09
Mai 17

Pontuação

Entretanto, na Alemanha

 

    «Einige Kommata, deren Fehlen den Leser eher hätte irritieren können, wurden zusätzlich eingefügt.» Ah, estes sabem o que nos irrita. Já boa parte dos jornalistas acha que não vale a pena corrigir os desconchavos das pessoas que ouvem e entrevistam. Eu só não sei é como não se envergonham.

 

[Texto 7814]

Helder Guégués às 21:27 | comentar | favorito
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Léxico: «copra»

Mas que amêndoa?

 

      Estava aqui a comer coco da Costa do Marfim e lembrei-me de ir ver o que diz o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora sobre a palavra copra. Isto: «amêndoa de um coqueiro cultivado em várias regiões tropicais, que fornece um óleo, o óleo de copra, utilizado na indústria». É, pouco mais ou menos, o que dirão todos os dicionários de língua portuguesa, e ocorre-nos logo também o termo inglês, coconut. Já o dicionário da Real Academia Espanhola é assim que o define: «Médula del coco de la palma.» E num guia do Taiti em língua castelhana, leio isto: «Copra: la pulpa de la nuez del coco, de la que se obtiene el famoso aceite de coco.» Aonde quero chegar? Bem, não me parece que a definição seja clara. «Amêndoa de um coqueiro»...

 

[Texto 7813]

Helder Guégués às 21:18 | comentar | ver comentários (1) | favorito

Léxico: «dolorista»

Devem-nos esta

 

     «Entrevistado por Manuel Vilas Boas, o bispo de Leiria-Fátima garante que a mensagem de Fátima não é “dolorista” e que “o sacrifício, a compaixão, deve ser em prol dos outros”, e não uma penitência própria» («Ainda faz sentido cumprir promessas de joelhos em Fátima?», Nuno Domingues e Manuel Vilas Boas, TSF, 9.05.2017, 17h08).

     Isto era a propósito da «pista de penitência», vulgo joelhódromo, do Santuário de Fátima. Mas cada crente é livre de exprimir a sua fé como entender. Ao que parece, porém, e são dados aduzidos pelo bispo de Fátima-Leiria, apenas 1 % dos 500 mil visitantes anuais do santuário cumprem promessas desta forma. Dolorista, pois: como é que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não a regista, mas acolhe dolorismo («doutrina moral que faz a apologia da dor»)? Pontas soltas.

 

[Texto 7812]

Helder Guégués às 20:42 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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«Retratação/retractação»

Não está desligado

 

      «“Se viram o meu monólogo, sabem que eu estava um pouco chateado porque Donald Trump insultou um dos meus amigos. Por isso, retribuí com algumas hipóteses de insultos para o Presidente. E não me arrependo disso. Acho que ele sabe tomar conta dele [sic] — eu tenho piadas; ele tem os códigos das armas nucleares. É uma luta equilibrada. Mas, apesar de voltar a fazer o mesmo, desta vez mudaria algumas palavras que foram mais rudes do que era preciso”, disse o humorista [Stephen Colbert], no que parecia ser o início de uma retratação» («A boca de Donald Trump deixou Stephen Colbert em apuros», Alexandre Martins, Público, 8.05.2017, p. 18).

      É sempre erro, mas no Público é simplesmente imperdoável. Repito: im-per-do-á-vel. A meritória batalha contra o Acordo Ortográfico de 1990 que empreendeu também faz impender sobre o Público, a meu ver, a responsabilidade de usar melhor, usar correctamente, a ortografia que defende com tanto denodo e veemência.

 

[Texto 7811]

Helder Guégués às 10:40 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Léxico: «modafinil»

Viagra do cérebro

 

      «No entanto, a cafeína e o modafinil, estimulantes que promovem as insónias, inibem a hipersensibilidade à dor causada em ratos privados do sono, mas não tiveram efeito analgésico nos ratos que não viram as suas horas de descanso reduzidas» («Cafeína e dormir mais são melhores que analgésicos?», Rádio Renascença, 9.05.2017, 8h21).

    O modafinil é um nootrópico, isto é, uma substância usada para melhorar o desempenho cognitivo. O Dicionário de Termos Médicos da Porto Editora inclui-o: «Fármaco com propriedades estimulantes do sistema nervoso central (DCI).» Uma espécie de Viagra do cérebro, dizem. Mas atenção, ainda que tenha essas propriedades, não é regulado como estimulante cognitivo. Foi concebido como medicamento para a narcolepsia. Aliás, para ser mais rigoroso, não é considerado um estimulante, mas antes um eugeróico ou eugregórico — palavras que a Infopédia ignora —, ou seja, um composto que melhora especificamente o estado de vigília.

 

[Texto 7810]

Helder Guégués às 10:20 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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09
Mai 17

«Escopo/escopro»

Nem de longe

 

      «O artista de rua britânico Banksy desenhou em Dover, no Reino Unido, um mural com uma representação da bandeira da União Europeia (UE) e que remete para a decisão do Reino Unido de sair da organização comunitária. O mural apresenta um operário a bater, com um martelo e um escopo, numa das estrelas representadas na bandeira, provocando uma fissura simbólica na União Europeia» («Banksy com nova obra em Dover inspirada no processo do ‘Brexit’», Destak, 9.05.2017, p. 11).

     Pois, todos erramos — mas uns mais, outros menos. Um melhor conhecimento da língua, em que se incluem, obviamente, as variantes, evitaria este erro. Escopo e escopro não têm nenhuma relação, afinidade ou origem comum, nada. E, já agora, devo dizer que na pintura de Bansky me parece estar representado um ponteiro e não um escopro.

 

[Texto 7809]

Helder Guégués às 09:27 | comentar | ver comentários (9) | favorito
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