09
Jul 17

Éguas, cavalinhos e PSP

Amnésia ou ignorância?

 

      Conseguimos, como se lembrarão, levar cavalinho — na acepção de levantar a roda da frente de veículos de duas rodas — para o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. Entretanto, comentou-se aqui que se dava o nome de égua quando era a roda de trás que se levantava, e já comprovei que assim é. Contudo, também esta acepção não está nos dicionários. Hoje li no Motor 24 um artigo em que se ensina a fazer cavalinhos: «“Easy Wheelies” – Ou como “sacar cavalinhos” facilmente (Parte 1)». Um pormenor quase despiciendo: o Código da Estrada, no artigo 90.º, proíbe «levantar a roda da frente ou de trás no arranque ou em circulação». Ora, tanto quanto sei, andar de moto e sacar cavalinhos é na rua e não em propriedade privada, onde a polícia não poderia meter o bedelho, que habitualmente se fazem. Temos de interjeccionar inglesmente: ups!

 

[Texto 7996]

Helder Guégués às 22:23 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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A senhora capitã

É insistir

 

      «Ao DN, a capitã Megan Couto ­– cujos avós eram de São Miguel, nos Açores ­– disse que a sua função, enquanto segunda figura hierárquica do seu regimento, é a de assegurar o comando “apenas caso o major fique doente ou não tenha possibilidade de liderar [sic] a companhia”» («Primeira mulher a comandar a guarda da rainha Isabel II é neta de açorianos», Emanuel Nunes, Diário de Notícias, 2.07.2017, p. 41).

      Vão lá para o Colégio Militar, por exemplo, falar assim. Mas está bem, pouco a pouco entrará nos hábitos, tal como árbitra, que vimos recentemente.

 

[Texto 7995]

Helder Guégués às 14:19 | comentar | favorito
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Léxico: «metrosídero/árvore-de-fogo»

Pobreza extrema

 

      «Abriram os metrosíderos, abriram em todo o seu esplendor, e agora já se pode dizer que começou o Verão. […] Já lhes chamámos árvores de fogo, mas os léxicos andam a encolher» («Homens de barba rija apanhavam os refrães ao longe e punham-se a cantar», Joel Neto, Diário de Notícias, 2.07.2017, p. 49).

      Ah, também já reparou... Se Joel Neto consultasse o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, ia ver que este dicionário não regista nem metrosídero nem árvore-de-fogo, ambos nomes comuns do Metrosiderus robusta, Cun., que encontramos em várias obras literárias.

 

[Texto 7994]

Helder Guégués às 14:12 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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09
Jul 17

Uma cãibra brasileira

Não precisava

 

      «Quem não falhou foi Calmejane, que não olhou mais para trás quando decidiu arrancar e afastar-se dos seus companheiros de escapada na subida de 11,7km [sic] de La Combe de Laisia. Isto apesar de, a cinco quilómetros da meta, ter estado muito perto de colocar o pé no chão por causa de uma câimbra na sua coxa direita» («Nem uma câimbra impediu Lilian Calmejane de vencer a etapa», Jorge Miguel Matias, Público, 9.07.2017, p. 27).

      A variante câimbra, Jorge Miguel Matias, usa-se apenas no Brasil, como já vimos aqui. Se temos cãibra e cambra, não é necessário recorrer a uma brasileira.

 

[Texto 7993]

Helder Guégués às 12:18 | comentar | ver comentários (1) | favorito