05
Jul 17

Tradução: «tunic»

Ainda pior

 

      O marido da «coqueta» vai agora a caminho da festa, vestido com o «dólman do partido». No original está tunic, que não se traduz, evidentemente, por «dólman». Decerto, os membros do Partido Comunista usavam uma espécie de uniforme, um casaco ou túnica, comprida e de tecido grosso, cingida com um cinto. Como muitos haviam combatido na Grande Guerra, tinham de conservar algum atavio vagamente militar, não é?, ou iam parecer simples mujiques. O dólman é diferente: é um casaco curto usado pelos oficiais do exército. Má opção — leva, por isso, um ✖.

 

[Texto 7981] 

Helder Guégués às 21:26 | comentar | favorito
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Tradução: «flirtatious»

Má opção

 

      Na festa também estava a flirtatious wife do primeiro-ministro, que o tradutor verteu por «coqueta». Parece-me, em qualquer caso, mal traduzido. Não estamos perante um caso, entre tantos, como avalanche/avalancha — tanto quanto tenho visto, esta variante nem sequer é usada neste lado do Atlântico. Não apenas isso: não me parece que a flirtatious corresponda ao galicismo «coquete».

 

[Texto 7980]

Helder Guégués às 20:57 | comentar | ver comentários (5) | favorito
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Tradução: «nasone»

Fontes e frades

 

      «O calor do Verão trouxe a seca à capital italiana, e a autarquia decidiu tomar medidas drásticas: encerrar os tradicionais “nasoni” (“grandes narizes” em português), as fontes que forneciam água gratuita a moradores e turistas em toda a cidade. O plano, que está a ser colocado em prática desde segunda-feira, é encerrar 30 fontes por dia até restarem apenas 85 das 2800 fontes activas. É a primeira vez que a água dos “nasoni” é cortada, desde que foram instalados, em 1874» («Vai a Roma no Verão? Esqueça a água gratuita em cada esquina», Rádio Renascença, 5.07.2017, 19h27).

      Nasone é narigão, e não era excessivo pedir que o Dicionário de Italiano-Português da Porto Editora registasse a acepção, pois acolhe o vocábulo. Curiosamente, nem sequer os principais dicionários de língua italiana a registam. Sim, talvez lembre um nariz. A mim fez-me lembrar não apenas fontanários semelhantes que temos, mas também os frades ou fradépios, os nossos marcos de pedra.

 

[Texto 7979]

Helder Guégués às 20:31 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «painho-de-monteiro»

O nome científico, SFFV 

 

      «Esta descoberta, que o coordenador classificou como “novidade positiva”, foi feita no âmbito dos trabalhos de monitorização da mais pequena ave marinha dos Açores e endémica do arquipélago, o paínho-de-monteiro, monitorização feita em parceria com a Direcção Regional dos Assuntos do Mar e o Fundo Regional para a Ciência e a Tecnologia» («Açores tem nova colónia de ave marinha rara na Europa», Rádio Renascença, 5.07.2017, 1h49).

      Sim, mas a grafia correcta é painho-de-monteiro (Oceanodroma monteiroi), que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não regista, embora acolha painho, «ORNITOLOGIA ave palmípede da família dos Procelariídeos, que aparece nas costas marítimas em tempo borrascoso, também conhecida por alma-de-mestre, calca-mares, paim, etc.» Se não incluem o nome científico, como podemos saber a que ave se referem concretamente?

 

[Texto 7978]

Helder Guégués às 09:56 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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05
Jul 17

Léxico: «alma-negra»

Também nos Açores

 

      «A Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) anunciou a existência de uma nova colónia nos Açores da ave marinha alma-negra, espécie rara na Europa. “Durante o trabalho de campo realizado em Junho pelos técnicos da SPEA no ilhéu de Baixo, junto à costa da ilha Graciosa, foi confirmada a nidificação de alma-negra (‘Bulweria bulwerii’) naquela que é a colónia mais setentrional desta espécie”, refere uma nota de imprensa da associação ambientalista» («Açores tem nova colónia de ave marinha rara na Europa», Rádio Renascença, 5.07.2017, 1h49).

      Ah, nos Açores... mas no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora: «ORNITOLOGIA ave marinha, da família dos Procelariídeos, de plumagem escura, com asas longas e cauda comprida e pontiaguda, que nidifica nas ilhas do arquipélago da Madeira». É a oportunidade para acrescentarem também o nome científico.

 

[Texto 7977]

Helder Guégués às 09:43 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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