07
Set 17

Ele também sabia

Weglassens

 

   Escreve o homem do bigode: «Ich spreche einfacher, unmittelbarer – aber dies macht mir weit mehr Mühe der Vorbereitung, wobei ich Gelegenheit habe, die Kunst des Weglassens zu üben.» Refere-se aos seus seminários «O que significa pensar?», nos quais exercitou a arte da omissão, de cortar.

 

[Texto 8138]

Helder Guégués às 20:15 | comentar | favorito
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A guerra e a língua

De África

 

      Ah, agora é só linguagem castrense e bélica: abatises, quadrículas, flagelações, vagomestres, quarteleiros, cavalos-de-frisa, golpes-de-mão, RPG, LG, remuniciamento, etc. E, como é em África, catua, cambança, bolanha, mancarra, coconote, banja, bagabaga, morança... Mas não só: ali mais à frente, um grupo de soldados está encarregado da destronca de algumas árvores. E no quartel apareceu uma família de indígenas que nomadizava havia meses. Galicismos à parte, nem todas estão nos dicionários. Olha aquele magnífico «destronca». Bela língua!

 

[Texto 8137]

Helder Guégués às 20:10 | comentar | favorito
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Como se pontua por aí

Mal, pois claro

 

    E agora dois exemplos singelos de pontuação errada: «Diamond compreendeu, nesse instante, que, em circunstância alguma, deveria regressar a esse tema, pois correria o risco de ser tratado por Newton abaixo de Leibniz, o que, na hierarquia de valores do seu ilustre dono ainda seria pior que “abaixo de cão”» (Amados Cães, José Jorge Letria. Revisão de Henrique Tavares e Castro. Cruz Quebrada: Oficina do Livro, 3.ª ed., 2008, p. 52). «Companheira inseparável de Marilyn, Maf partilhava os seus segredos, incluindo aqueles que envolviam os dois poderosos irmãos Kennedy, a saber John e Robert, cujo trágico fim muito a comoveram» (Idem, ibidem, p. 192). Há, como sabemos, em muitíssimos casos, diversas formas de pontuar correctamente. Diversas, não arbitrárias.

 

[Texto 8136]

Helder Guégués às 11:09 | comentar | favorito
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Léxico: «javista», de novo

Se ainda há lógica

 

      Não regista o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora o termo Iavé? Regista. Por isso, aqui sugeri a inclusão de iaveísta, o que fizeram. Não regista o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora o termo Javé? Regista. Por isso, aqui sugeri a inclusão de javista, o que não fizeram. No fundo, é como dizia D. Hélder Câmara (1909-1999), arcebispo de Olinda e Recife: «A maneira de ajudar os outros é provar-lhes que eles são capazes de pensar.» Mas nem sempre é esse o caminho.

 

[Texto 8135]

Helder Guégués às 10:55 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «mariola»

Ou bruxas

 

      «Estes pequenos montes de pedra, na realidade, chamam-se mariolas e são essenciais para garantir a segurança de quem percorre os trilhos das grandes serras. No passado serviam de marcos de orientação para os pastores, sobretudo em condições atmosféricas difíceis como neve ou nevoeiro. Tantos anos depois continuam por lá e não perderam a sua função — se os [sic] passear ovelhas já não é o que era, elas continuam a ser essenciais na marcação dos trilhos para os caminhantes» («Está na moda encher a Serra da Estrela com mariolas — e isso é perigoso», Marta Gonçalves Miranda, NiT, 6.09.2017, 18h20).

     O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora diz-nos que mariola é o regionalismo para «monte de três pedras sobrepostas que, em certas serras ínvias, indica a direcção a seguir», mas não é o que se vê nas imagens de textos que falam sobre o assunto: são várias pedras, não três, nem talvez três vezes três, mas mais. E nem sempre são pedras, podem ser outros sinais. Também se chamam, noutras regiões, bruxas, e neste caso o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não o regista.

 

[Texto 8134]

Helder Guégués às 08:51 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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07
Set 17

Para dar o tom

Cala-te, melher

 

      E a propósito dos laivos de pronúncia lá da terra, anteontem Herman José comentou a fotografia de Madonna: «Essas raízes estão uma desgraça, melher.» Ora, isto lê-se até em traduções, por exemplo, para imitar deturpações no original: «Perguntem a quem quiserem, a sôra Porter é uma melher respeitável» (Anjos Rebeldes, Libba Bray. Tradução de Susana Serrão. Alfragide: Edições Asa II, 2014). «You ask anybody and they’ll tell you, Missus Po’er’s a respec’able toiype.»

 

[Texto 8133]

Helder Guégués às 08:48 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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