30
Mai 17

Como se escreve por aí

Uma pouca-vergonha

 

      A minha filha, com 10 anos!, veio mostrar-me esta frase de um livro que começou a ler esta tarde: «— Muito bem, Marta troca com o Ivo. Vamos lá Lobos que temos de terminar esta jangada rapidamente! — incentiva Miguel» (Os Lobos na Descida do Rio, José Carlos Completo e Mónica Cortesão Gonçalves. Lisboa: Grafitexto, 2014, p. 20).

      Então uma criança de 10 anos sabe ver que está errado e os autores não sabem nem viram nada? Folheei o livro rapidamente, para não ficar doente, e posso dizer que, só em vírgulas absolutamente obrigatórias como esta, a isolar o vocativo, faltam centenas. Como estará o resto? Pergunto, mas não quero saber. É claro que já a aconselhei a não ler o livro.

 

[Texto 7885]

Helder Guégués às 22:20 | comentar | ver comentários (1) | favorito

Léxico: «metilisotiazolinona»

Muitos nomes

 

      «De acordo com uma nota da autoridade do medicamento [Infarmed], “os produtos cosméticos não enxaguados da marca Biocode contêm na lista de ingredientes o conservante ‘methylisothiazolinone’, cuja utilização é proibida desde 12 de Fevereiro de 2017”, pelo que é ordenada a sua suspensão imediata da comercialização e a retirada do mercado» («Retirados do mercado cosméticos da Biocode por terem conservante proibido», Rádio Renascença, 30.05.2017, 7h06).

   É um conservante de acção biocida. Não sei se deve estar dicionarizado. Talvez. Seja como for, em português é metilisotiazolinona. O problema destes conservantes é que têm trinta ou quarenta nomes diferentes, e os consumidores desistem de indagar. A designação methylisothiazolinone já é suficiente para nos repelir, mas que dizer quando aparece com o nome 2-metal-4-isothiazolin-3-one?

 

[Texto 7884]

Helder Guégués às 09:58 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «chico-espertice»

Já que há tanta

 

      «A estratégia é magnífica: o Estado pergunta ao Estado se pode concorrer a apoios estatais, e o Estado permite ao Estado engordar um pouco mais. É uma chico-espertice que dura há décadas, e que subverte totalmente o espírito dos fundos comunitários» («O assalto do Estado aos fundos europeus», João Miguel Tavares, Público, 30.05.2017, p. 48).

    No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, apenas encontramos chico-esperto e chico-espertismo. Ora, chico-espertice está bem formada e é usada todos os dias — além de que faz parte do ADN nacional.

 

[Texto 7883]

Helder Guégués às 09:20 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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30
Mai 17

Léxico: «tardo-oitocentista»

Que não tarde

 

      «“Trata-se de um imóvel [edifício do dispensário de Alcântara] tardo-oitocentista (finais do séc. XIX), de ‘gosto romântico’, que associa às novas tecnologias de construção em ferro e vidro uma fisionomia simplificada, que remete para tempos passados, como se pode observar pelo recurso ao tradicional soco em pedra ou pelo tratamento das guarnições dos vãos exteriores”, acrescenta a autarquia» («Dispensário de Alcântara vai ser classificado», Público, 30.05.2017, p. 15). Isso mesmo, mas no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora apenas encontramos tardo-gótico e tardo-medieval.

 

[Texto 7882]

Helder Guégués às 09:15 | comentar | favorito
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