destaca é o seu estilo ao mesmo tempo entretido e também vincadamente didáctico e explicativo sobre os vinhos das diferentes regiões» («Ao que sabem, como e onde se fazem os melhores vinhos de Portugal», José Augusto Moreira, Público, 30.09.2014, p. 11). Acho que já percebemos a ideia. Para quem ainda não percebeu: «Percursos onde, a par do conhecimento, a vertente de espectáculo e entretenimento acena sempre também ao telespectador.» Tem de ser lúdico, como também nas escolas, ou os meninos não gostam.

 

[Texto 5100]

Helder Guégués às 08:02 | comentar | favorito
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30
Set 14

Como se tudo fosse inglês

A ninguém

 

 

    «Acompanhou as vitórias do “socialismo democrático” em Portugal, sem nunca cortar “as pontes” com o outro lado, o PCP e a extrema-esquerda. Ser-lhe-ia difícil fazê-lo. Tinha muitos amigos desse lado. E o seu próprio pai, o escritor Orlando da Costa, foi um histórico militante comunista, que gostava de debater política e se habituou com dificuldade a ouvir o filho referido como “o doutor António Costa”, em vez do tratamento caseiro que lhe dispensava: babush, menino, em concanim, de Goa» («O que muda com António Costa à frente do PS», Paulo Pena, Público, 30.09.2014, p. 4).

    O objectivo é só um: que todas as línguas se pareçam com o inglês. A quem, com os pés bem assentes na terra e na língua portuguesa, ocorre representar daquela maneira a palavra concani?

 

[Texto 5099]

Helder Guégués às 07:52 | comentar | favorito
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29
Set 14

«Percurso precursor»!

Infeliz escolha de palavras

 

 

   «O lendário editor francês Jean-Jacques Pauvert, conhecido por ter publicado obras
 de referência da literatura erótica que lhe valeram tanto a popularidade como
 o acumular de processos judiciais e de polémica, morreu anteontem, aos 88 anos. Estava internado num hospital de Toulon, depois de ter sofrido em Agosto mais um acidente vascular cerebral. A ministra francesa da Cultura [sic], Fleur Pellerin, recordou o
 seu percurso “precursor e transgressor” na luta contra a censura e o seu contributo para a “liberalização dos costumes”. Com apenas 21 anos, Pauvert foi o primeiro a publicar na íntegra, entre 1945 e 1949, a obra do Marquês de Sade, o que lhe renderia um julgamento de sete anos e um início de carreira conturbado» («Morreu Jean-Jacques Pauvert, o editor da obra de Sade», Público, 29.09.2014, p. 28).

 

[Texto 5098]

Helder Guégués às 11:30 | comentar | favorito
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Léxico: «aquatáxi»

Mais uma nova

 

 

      «No sábado, na falta da noiva — que pernoitou no hotel de sete estrelas onde foi feita
 a cerimónia —, os paparazzi centraram-se em Clooney, que chegou, como outros convidados, num aquatáxi — o casamento do actor foi uma extravagância veneziana» («George Clooney. A festa continua em Veneza», A. G. F., Público, 29.09.2014, p. 22).

 

[Texto 5097]

Helder Guégués às 11:29 | comentar | favorito
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Léxico: «chícharo»

Bem demonstrativo

 

 

   «Não foi a primeira vez que este pasteleiro misturou ingredientes improváveis nas receitas tradicionais. Rui Coelho inventou, por exemplo, o pastel de chícaro, feito à base de uma leguminosa de origem árabe» («Um pastel de nata com perfume alentejano», Sónia Silva, Jornal da Tarde, 28.09.2014).

    A jornalista sabe lá o que diz. É óbvio que nunca viu nem a leguminosa nem a palavra. É chícharo (ou xíxara), e aqui não como sinónimo de feijão-frade, mas a leguminosa de nome científico Lathyrus sativus. Há até pelo menos dois festivais gastronómicos dedicados ao chícharo: em Junho, um em Alvaiázere; em Novembro, outro em Santa Catarina da Serra.

 

[Texto 5096]

Helder Guégués às 10:37 | comentar | favorito
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29
Set 14

«Militante de base»

Nem os políticos

 

 

      «A alegria de Costa confrontava o estado de espírito de outro António. Seguro, o agora militante-base, anunciava que saia [sic] de cena, horas antes de Costa chegar, de surpresa, ao Rato, para abraçar Jorge Coelho» («O grande queijo de Costa que soube sempre a vitória», Nuno Sá Lourenço e Rita Brandão Guerra, Público, 29.09.2014, p. 3).

      Lá estão os jornalistas a darem mais uma machadada na língua. Até os políticos semianalfabetos dizem «militante de base».

 

[Texto 5095]

Helder Guégués às 10:35 | comentar | favorito
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28
Set 14

«Rendimentos percepcionados»?

Entre aspas

 

 

      «Em  2000, numa nota manuscrita remetida ao auditor da Assembleia
 da República e que acompanhava as declarações de rendimentos requeridas, Pedro Passos Coelho escreveu: “Entre 96 e 99 constam rendimentos de trabalho independente por mim percepcionados e respeitantes a colaborações ‘jornalísticas’ na Antena 1, jornal Público e semanário O Independente”» («Passos Coelho no Público», Público, 27.09.2014, p. 3).

      Tudo verdade, ao que parece, para relativo alívio do País, mas já então se queria salientar pela linguagem. Para futuro.

 

[Texto 5094]

Helder Guégués às 16:59 | comentar | favorito
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28
Set 14

Sobre «pré-canceroso»

Tem de ser revisto

 

 

      O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista, e muito bem, que pré-canceroso é o «que pode tornar-se canceroso». Mas, para o Dicionário de Termos Médicos da mesma editora, já é o «que evolui para um cancro». De probabilidade transformou-se em certeza. Também há o termo, e o conceito, «pró-canceroso», que não vejo em nenhum dicionário.

 

[Texto 5093]

Helder Guégués às 15:34 | comentar | favorito
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