30
Nov 16

«Concurso vazio»

Desertos e vazios

 

    «A existência de “problemas com as assinaturas digitais” nas propostas submetidas a 15 de Novembro pela EDP, Prio e Mobilectric, levou a Mobi.e a propor a exclusão de todas elas, para declarar o concurso vazio, explicou Alexandre Videira [presidente da Mobi.e]» («Mobi.e obrigada a repetir concurso para carregadores de veículos eléctricos», Ana Brito, Público, 30.11.2016, p. 19).

   Aqui vimos a expressão concurso deserto, conceito diferente. Isto trouxe-me à mente outra expressão, fruto (quando não furto) da mente esforçada dos nossos burocratas, que é «procedimento concursal».

 

[Texto 7292]

Helder Guégués às 09:43 | comentar | favorito

Novos elementos químicos (II)

Bem visto

 

      Já depois de publicar o texto anterior, mas ainda ontem, disseram-me que Paulo Correia, na Folha, o boletim da língua portuguesa nas instituições europeias, publicou um texto sobre a tradução dos nomes do novos elementos químicos, sugerindo — é mesmo o título do artigo — nipónio, moscóvio, tenesso e oganésson. Já o li e o que posso concluir é que as propostas foram muito ponderadas. Já veremos como serão fixados na nova edição do Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa.

 

[Texto 7291]

Helder Guégués às 09:01 | comentar | favorito
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30
Nov 16

Novos elementos químicos

Sétima fila

 

      Qual será a melhor grafia em português dos novos quatro elementos químicos acrescentados à tabela periódica, o 113, 115, 117 e 118? Em inglês, os nomes propostos para estes elementos superpesados, que já tiveram outros nomes provisórios, são nihonium (Nh), moscovium (Mc), tennessine (Ts) e oganesson (Og). Será «niónio», «moscóvio», «teneso» e «oganésson»? Aguardemos o parecer dos especialistas.

 

[Texto 7290]

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Helder Guégués às 00:19 | comentar | favorito
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29
Nov 16

Como se fala na rádio

Nota-se

 

     «Os alunos portugueses do 4.º estão melhores [sic] a Matemática, mas ligeiramente piores [sic] a Ciências. É esta a conclusão de um estudo [TIMMS] feito pela Associação Internacional para a Avaliação do Rendimento Escolar» (Mário Rui Cardoso, noticiário das 10h00, Antena 1, 29.11.2016). Mas que ciências?... Estudo do Meio? Puf!

 

[Texto 7289]

Helder Guégués às 22:38 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Como se traduz

Isto é caçanje

 

      Uma vil tristeza: no original, lia-se «but it had come to nothing». O tradutor podia optar por verter para «mas não deu em nada» ou «mas não vingou», ou mesmo, entre outras, «mas em vão», mas tinha de sair, era fatalíssimo, «mas sem sucesso». Triste.

 

[Texto 7288]

Helder Guégués às 11:07 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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29
Nov 16

Ortografia: «Caçanje»

Português mal falado

 

      «Caçanje (banto) – adjetivo. Português mal falado ou mal escrito. “Ele tem um português caçanje que ninguém entende.” Originalmente, é o nome de uma nação africana, do etnônimo kisanji, proveniente dos ovimbundos de Angola, que nunca aprendiam a falar o português corretamente. Abonação: “E foi precisamente o que se deu com o príncipe Natureza, o Mirabeau caçanje das conferências do Recreio.” (M. M. Filho – Conforme Renato Mendonça)» (A Influência Africana na Cultura Brasileira, Emmanuel J. Saraiva. São Luís, MA: Interativa, 2016, p. 37). Ora, habitualmente, o que se lê é Cassange ou Cassanje. Rebelo Gonçalves, no seu Vocabulário da Língua Portuguesa (p. 191), é com esta grafia — caçanje — que regista o adjectivo, o substantivo comum, o topónimo e o o etnónimo.

 

[Texto 7287]

Helder Guégués às 10:01 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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28
Nov 16

Como se escreve no Brasil

Jornalista, de certeza?

 

      Não falemos então de analfabetos. «Fidel, com a simbólica barba de guerrilheiro, era alto, carismático, loquaz e “vulcânico” — de acordo com um dos seus grandes amigos, o falecido cineasta cubano Alfredo Guevara —, enquanto Raúl, cinco anos mais novo, tem estatura mediana, calvo, de poucas palavras e é inimigo do improviso» («Fidel e Raúl Castro, irmãos diferentes e companheiros», IstoÉ, 26.11.2016).

      Calvo, Raúl Castro? De certeza? O jornalista, se isto saiu das mãos de um jornalista, quer à viva força que «calvo» seja antónimo de «barbado», não é?

 

[Texto 7286]

Helder Guégués às 22:55 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Búteo-de-harris»

Registe-se

 

      «À TSF, o autarca de Salvaterra de Magos, Hélder Esménio, destaca a relação entre a falcoaria e o município, que há cerca de dois anos se registou como Capital Nacional da Falcoaria» («Um enfermeiro falcoeiro e um búteo de Harris chamado Setembro», Isabel Meira, TSF, 28.11.2016).

   Nunca tinha pensado nisto, mas é claro que tinha de ser assim: tem de ser registado. (Como a TSF segue o Acordo Ortográfico de 1990, escrever-se-á búteo-de-harris, também conhecido por gavião-asa-de-telha. Búteo apresenta a variante bútio. É palavra que veio do árabe.)

 

[Texto 7285]

Helder Guégués às 22:02 | comentar | favorito
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Tradução: «fresh water»

Ler para crer

 

   Ainda recentemente alguém dizia não acreditar que um tradutor profissional traduzisse fresh water por «água fresca». A não ser que se trate de um incréu São Tomé, pode agora apontar que acabei, às 20h58 do dia 28 de Novembro de 2016, de ver isso mesmo. E isto num contexto claríssimo.

 

[Texto 7284]

Helder Guégués às 21:13 | comentar | favorito
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28
Nov 16

Rio Cuanza

Não é nostalgia, não

 

      «Os camaradas que vinham da patrulha das áreas da nascente do Cuanza, [sic] viram o avião a deitar fumo e a voar sem direcção» (Dino Matrosse na Mira da PIDE, Julião Mateus Paulo. Alfragide: Editorial Caminho, 2013, p. 117).

   Então, um angolano, ainda para mais com funções no Estado, escreve em pleno século XXI Cuanza, e na tradução de um livro inglês que aqui tenho o tradutor optou repetidamente por Kwanza? Imperdoável.

 

[Texto 7283]

Helder Guégués às 20:57 | comentar | ver comentários (1) | favorito