06
Set 17

Raças superiores

Agora é assim?

 

      «Eu sou Moritz, o Grand Danois por si comprado, no início da guerra, a um agricultor da Flandres» (Amados Cães, José Jorge Letria. Revisão de Henrique Tavares e Castro. Cruz Quebrada: Oficina do Livro, 3.ª ed., 2008, p. 75). Neste caso, a maioria dos leitores não estranhará muito, ou encolherá os ombros, já que nem sequer é português. Mas aqui? «Quem conheceu Byron pôde testemunhar a imensa dor causada pela morte do seu cão Terra Nova, amigo de todas as horas, confidente de todos os instantes» (Idem, ibidem, p. 60). Ou aqui? «A questão da posse desse Perdigueiro nunca ficou resolvida entre mim e o meu pai» (Idem, ibidem, p. 223). E por aí fora: Pastor Alemão, Caniche, Galgo Afegão, etc. Pouco faltou para glorificarem a própria merda de cão: Cocó de Cão.

 

[Texto 8132]

Helder Guégués às 10:20 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Como se traduz nos jornais

Não disse nada

 

      «O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres», assegura o Observador, que ilustra a notícia com uma fotografia de Guterres que não parece Guterres (mas Madonna, a queixar-se da FedEx no Instagram, também não parece Madonna — mas uma cabeleireira desmazelada dos subúrbios), «disse esta terça-feira que as consequeências [sic] de uma guerra com a Coreia do Norte seriam “demasiado espantosas”» («Guterres diz que as consequências de uma guerra com a Coreia do Norte seriam “demasiado espantosas”», 5.09.2017, 21h49). O que o secretário-geral das Nações Unidas disse foi que «the potential consequences of military action are too horrific». Agora traduz-se horrific por «espantoso»? Espantoso! Horrível, digo.

 

[Texto 8131]

Helder Guégués às 09:31 | comentar | favorito
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Léxico: «pluripotente»

Por acaso, não

 

     «As chamadas células pluripotentes induzidas são produzidas em laboratório, através da remoção de células maduras de um indivíduo – muitas vezes da pele – e reprogramadas para se comportarem como células estaminais embrionárias» («Parkinson. Cientistas conseguiram reparar neurónios através de células estaminais», Rádio Renascença, 31.08.2017, 7h58).

      «Queria pesquisar lucipotente?», pergunta o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. Não, não queria.

 

[Texto 8130]

Helder Guégués às 08:16 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Como falam os polícias

Talvez na mesma galáxia

 

      Paulo Rodrigues, da Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP), a propósito do não descongelamento da carreira dos polícias: «Esperemos que não tênhamos de desenvolver nenhuma acção de protesto.»

 

[Texto 8129]

Helder Guégués às 08:11 | comentar | favorito
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Como falam os políticos

Noutra galáxia

 

      Cavaco Silva, na «Universidade» de Verão da JSD: «Ele [Emmanuel Macron] afirmou testualmente: “Contrariamente a outros políticos, não farei dos jornalistas os meus confessores”.»

 

[Texto 8128]

Helder Guégués às 08:08 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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06
Set 17

Léxico: «anonimidade»

Apologia da pobreza

 

      «Um acidente em cadeia resultou em dois mortos e seis feridos, e o Mid Night Club, que tinha uma política de total segurança, foi desfeito, com os membros a regressarem à anonimidade» («Para entrar neste clube japonês secreto, era preciso andar a 250 km/h», Motor 24, 30.08.2017). Pergunta-me o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora: «Queria pesquisar atonicidade, canonicidade, unanimidade?» Sim, é mais usada no Brasil, mas, que diacho, também é nossa!

 

[Texto 8127]

Helder Guégués às 08:04 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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