06
Dez 17

Léxico: «autoficção»

Ou nem tão novo

 

      «Depois dos livros de crónicas, finalmente chega ao mercado livreiro a novela de estreia do famoso músico dos Buraka Som Sistema, um livro que se apresenta como um “um romance musical” de auto-ficção» («‘Também os Brancos Sabem Daçar’ [sic] Kalaf Epalanga | Caminho», Destak, 6.12.2017, p. 12).

      Parece que os especialistas ainda não assentarem definitivamente numa definição do que é a autoficção (assentemos nós, pelo menos, na grafia), pelo que tive de ir ver o que se diz. Digamos que é um género híbrido, que mistura as experiências do autor com a ficção. Não parece nada de radicalmente novo, mas o neologismo foi cunhado por Serge Doubrovsky em 1977. É, dizem outros, a ficcionalização de factos e acontecimentos absolutamente reais. E precisaremos mesmo de «ficcionalização»?

 

[Texto 8445]

Helder Guégués às 23:46 | comentar | ver comentários (5) | favorito
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Léxico: «tomba-gigantes»

Giant-killer

 

      «O Cova da Piedade é a primeira equipa apurada para os quartos-de-final da Taça de Portugal, eliminando o Marítimo, após cobrança de pénaltis e tornando-se no primeiro “tomba-gigantes” da ronda dos “oitavos”» («“Tomba-gigantes”. Cova da Piedade elimina Marítimo», Rádio Renascença, 6.12.2017, 18h56).

      Será que o encontramos na Infopédia? Encontramos, sim senhor: no dicionário de Inglês-Português. Loose ends.

 

[Texto 8444]

Helder Guégués às 20:55 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «arco de Santo António»

Todos os santos

 

      «As autoridades acreditam que, se fosse utilizado o arco protector ou se a máquina tivesse cabina, muitas vidas seriam poupadas. Como o uso do arco de Santo António não é obrigatório, apenas recomendado, os condutores dispensam-no, referindo que os prejudica nas tarefas agrícolas» («Sensibilização a agricultores. “Tractor não é para andar em corridas nem fazer rali”», Olímpia Mairos, Rádio Renascença, 6.12.2017, 12h18).

      Parecia-me que já aqui tinha falado deste termo, arco de Santo António, usado para designar o arco protector dos tractores, mas não o encontro.

 

[Texto 8443]

Helder Guégués às 18:22 | comentar | ver comentários (11) | favorito
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Sobre «beau-père»

O contexto dirá

 

      Lá partiu para o Além Jean-Philippe Smet para continuar no bem-bom e a fugir aos impostos. Ah, sim, assim de repente não sabem de quem se trata. É o nome real de Johnny Hallyday. Hoje, na Cadena Cope, estavam três ou quatro tagarelas a discutir porque adoptara o cantor aquele nome artístico. Como se não existisse a Internet. Assentaram que seria porque o inglês estava então em voga (e agora?), o que é verdade, decerto, mas não é a explicação. Boa parte da população belga tem os apelidos Smet, de Smet e Smets (o equivalente, em inglês, a Smith, ou aos alemães Schmidt, Schmitt e Schmit). Talvez, sei lá, uma espécie de Silva entre nós. Imaginem Marco Paulo com o nome João Simão da Silva. Com os pais separados logo no início da sua infância, o menino Jean-Philippezinho foi recolhido por uma tia paterna cuja filha tinha um companheiro, dançarino acrobático americano, amigo e modelo de Jean-Philippe Smet, que pisava os palcos com o nome artístico Hallyday. E por fuga aos impostos: aqui há uns anos, foi notícia: «Le beau-père de Johnny Hallyday condamné à 6 mois». É curioso que beau-père signifique sogro e padrasto. Tem duplo sentido. (E, então com 64 anos, Johnny Hallyday podia ter sogro e/ou padrasto.) Como beau-père é um pai por casamento, tanto se aplica ao sogro como ao padrasto. (E, mutatis mutandis, pode dizer-se o mesmo de belle-mère.)

 

[Texto 8442]

Helder Guégués às 17:39 | comentar | favorito
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06
Dez 17

Léxico: «ferodo»

Fero, ferido, ferodo

 

      O que o Sr. Paulo M. («gestor de cliente») me disse é que convinha pôr selante nas jantes para evitar que o ferodo adira mais e danifique a liga leve. Hum... Valha-nos o dicionário da Real Academia Galega: «Material feito con fibras de amianto e fíos metálicos que se emprega fundamentalmente, para forrar as zapatas dos freos.» O Sr. Herbert Frood (1864-1931) não ia gostar nada deste silêncio do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora.

 

[Texto 8441]

Helder Guégués às 11:49 | comentar | favorito
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