30
Jun 16

Tradução: «tuyau»

Aos cachimbadores

 

      Pegou pelo tuyau um cachimbo que ali estava. «Tubo», traduziram. E, de facto, tuyau é tubo, cano, canudo. Contudo, o que me parece é que não se lhe dá este nome, mas sim cabo. Fornilho, piteira, ducto de ar... Esperemos que algum cachimbador altruísta nos elucide. Talvez algum membro de Cachimbo Clube de Portugal (de nome tão pouco português...).

 

[Texto 6921]

Helder Guégués às 14:10 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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30
Jun 16

Tradução: «graisser»

Também suja

 

      Quando era jovem, graissa as mãos nos livros poeirentos da biblioteca do avô. «Ensebou», quis o tradutor. Valha-me Deus, como é que a poeira pode ensebar-nos os dedos?! É típico, já o vimos demasiadas vezes: vão aos dicionários bilingues e servem-se logo da primeira acepção: neste caso, untar, ensebar, lubrificar. No entanto, a poeira só nos pode sujar.

 

[Texto 6920]

Helder Guégués às 08:13 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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29
Jun 16

Pequenas diferenças

A mesma saída

 

      «“O ‘Brexit’ já aconteceu, psicologicamente, por causa da votação e porque o Reino Unido se tornou refém das ambições de uns quantos políticos”, declarou a Presidente da Lituânia, Dalia Grybauskaite» («O dia em que Tsipras consolou Cameron pelo “Brexit”», Clara Barata, Público, 29.06.2016, p. 22).

      Entre aspas e com maiúscula inicial? Não me parece. A maiúscula até é defensável, mas não entre aspas. Prefiro como o Diário de Notícias o grafa: «São muitas as sombras de reputação que o tingem, mas quando o brexit soprou violentamente sobre a bolsa espanhola, os eleitores correram para junto do seu regaço, rasgando sondagens que não tinham em conta o sismo britânico de dia 23» («A montanha Rajoy», Viriato Soromenho-Marques, Diário de Notícias, 28.06.2016, p. 2).

 

[Texto 6919]

Helder Guégués às 13:39 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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29
Jun 16

Um pouco mais de (re)visão

No mesmo artigo...

 

      «A seleção da pátria do desporto-rei, hiperfavorita, perdeu com a da ilha vulcânica do Atlântico Norte onde, há meia dúzia de anos — antes da disseminação de estádios cobertos — era quase impossível jogar futebol de outubro a abril. […] É a pátria da mais bela epopeia do Euro 2016 — resultado do investimento em estádios indoor, na formação de jovens atletas e na recolha dos frutos dos que emigraram para ligas estrangeiras — e vai encontrar a anfitriã França, nos quartos-de-final» («Adeus[,] Inglaterra: a epopeia da Islândia tem um novo capítulo», Rui Marques Simões, Diário de Notícias, 28.06.2016, p. 46).

 

[Texto 6918]

Helder Guégués às 00:03 | comentar | favorito
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28
Jun 16

Prefixo co-

Dobra a consoante

 

      «E para que se mantivesse a maldição diante do cosselecionador da Islândia, o milagreiro Lars Lagerbäck (a quem nunca conseguira ganhar, em seis encontros anteriores)» («Adeus[,] Inglaterra: a epopeia da Islândia tem um novo capítulo», Rui Marques Simões, Diário de Notícias, 28.06.2016, p. 46).

      É um horror, mas está certo: cosselecionador. Para que permaneça o som do vocábulo original, a consoante dobra. Como correferência, correlação, corresponsabilidade, corréu, cossecante, cossegurador, cossignatário...

 

[Texto 6917]

Helder Guégués às 23:56 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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«Brexit, mexit...»

Tópicos de conversação

 

      «Após o anúncio, seguindo o apelo lançado pelo diário desportivo Olé, com as hashtags que se tornaram virais, adeptos e velhas glórias do futebol argentino (e de todo o mundo), logo começaram a pedir ao jogador que reconsidere o mexit — como a saída já é chamada, à imagem do brexit» («#NoTeVayas. O mundo pede a Messi que adie a despedida da Argentina», Rui Marques Simões, Diário de Notícias, 28.06.2016, p. 49).

 

[Texto 6916] 

Helder Guégués às 23:45 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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«Observação de aves»

A mesma lógica

 

      «O desenvolvimento turístico está a ocorrer numa lógica de pequenos nichos de mercado, como a exploração das rotas gastronómicas, bird watching (observação de pássaros), passeios de barco e barcos-casa para alugar ou observatório de estrelas» («Estado já reouve dinheiro investido no maior lago europeu», Carla Aguiar, «Especial»/Diário de Notícias, 28.06.2016, p. IV).

      A mesma lógica, ou falta dela, e a mesma desnecessidade. Aliás, não é observação de pássaros, mas observação de aves.

 

[Texto 6915]

Helder Guégués às 22:59 | comentar | favorito
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«Perspectiva/outlook»

Ainda vão para o lixo

 

      «E podem aí vir novos cortes — a perspetiva (outlook) para a evolução da qualidade creditícia do Reino Unido é agora “negativa”» («City em risco de perder cem mil postos de trabalho», Filipe Paiva Cardoso, Diário de Notícias, 28.06.2016, p. 31).

      Qual a necessidade de usar também a palavra inglesa? Os leitores do DN não vão ter emprego na City. Não agora.

 

[Texto 6914]

Helder Guégués às 22:23 | comentar | favorito
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«Sob/sobre»

O triste espectáculo continua

 

      «Do que a UE precisa é ganhar algum tempo e não decidir sobre precipitação retaliatória, como quer Juncker, que se prepara para vergar à humilhação um David Cameron que já não participará no segundo dia do Conselho Europeu que hoje começa» («Os meninos à volta da fogueira», Bernardo Pires de Lima, Diário de Notícias, 28.06.2016, p. 32).

      Diabos me levem se não é a clássica confusão entre sob e sobre, de que já dissemos tudo o que há para dizer. Isto num investigador universitário...

 

[Texto 6913]

Helder Guégués às 22:11 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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28
Jun 16

Léxico: «entas»

Por eles, então

 

      «Ainda não tinha entrado nos “entas” quando, em 2005, ascendeu à liderança dos Tories, derrotando na corrida o mais experiente David Davis e sucedendo a Michael Howard» («Cameron: o conservador “pragmático” que pode ter destruído duas uniões», José Fialho Gouveia, Diário de Notícias, 28.06.2016, p. 32).

      Por vezes, vê-se grafado em itálico; outras, como no artigo acima, entre aspas; já vi também antecedido de hífen: entas, «entas», -entas. Nada disso é necessário: o simples contexto torna claro do que se trata. E, se não está nos dicionários, devia estar, nem que seja para os estrangeiros que aprendem a nossa língua. «Eu até jurava que ele que já entrou nos entas, que é que julga?» (Armandina e Luciano, o traficante de canários, Olga Gonçalves. Lisboa: Editorial Caminho, 1988, p. 119).

 

[Texto 6912]

Helder Guégués às 22:01 | comentar | favorito
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