23
Jun 17

Como falam os políticos (alguns)

Ciganos, jesuítas...

 

      O subprefeito Maugiron, que fora falar com Julien Sorel a casa do padre Chélan, ficou surpreendido por encontrar alguém mais jesuíta do que ele, e tentou em vão arrancar-lhe algo de mais preciso. Na era do politicamente correcto, já não podemos falar assim. Ou podemos? O eurodeputado socialista Manuel dos Santos, que chamou cigana a uma colega, acha que sim: «Afinal há mesmo racismo em Portugal: chamar a alguém “cigano(a)” é considerado um insulto e serve para construir narrativas.» A uma correligionária... Para ficar no mesmo nível, cabe-nos perguntar se não tem já idade para ir tratar das galinhas (a narrativa do idadismo).

 

[Texto 7942]

Helder Guégués às 20:55 | comentar | ver comentários (7) | favorito
Etiquetas:
23
Jun 17

Léxico: «britango»

Origem obscura...

 

      «Quer observar o britango e a águia perdigueira? Pode fazê-lo nas Arribas do Douro» (Olímpia Mairos, Rádio Renascença, 22.06.2017, 16h53). Vamos antes observá-los no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. A última, águia-perdigueira, não a regista. Ao britango (Neophron percnopterus), descreve-o assim: «ave de rapina da família dos Accipitrídeos, tem plumagem branca, com a extremidade das asas negras, cauda longa e cuneiforme e face amarela; abutre-do-egipto». A etimologia, garante-nos este dicionário, é de origem obscura. Não é: está muito bem estabelecido que o étimo é árabe. Aliás, outro nome por que é conhecida esta ave, abanto, também é de origem árabe, e, nesta acepção, aquele dicionário nem sequer a regista. E não é branco, branco, mas branco-sujo, e devia dizer-se que é o abutre mais pequeno da Europa. É a ave que figura no logótipo do Parque Natural do Douro Internacional.

 

[Texto 7941]

Helder Guégués às 11:26 | comentar | ver comentários (2) | favorito