02
Jul 17

Tradução: «sous-bois»

Para o currículo

 

      Não cabe tudo nos dicionários? Cabe, nos digitais cabe e não custa nada. Para o Dicionário de Francês-Português da Porto Editora, sous-bois é «(matas) vegetação rasteira». Ora, isto é mais a definição do que a tradução do termo francês, e num dicionário bilingue procuramos menos a definição do que a correspondência noutra língua. Acontece que temos, e são por vezes usados, os termos sub-bosque e, a cheirar menos a cópia, soto-bosque. (Que eu, oh sacrilégio, não encontro na minha bíblia. A minha bíblia... Assim se vê como treslêem. Caem no blogue de pára-quedas porque descobrem aqui o seu nome e, em vez de tentarem aprender alguma coisa, abespinham-se.) Como no caso anterior, basta acrescentar, até porque em certos contextos poderá ser «vegetação rasteira» a forma mais adequada. As três, então: vegetação rasteira; sub-bosque; soto-bosque.

 

[Texto 7970]

Helder Guégués às 17:31 | comentar | ver comentários (2) | favorito

Tradução: «bas-fond»

É só acrescentar

 

      Muitas vezes, a tradução para bas-fond que vejo por aí é submundo, e não me parece nada mal. (Sim, é verdade, quantas vezes não a vejo por traduzir...) O Dicionário de Francês-Português da Porto Editora, porém, não a propõe entre as possíveis traduções: «ralé, escória, as camadas mais baixas da sociedade». E, contudo, a primeira acepção de submundo do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora é «grupo social constituído por pessoas cujas actividades são consideradas ilícitas ou marginais (crime, jogo, narcotráfico, etc.)».

 

[Texto 7969]

Helder Guégués às 17:16 | comentar | favorito

O que vale o currículo

Só se aplica aos demais

 

      Estes até em artigo de morte pedem o currículo à Velha Ceifeira. Olha se nas editoras lhes fizessem o mesmo a eles, mas com amostras de trabalhos, hã?, que grande perda para a língua. A pessoa — cujo apelido não é Costa — que simpaticamente me ofereceu o livro disse-me que pensara oferecê-lo a uma biblioteca pública, depois de desistir, o que é humano, de o ler até ao fim, «mas parece-me perigoso divulgar isto. Pensei na lareira, por politicamente incorrecto que isto pareça, mas o verniz das capas não convidava ao gesto».

 

[Texto 7968]

Helder Guégués às 12:26 | comentar | favorito
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02
Jul 17

Como se escreve por aí

Estava eu a dizer

 

      Perante críticas, mesmo desrazoáveis, retundo sempre os naturais ímpetos belicosos. Um dos argumentos, e logo à cabeça, do tradutor da missiva de ontem é o de que me falta currículo para o criticar. Pudera. Não chega a ser um argumento — é pura pesporrência dele, que julga que está a falar com a criada. É preciso currículo para lhe criticar «um desajeitado e retundo jovem»? Sei de leitores que desistiram, com asco e revolta, quando chegaram ao «voçês». Isto para não falar de palavras inventadas e frases sem sentido. Como raio se pode ter orgulho num trabalho assim? Posso aprofundar ao mais ínfimo pormenor, se respingar. Currículo...

 

[Texto 7967]

Helder Guégués às 11:08 | comentar | favorito
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