31
Dez 14
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Dez 14

Obrigatoriamente bilingues

Preparados para emigrar

 

      «A actriz que começou por actuar nos palcos e filmes alemães (os dados sobre o seu local de nascimento não são exactos, variando entre Viena, na Áustria, ou Dusseldorf, na Alemanha) foi descoberta por um caça-talentos do estúdio MGM, depois de ter trabalhado com Max Reinhardt, na Áustria. Transferida para os EUA, entrou para o studio system e era conhecida como “The Viennese Teardrop” (A Lágrima de Viena) ou “The New Garbo” (a nova Garbo, uma referência aos padrões de beleza que os scouts procuravam nos palcos europeus, equiparáveis a Greta Garbo)» («Morreu Luise Rainer, a actriz que ganhou dois Óscares e depois desapareceu», Público, 31.12.2014, p. 30).

      Esta deve ser a fase de transição, em português e em inglês — caça-talentos e scouts —, no futuro será apenas em inglês.

 

[Texto 5407]

Helder Guégués às 08:00 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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30
Dez 14
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Dez 14

Sobre «prião» e outras coisas

Se tem nome...

 

      «O estranho mundo dos priões tornou-se notícia frequente em 1996, quando apareceram os primeiros casos da doença das vacas loucas, em Inglaterra. Prião, do inglês prion, é uma conjugação das palavras “proteína” (protein, em inglês) e “infecção” (infection) e revela uma ideia bizarra — a de que as proteínas podem adquirir a capacidade de infectar animais e pessoas e de se multiplicarem, causando uma doença neurodegenerativa. Até ali, pensava-se que só os vírus, as bactérias e outros parasitas poderiam causar infecções» («E se a doença de Creutzfeldt-Jakob esporádica vier das ovelhas?», Nicolau Ferreira, Público, 30.12.2014, p. 25).

      Não se diz «conjugação», mas sim «amálgama». E «bizarra» é uma estranha forma de dizer «estranha».

 

[Texto 5406]

Helder Guégués às 23:28 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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29
Dez 14
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Dez 14

Léxico: «atuneiro»

Sim, também há

 

      «Quarenta e sete embarcações de pesca de atum (atuneiros) com emigrantes açorianos em San Diego, na Califórnia, bem como os seus 600 tripulantes, foram recrutados pela marinha de guerra dos EUA em 1942, após o ataque japonês a Pearl Harbor. Os detalhes deste episódio constam de um documentário, editado em DVD, em versão bilingue, designado Portuguese in California, do jornalista Nelson Ponta-Garça, que vive nos EUA e possui a sua própria produtora, a NPG Productions» («Batalha de Pearl Harbor obrigou EUA a recrutar atuneiros açorianos na Califórnia», Público, 29.12.2014, p. 48).

 

[Texto 5405]

Helder Guégués às 23:25 | comentar | favorito
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28
Dez 14
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Dez 14

Oficiais e funcionários

Perdoe-lhes, Sr. Vara

 

      «“Este projecto fascinante dá-nos acesso às pessoas comuns e às pessoas extraordinárias que ajudaram a construir este país e o resto do mundo”, afirma Shailesh Vara, oficial do Ministério da Justiça britânico, na nota divulgada ontem. “É um recurso fantástico, não só para os historiadores de família, mas para qualquer pessoa que tenha interesse na história social e em figuras famosas”, explicou» («Arquivo online revela testamentos de figuras históricas», Público, 28.12.2014, p. 56).

      «Oficial do Ministério da Justiça britânico»... No portal da TVI24, lê-se que é a «secretária de Estado da Justiça encarregada dos tribunais». No portal do Governo do Reino Unido, a propósito destes arquivos, lê-se isto: «Courts Minister Shailesh Vara». E ao lermos, no mesmo portal, o perfil, com fotografia, de Shailesh Vara, acabam-se as dúvidas sobre o sexo da pessoa em causa. Agora digam-me se nos podemos fiar no que diz a comunicação social. Um simples revisor olha e vê que está errado; o jornalista escreve e relê (se é que o faz), o editor devia ler e reler, e passam estas barbaridades.

 

[Texto 5404]

Helder Guégués às 10:11 | comentar | ver comentários (12) | favorito
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27
Dez 14
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Dez 14

Ortografia: «neozelandês»

Nem regras, quanto mais excepções

 

      «O próximo ano marca o centenário da Campanha de Gallipoli (ou Dardanelos), o ataque desastroso dos Aliados (sobretudo, australianos e neo-zelandeses) durante a I Guerra Mundial, que ajudou a forjar a Turquia, depois da queda do Império Otomano: os aliados foram contrariados por um comandante turco, que desobedeceu às suas ordens — Mustafa Kemal, que viria a chamar-se Kemal Atatürk e foi o fundador do país moderno. Por isso, este será o ano de muitas peregrinações — turcas, australianas, neo-zelandesas, britânicas — aos campos de batalha, cemitérios, memoriais, mas também será um bom pretexto para conhecer uma região turca menos habituada aos roteiros turísticos» («Onde vamos em 2015?», Andreia Marques Pereira, «Fugas»/Público, 27.12.2014, p. 6).

      Também nas traduções, é muito raro vê-la bem escrita. É só falta de conhecimento da ortografia (e a preguiça?), mas o curioso é que se trata de uma excepção, pois os nomes de naturalidade ou nacionalidade em cuja formação entram compostos usa-se o hífen. Contudo, este «neo-» é um elemento especial, já que se trata de uma forma reduzida.

 

[Texto 5403]

Helder Guégués às 19:29 | comentar | favorito
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26
Dez 14

Topónimo: «Achém»

Sim, quem?

 

   «Sobreviventes e familiares das vítimas desta tragédia e socorristas que participaram nas operações de salvamento juntam-se para uma cerimónia de orações na província de Aceh, próxima do epicentro do sismo, e de longe a região mais afectada pela violência das águas do tsunami» («Dez anos depois, o mundo recorda o dia em que o mar engoliu a terra», Joana Amado, Público, 26.12.2014, p. 26).

      No fundo, envergonham-se de fazer correctamente, porque sabem que quase ninguém faz bem.

 

[Texto 5402]

Helder Guégués às 14:42 | comentar | favorito
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Topónimo: «Samatra»

Quem disse que aprendem?

 

      «No dia 26 de Dezembro de 2004, um sismo de magnitude 9,3 — o mais forte no mundo desde 1960 — ocorrido ao largo da ilha indonésia de Sumatra provocou vagas gigantescas nos mares que devastaram as zonas costeiras de vários países, afectando principalmente a Indonésia (quase 170 mil mortos e desaparecidos) e o Sri Lanka (mais de 35 mil mortos)» («Dez anos depois, o mundo recorda o dia em que o mar engoliu a terra», Joana Amado, Público, 26.12.2014, p. 26).

 

[Texto 5401]

Helder Guégués às 14:38 | comentar | favorito
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26
Dez 14

«Voluntariado/voluntarismo»

Alguém quer ser mensageiro?

 

    «O tsunami de 2004 suscitou uma vaga de generosidade e voluntarismo sem precedentes no mundo, tendo sido recolhidos mais 11 mil milhões de euros para a ajuda humanitária e a reconstrução das zonas mais afectadas» («Dez anos depois, o mundo recorda o dia em que o mar engoliu a terra», Joana Amado, Público, 26.12.2014, p. 26).

    Uma estimável prenda de Natal para esta jornalista era alguém dizer-lhe que está enganada: confunde «voluntarismo» com «voluntariado». Já aqui vimos esta confusão, a que só os mais tenrinhos são atreitos.

 

[Texto 5400]

Helder Guégués às 14:30 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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25
Dez 14

Pobre verbo «pôr»

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 É o cartune de ontem do Jornal de Notícias, intitulado «Elias o sem abrigo», 

de R. Reimão e Aníbal  F. (Sic, sic, sic, para todos os erros.) 

 

 

Helder Guégués às 12:18 | comentar | favorito
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25
Dez 14

Tradução: «pink slime»

Pouco conhecido entre nós

 

      «Uma recente reacção do público contra os hambúrgueres feitos com pink slime (restos de carne reaproveitados e tratados com amoníaco), que levou a que estes fossem retirados dos menus escolares, teve um efeito devastador no consumo — outro artigo no The New York Times, este assinado por Philip M. Boffey, lembrava que estas coisas têm sempre dois lados e que um dos efeitos foi o encerramento de unidades de produção e a perda de centenas de postos de trabalho» («Votar pela comida», Alexandra Prado Coelho, «2»/Público, 28.10.2012, p. 12).

    No Brasil, este pink slime, com que a indústria alimentar nos vai envenenando, tem o nome de gosma rosa.

 

[Texto 5399]

Helder Guégués às 11:14 | comentar | favorito
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Dez 14
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Dez 14

«Que se as deixe»

Outra prenda para Mário de Carvalho

 

    «Marcar fortemente uma posição contra as convenções não implica que se as deixe de usar, ao menos nestes planos da linguagem e da comunicação» (Quem Disser o Contrário É porque Tem Razão, Mário de Carvalho. Porto: Porto Editora, 2014, p. 158).

    Título profético. Quem disser o contrário é porque tem razão: não é assim que se escreve, já o vimos. Fica para reflexão (e para o próximo guia prático de escrita de ficção).

 

[Texto 5398]

Helder Guégués às 17:22 | comentar | ver comentários (4) | favorito (1)
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