21
Jun 17

Como escrevem os jornalistas

E a vida continua

 

     «Com pouco espaço para explanar a linha de monocarril pela densa malha urbana da cidade, a solução encontrada foi fazer passar o comboio por um conjunto de edifícios. Com efeito, a Linha 2 do Chongqing Rail Transit (CRT) atravessa o sexto piso de um bloco de apartamentos em Liziba» («E se o metro lhe entrasse pela casa dentro?», Motor 24, 21.06.2017).

     O jornalista — ou quem escreveu isto — sabe vagamente que há assim um verbo — mas qual? Errou logo na segunda letra: não é explanar, que significa tornar claro, explicar em pormenor, mas espraiar, isto é, alargar, estender. Mas que interessa, não é?, os leitores estão tão entretidos com o Facebook, que nem dão pelo erro.

 

[Texto 7937]

Helder Guégués às 22:38 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Como falam os jornalistas

Nas suas sete quintas

 

      Na cobertura dos vários incêndios que estão a devastar o País, os jornalistas já apanharam outro tique: agora falam muito — mas ainda não o vi escrito — do «carrossel» de «meios aéreos». Parece que, entretanto, e em compensação, se esqueceram um pouco das «ignições». E ontem alguns jornalistas presentes no anunciado «briefing» (também se pelam por usar esta) suspeitaram que os responsáveis da Protecção Civil não estivessem muito «confortáveis» para anunciar a queda (a «caída», dizia uma jornalista) de uma aeronave. O que é natural, diga-se, porque afinal não caiu nenhuma.

 

[Texto 7936]

Helder Guégués às 22:23 | comentar | favorito
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Tradução: «condition»

Sem condições

 

      «O Palácio de Buckingham confirmou a hospitalização do Príncipe Philip, marido da Rainha de Inglaterra. O internamento é considerado uma medida de precaução devido a “uma condição já existente”» («Príncipe Philip de Inglaterra internado no hospital», Rádio Renascença, 21.06.2017, 10h53).

    Mas que «condição», valha-me Deus? Isso é que na Rádio Renascença conhecem bem a língua portuguesa! Não sabem nem querem aprender. Entretanto, no Twitter da Sky News, um engraçadinho escreveu: «Update; ISIS have taken responsibility for his infection.» Espero que os jornalistas portugueses não vejam isto, ou lá o vão levar à letra.

 

[Texto 7935]

Helder Guégués às 12:23 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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O AO90 em todo o mundo

E eles querem?

 

      «Assinale-se, para concluir, o facto de termos iniciado a legendagem do Cuidado com a Língua [sic] em português, nas transmissões da RTP Internacional e África. Dessa forma facilita-se o processo de compreensão da nossa grafia em todo o mundo, exatamente o que pretendemos todos os dias» («O Cuidado com a Língua da RTP», Daniel Deusdado, Público, 21.06.2017, p. 45).

      Quem é que pretende que a nossa grafia seja compreendida em todo o mundo? Angola ou Moçambique, por exemplo, que, muito mais prudentes do que Portugal, ainda não decidiram se vão ratificar o Acordo Ortográfico de 1990? «Em conclusão: a nossa missão de serviço público tem e terá sempre cuidados com a língua», remata o director de Programas da RTP. Faz de conta que é assim.

 

[Texto 7934]

Helder Guégués às 11:20 | comentar | favorito
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Léxico: «cristofobia»

Outro esquecimento

 

   Até nos dicionários a moda manda soberanamente. O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora — ah, sim, ainda não me esqueci de que existe —, se regista islamofobia, e muito bem, não regista cristofobia, a aversão ao Cristianismo ou aos cristãos, e convinha, não é?, afinal, como o próprio Papa Francisco afirmou recentemente, hoje há mais mártires do que no tempo dos primeiros cristãos.

 

[Texto 7933]

Helder Guégués às 07:10 | comentar | ver comentários (2) | favorito
21
Jun 17

Ah, o verbo «haver»...

Gramática a arder

 

      Hoje começa o Verão, e as coisas ainda aquecem mais. O episódio de ontem do Mata-Bicho, com Bruno Nogueira, era sobre os incêndios. «Se deixarem andar aos tiros por todas as florestas, portanto está resolvido o problema dos fogos, ainda que deixem de haver animais.» Olá, João Quadros: talvez fosse boa ideia contratar os serviços de um revisor, não? É que, assim, está a vender mercadoria avariada. Entretanto, aprenda: o verbo haver é impessoal quando exprime existência e vem acompanhado dos auxiliares ir, dever, poder, etc.

 

[Texto 7932]

Helder Guégués às 06:48 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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