08
Jul 17

Léxico: «verde-paris»

E não é semelhante?

 

      «O verde-esmeralda que Vincent van Gogh usou para pintar o seu Auto-Retrato Dedicado a Gauguin, em 1888, podia na verdade tê-lo envenenado. O problema não era propriamente a cor, mas a substância de que ela era feita: o acetoarsenito de cobre é altamente tóxico. Usado para fins tão diferentes como exterminar ratos nos esgotos parisienses — por isso a cor também é conhecida como verde Paris — e, mais tarde, como repelente de insectos, o pigmento era muito apreciado pelos pintores impressionistas e pós-impressionistas» («Este quadro é tóxico?», Lucília Galha, Sábado, 6.07.2017, p. 78).

      Lucília Galha, se se escreve azul-da-prússia, não acha que também se deve escrever verde-paris? Por acaso, também na substância de que é feito o azul-da-prússia há um elemento tóxico: cianeto. O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora desconhece tanto o vocábulo verde-paris como acetoarsenito (C4H6As6Cu4O16).

 

[Texto 7992]

Helder Guégués às 21:36 | comentar | ver comentários (11) | favorito

Léxico: «jurispsicológico»

Não percebo

 

      «Quase um ano depois, um parecer “jurispsicológico” entregue pela sua defesa no julgamento afirma que tal confissão foi “condicionada” pelo próprio juiz e por uma colega da PJ» («Como pode a PJ controlar um inspetor cercado por dívidas sem o discriminar?», Carlos Rodrigues Lima, Diário de Notícias, 8.07.2017, 38).

      Nunca hei-de perceber — desisti há muito — a necessidade ou lógica destas aspas usadas pelos jornalistas. Se vislumbro algum sentido na segunda palavra entre aspas, na primeira nem vestígios. Deve ter-se assustado com a palavra — jurispsicológico —, mas foi justamente a sua diminuta frequência de uso que me sugeriu este texto.

 

[Texto 7991]

Helder Guégués às 21:07 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «pendão»

Isso é agora

 

      «Pela cidade de Miranda do Douro desfilam, este sábado, cerca de 60 pendões, peças únicas provenientes das aldeias mirandesas e das regiões espanholas de León, Aliste e Sayago. […] Os pendões são estandartes ou bandeiras de grandes dimensões, usados em cerimónias civis, religiosas e militares.

      No passado, eram ostentados em praticamente todo o reino de Leão, do qual esta região fez parte. Terão a sua origem nos pendões militares medievais que guiaram a reconquista cristã da Península Ibérica. Quando perderam a função bélica, a Igreja incorporou-os nos seus rituais religiosos, o que lhes permitiu chegar aos nossos dias» («Pendões medievais únicos desfilam em Miranda do Douro», Olímpia Mairos, Rádio Renascença, 8.07.2017, 12h18).

      O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora decidiu abreviar a História: «espécie de bandeira grande ou estandarte que é levado em algumas procissões; pavilhão».

 

[Texto 7990]

Helder Guégués às 18:41 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Indicação das horas

Mil e uma maneiras de errar

 

      A minha filha acabou ontem de ler O Diário de Aurora, Um Verão em Casa da Minha Avó, de India Desjardins (tradução de Rita Barroso, Lisboa: Oficina do Livro, 2013). Nunca saberei se é interessante ou se está bem ou mal traduzido, mas posso dizer uma coisa: em quase 100 % das dezenas de ocorrências, a indicação das horas está errada. Não é, para referir logo a primeira, na página 12, 15h32, mas 15h32. Não é que jamais pudesse servir de desculpa, mas comprovei que no original está correcto. Portanto, foi infausta invencionice da revisão.

     A minha filha esbarrou, no primeiro parágrafo, numa palavra que não conhecia e não está nos dicionários: chocoólico. (No original: «Bonjour, je m’appelle Aurélie Laflamme, j’ai quatorze ans, bientôt quinze, et je suis une chocoholique.»)

 

[Texto 7989]

Helder Guégués às 10:38 | comentar | ver comentários (5) | favorito
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08
Jul 17

«Bucket list»

Insistem

 

      «Estudo, a que o Destak teve acesso, tem como base uma amostra de mil inquiridos em cada um dos 12 países europeus participantes, com o objetivo de “inspirar os portugueses a procurar concretizar os sonhos da sua ‘bucket list’ [lista de coisas a fazer antes de morrer]”» («O sonho de dar a volta ao planeta», Destak, 7.07.2017, p. 11).

      Por qualquer motivo, insistem em usar palavras e expressões em inglês. Em primeiro lugar, nesta lista do que fazer antes de esticar o pernil, para os Portugueses, está dar a volta ao mundo (53 %). Nela não encontramos, curiosamente, importar um «filho» da América, mas está, por exemplo, formar família (41,2 %).

 

[Texto 7988]

Helder Guégués às 10:04 | comentar | favorito
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