31
Ago 16

É o sistema, estúpido!

O guião ou o sistema

 

      O agente principal J. G. já sabia que eu era revisor, mas teve de perguntar (estava no guião...): «O senhor sabe ler?» Hesitei na resposta.

 

[Texto 7048]

Helder Guégués às 09:00 | comentar | favorito
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31
Ago 16

Sobre «telespectador»

Não é a única a dizê-lo

 

    «Descongelei ràpidamente ao pensar na surpresa que vão ter os telespectadores (apre, que palavra difícil!) quando estiverem à espera do famoso “Romeiro, romeiro, quem és tu?” e não lho derem» (Bisbilhotices, Vera Lagoa. Amadora: Editorial Ibis, 1968, pp. 231-32).

 

[Texto 7047]

Helder Guégués às 06:00 | comentar | favorito
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30
Ago 16

Léxico: «aragonês»

Pobres dicionários

 

      No próximo ano lectivo, nas escolas primárias de Aragão, Espanha, o aragonês, ou fabla, língua materna de mais de 140 000 aragoneses, vai poder ser ensinado a par de outras línguas, como o inglês e o francês. A ausência de «fabla» dos nossos dicionários não é de estranhar, naturalmente; mas já a ausência desta acepção de «aragonês» no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora e noutros dicionários me parece muito estranha. Noutros, dirão que se trata de um dialecto.

 

[Texto 7046]

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30
Ago 16

Léxico: «fluvina»

É no rio

 

      «O projecto envolve ainda a construção de cinco cais, uma “fluvina” e uma rampa de acesso, e a reabilitação de toda a linha férrea entre a Brunheda e Mirandela — que foi alvo de vários roubos. Essa reabilitação já está concluída, com uma celeridade que foi permitida pelo facto de ter sido possível aproveitar os carris e as traves [sic] que estavam intactas na zona a inundar» («Plano turístico para o Tua em marcha», Luísa Pinto, Público, 21.08.2016, p. 25).

      Nunca antes se me deparara esta palavra. Nem sei exactamente do que se trata. Será um porto fluvial?

 

[Texto 7045]

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29
Ago 16
29
Ago 16

O deserto dos Carmelitas

Um deserto habitado

 

      «Os carmelitas usavam a palavra “deserto” para designar os lugares inóspitos e longe de qualquer povoação onde “os monges viviam como os Padres do Deserto, os eremitas do cristianismo primitivo”, escreve o mesmo académico [Paulo Varela Gomes] num artigo para um número da revista Monumentos dedicado à mata. O deserto destes carmelitas pressupunha a existência de um espaço delimitado por um muro, com um mosteiro preparado para a vida em comunidade e ermidas onde os religiosos se pudessem isolar. E é o que encontramos no Buçaco, mesmo que do coberto vegetal que os monges criaram já pouco reste e que o convento tenha sido demolido na sua quase totalidade — ficou a igreja, pouco mais — para se construir o Palace Hotel, entre 1888 e 1907» («Um deserto com portas e água por todo o lado. Buçaco», Lucinda Canelas, Público, 21.08.2016, p. 40).

 

[Texto 7044]

Helder Guégués às 06:00 | comentar | favorito
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28
Ago 16
28
Ago 16

Léxico: «florescência»

Também não

 

    «Trata-se de um desenvolvimento explosivo de microalgas ou cianobactérias (no caso
 do Rio ainda não há dados objetivos que nos permitam identificar os organismos) conhecido em termos científicos como florescência ou bloom e que resulta da conjugação de condições excelentes para estes desenvolvimentos: geralmente águas paradas, com luz e temperatura elevadas e muitos nutrientes» («Água verde nas piscinas do Rio e fogos em Portugal: ligação imprevisível?», Vítor Vasconcelos, Público, 21.08.2016, p. 63).

    Se nos dicionários de língua inglesa encontramos esta acepção de «bloom», nos de língua portuguesa não está esta acepção de «florescência».

 

[Texto 7043]

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27
Ago 16
27
Ago 16

Léxico: «pescódromo»

Nada de correr

 

      Em Lavos, na Figueira da Foz, numa antiga marinha fizeram um lago de pesca — o pescódromo. Há-de ser nome de influência brasileira, pois no Brasil o sufixo grego -dromo desligou-se claramente da sua significação original. É uma boa utilização dos salgados, os terrenos vizinhos do mar. Já sabem: trinta plataformas, para sessenta pescadores em simultâneo, e com douradas, robalos, tainhas, pargos, sarguetas, enguias, entre outras espécies à disposição.

 

[Texto 7042]

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26
Ago 16
26
Ago 16

Como se escreve nos jornais

Da incompetência

 

      «As provas dos problemas mentais de Wood também nunca foram apresentadas pela sua primeira advogada — apesar de ele inicialmente ter sido levado para um hospital psiquiátrico, onde um neuropsicólogo o considerou incompetente para ser julgado, não conseguia compreender o seu caso. Mas passados 15 dias foi mandado para a prisão e considerado apto para ser julgado» («Jeff Wood não puxou o gatilho mas tem execução marcada no Texas», Clara Barata, Público, 19.08.2016, p. 18).

    «Incompetente para ser julgado»? «Apto para ser julgado»? Os tribunais é que são competentes ou incompetentes para julgar. A aptidão é para outros domínios.

 

[Texto 7041]

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25
Ago 16
25
Ago 16

Canhão ou cana da Nazaré

4,1 na escala de Richter

 

      Na sexta-feira passada, estava em Cascais e senti o sismo com epicentro (aqui) a cerca de 80 quilómetros a oeste de Peniche, no canhão da Nazaré. Só não sabia era que se pode também dizer cana — canhão ou cana da Nazaré. Mas há mais: em certos dicionários não está registada a acepção; noutros, não se percebe que esse vale pode estar situado no mar. Mais espantoso, porém, e louvável, é que se não use o termo inglês correspondente, que eu nem vou lembrar.

 

[Texto 7040]

Helder Guégués às 07:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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24
Ago 16
24
Ago 16

Como se escreve por aí

A sério?

 

      Aqui uma infeliz julga que se escreve «Ortega & Gasset». Há-de ser uma jovem superformada de agora, habituada a ler listas bibliográficas infindáveis, em que se usa o e comercial (ampersand, para a legião de anglófonos que nos segue) para indicar dois autores de uma mesma obra, como, por exemplo, Masters & Johnson. Mas não: Ortega y Gasset, filósofo espanhol, era só um.

 

[Texto 7039]

Helder Guégués às 07:00 | comentar | ver comentários (4) | favorito
23
Ago 16
23
Ago 16

Chulipas (só a imagem, sem cheiro)

Chulipas (1).JPG

      Já aqui falámos de chulipas, as travessas dos caminhos-de-ferro, e da sua curiosa etimologia, o termo inglês sleeper. Neste caso, estão a ser usadas para fazer o pavimento do quintal de uma moradia que foi restaurada, em Cascais. Talvez o proprietário seja um ferroviário nostálgico. Com o cheiro a óleo queimado que delas emana...

Helder Guégués às 19:56 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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