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Jul 17

Tradução: «dress code»

Só na cabeça deles

 

    «“Não andamos na rega”. ANTRAL defende “dress code” para taxistas» (Rádio Renascença, 1.07.2017, 21h32).

    O pobre jornalista não conseguiu extrair dos neurónios nada mais português. Como é que se pode julgar que dress code é mais adequado do que «código de vestuário», numa tradução directa, ou «maneira de vestir», por exemplo? Não percebo. Quanto aos taxistas e aos dirigentes associativos dos taxistas, é muito curioso, e certamente por acaso, que se preocupem agora com estas questões. Vê-se logo que são pioneiros. Agora vão passar a andar de fato e gravata — mas, e as maneiras?

 

[Texto 7966]

Helder Guégués às 23:31 | comentar | favorito
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01
Jul 17

Léxico: «ranavírus»

Caixa de reclamações

 

      «Um biólogo português está nos Estados Unidos a trabalhar na descoberta da cura da doença que está a dizimar os sapos parteiros na Serra da Estrela. O problema chama-se ranavírus» («Gonçalo quer salvar os sapos parteiros da Serra da Estrela», Rádio Renascença, 30.06.2017, 16h09).

      Em mais uma daquelas pontas soltas, em toda a Infopédia, sapo-parteiro só aparece no Dicionário de Português-Espanhol. Tal como não regista ranavírus. São já largas centenas os reparos, acrescentos e correcções que faço a este dicionário — sem compromisso nem obrigação, pois só seguem o que eu digo se quiserem, mas creio que todos ficamos a perder se o não fizerem.

      Há, contudo, quem veja as coisas de outra forma. Acabo de receber uma mensagem de correio electrónico de um tradutor, conhecido, sim, mas que desta vez vai ficar na sombra, que escreve, entre outros desabafos, que lhe custa (coitado!) dizer-me isto, «mas é preciso ser uma pessoa mal formada para dedicar os seus ócios, que parece ter em abundância, a usar um blogue, ou blog, ou lá como vem, se vem, registado no pobre dicionário da Porto Editora que parece ser a sua Bíblia [sic], a denegrir o trabalho alheio». Não é o primeiro que me inveja o tempo que despendo a fazer o que me apetece, e mesmo assim só se importam quando lhes toca pessoalmente, quando me ocupo daquilo que escrevem. Já ele, «se tivesse tempo e paciência», o que obviamente não acontece, rebateria «quase todas» as minhas afirmações, até porque — oh, esta revelação destroçou-me! — até os meus escritos podem ser melhorados. E também me deu um alvitre meio enigmático: «Já agora, talvez revertesse a seu favor pedir alguma contenção ao senhor Qualquer Coisa Costa que parece ser o seu lambe botas [sic] de serviço.» Isto não é comigo, mas parece que o outro o conhece bem. Se fosse antigamente, em menos de 24 horas receberia a visita dos meus padrinhos de duelo, pois teria de retirar tudo o que disse. Mas assim, nestes tempos, puf... Não me queixo mais de incompreensões, ou exageros, ou imprecisões — mas atenção: não volte a dizer que eu resolvi dissecar-lhe as traduções, quando me referi a dois ou três casos mais do que pacíficos e em tom cordato. Sem megalomanias nem peneiras — se eu lhe dissecasse uma tradução, não ficava apenas furioso e a odiar-me, ficava a chorar durante muitos dias, e eu, como é óbvio, não quero isso, só pretendo que tenha, que todos tenham, mais cuidado. Não precisam de me agradecer, mas não se armem em parvos ou em vítimas. Entendido?

 

[Texto 7965]

Helder Guégués às 17:57 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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