25
Mai 17

Léxico: «cogumelo mágico»

Ou ninguém sabe

 

      «Das 12 mil pessoas que admitiram, no estudo, ter consumido em 2016 cogumelos mágicos, apenas 0,2% sentiram necessidade de recorrer às urgências hospitalares. Trata-se de uma taxa cinco vezes mais baixa do que a de outras drogas comuns como o Ectasy, LSD e cocaína» («Cogumelos mágicos: a droga recreativa mais segura», TSF, 24.05.2017, 17h57).

   Devia estar nos dicionários: quantos falantes não os procuram aí? O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, contudo, nem sequer psilocibina regista.

 

[Texto 7868]

Helder Guégués às 15:34 | comentar | favorito
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24
Mai 17

Léxico: «privilège du blanc»

Não mudamos

 

      «A mantilha é parecida com um véu, mas tende a ser de renda, ou com bordados, e mais pesada que um véu. Antigamente, era habitual as mulheres católicas usarem mantilha na missa e algumas ainda o fazem, sobretudo, em meios mais tradicionalistas. […] Contudo, existe uma excepção a esta regra. Certas mulheres beneficiam de um privilégio que lhes permite vestir de branco na presença do Papa. O chamado “privilège du blanc” apenas se aplica a algumas, e não todas, as rainhas e princesas católicas» («Porque é que Melania Trump parecia que ia para um enterro? Porque é assim mesmo», Filipe d’Avillez, Rádio Renascença, 24.05.2017, 10h16).

   Parece que são apenas sete as rainhas ou princesas católicas que beneficiam deste privilégio. A duquesa de Bragança, se fosse rainha consorte, não teria este privilégio. Mais um motivo para não mudarmos de regime... Seja como for, benditos limites materiais da revisão.

 

[Texto 7867]

Helder Guégués às 23:04 | comentar | favorito
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«Vetado ao ostracismo»!

Obrigadinho

 

      «O regime apadrinhava um equipamento que prometia colocar Portugal no mapa dos maiores eventos motorizados mundiais e aliviar um pouco o ostracismo internacional a que o país estava vetado. Para a construção e gestão do circuito foi constituída a empresa Autodril — Sociedade do Autódromo do Estoril. Em Maio de 1971 arrancou a empreitada, que seria concluída em apenas 11 meses» («Autódromo do Estoril, ilegal há 45 anos», Paulo Curado, Público, 24.05.2017, p. 36).

      Já aqui vimos outras variantes do erro: «devotado ao abandono» e «dotado ao abandono». Neste caso, é ao ostracismo, mas a construção é a mesma. As formas erradas são infinitas, ao passo que a forma certa e o cuidado são finitos. Basta que isto chegue ao conhecimento do jornalista Paulo Curado para valer a pena eu perder tempo. Solidariedade e altruísmo também é isso: dizerem-lhe que errou e que, com o seu erro, está a induzir em erro muitas pessoas.

 

[Texto 7866]

Helder Guégués às 11:07 | comentar | favorito
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Como se escreve nas dissertações

Em algumas, esperemos

 

      «A Inspeção-Geral da Educação e Ciência vai investigar o mestrado do líder da principal claque do Futebol Clube do Porto, Fernando Madureira, no qual obteve 17 valores, mas que até tem erros de português. […] Maria Alzira Aleixo, professora catedrática da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, classificou o texto de Fernando Madureira como “um insulto à Língua Portuguesa e ao desporto nacional”, escrito “num Português iletrado, analfabeto e ridículo”» («Mestrado do líder dos Super Dragões [sic] investigado pela Inspeção-Geral da Educação», C. B., TVI24, 19.05.2017, 00h58).

      E agora, para tudo ser, já não digo perfeito, mas normal, o Macaco merece ser catedrático — para ficar ao mesmo nível de quem lhe atribuiu 17 valores. E a dissertação versa sobre quê, pode saber-se? «A dissertação, que está disponível na página da Internet da instituição de ensino superior, tem 25 páginas (cinco parágrafos de conclusões) e incide sobre a dinamização da bancada sul do Estádio do Dragão.»

 

[Texto 7865]

Helder Guégués às 08:36 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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23
Mai 17

Léxico: «ciberdefesa»

Por consequência

 

      «“É que, hoje, às ameaças tradicionais juntaram-se novas formas de ameaça e a Defesa exige um novo arsenal”, afirmou António Costa, intervindo numa cerimónia que assinalou o arranque da construção da nova academia da NATO, em Oeiras, vocacionada para as comunicações, sistemas de informação e ciberdefesa» («Costa aponta ciberdefesa como área crítica de futuro para combater novas ameaças», Rádio Renascença, 23.05.2017, 12h39).

      Alguns dicionários ainda não descobriram a ciberdefesa, mas não se esqueceram do ciberataque.

 

[Texto 7864]

Helder Guégués às 17:24 | comentar | favorito
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Léxico: «guarda-barreira»

Na fronteira

 

      O pobre Oliver Twist, na sua fuga de casa do cangalheiro, só se safou graças à ajuda compadecida de uma velhota e de um guarda-barreira (turnpikeman). Não, por acaso até ainda se mantém no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. Não se pode é dizer o mesmo de turnpikeman, que não encontramos no Dicionário de Inglês-Português. Ora, se o dicionário apenas regista turnpike, dificilmente quem o consulta chegará ao termo «guarda-barreira». Duas vezes por semana, também eu passo por uma antiga barreira destas, mas em Lisboa, as Portas de Benfica, que no século XIX era uma das vinte e seis entradas na cidade.

 

[Texto 7863]

Helder Guégués às 17:21 | comentar | favorito
22
Mai 17

Léxico: «metassulfito»

K2S2O5

 

    Então esta porcaria (com licença...) de sumo de limão contém metassulfito de potássio... Difícil, na verdade, é não o encontrar nos alimentos que usamos no dia-a-dia: vinagre, destilados, amido e farinha, cerveja, crustáceos, frutos secos e cristalizados, licores de frutos, marmeladas e geleias, produtos de panificação (com excepção do pão), sumos de frutas, picles, conservas, açúcar, etc. Não é, contudo, omnipresente: não o encontram no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora.

 

[Texto 7862]

Helder Guégués às 22:23 | comentar | favorito
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Léxico: «prova indiciária»

Sherlock Holmes

 

      «No início da repetição do julgamento [de Ana Saltão, inspectora do PJ] , no Tribunal de Coimbra, o procurador do MP [Jorge Leitão] repetiu a mesma tese presente na acusação, considerando que a inspetora deve ser condenada “com base em prova indiciária”» («MP mantém tese: inspetora da PJ é culpada de matar avó do marido», A. R., TVI, 22.05.2017, 14h02).

      O pobre leitor nem nos dicionários encontra apoio. Claro que fica com uma ideia, mas vaga, sobretudo porque nos filmes se segue a terminologia anglo-saxónica: prova circunstancial. Mas está bem: prova indirecta, indiciária, por presunções ou circunstancial é tudo o mesmo. É a prova obtida por meio de uma inferência lógica, em que de um facto conhecido se chega ao facto desconhecido.

 

[Texto 7861]

Helder Guégués às 22:13 | comentar | favorito
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Léxico: «eutanasista»

Teclas escorregadias

 

      «“Acho que há todo o direito a que as pessoas possam reclamar o suicídio ajudado ou a eutanásia, mas eu por exemplo, que sou médico, sei que não fomos treinados nem educados para isso e serei objector de consciência. Por isso estou numa situação muito desagradável que é por um lado dizer que acho que as pessoas têm todo o direito, mas eu não faço isso.” O Prémio Pessoa [Sobrinho Simões] diz que não foi formado para ser um eutasanista e antevê dificuldades na forma como se vai legislar sobre esta matéria» («Maria de Belém defende “sedação até à morte” em nome da “autonomia”», Susana Madureira Martins, Rádio Renascença, 22.05.2017, 13h09).

   A jornalista queria escrever eutanasista, que já tenho lido, mas atrapalhou-se com as teclas. Tal como se atrapalhou a escrever «sedação», que só está correcto no título e uma vez no corpo do artigo, pois nas outras ocorrências escreveu sempre «sedacção». Na Rádio Renascença, não costumam ser tão descuidados.

 

[Texto 7860]

Helder Guégués às 21:43 | comentar | favorito
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Léxico: «gratô»

O pior há-de ser o nome

 

      «É semelhante a uma gelatina com polpa e chama-se ‘gratô’. Este produto alimentar eco-inovador e 100% natural foi produzido por uma equipa de estudantes de mestrado da Faculdade de Ciências de Coimbra, com a colaboração da Escola Superior Agrária de Coimbra (FCTUC)» («Investigadores de Coimbra criam ‘gratô’. Novo alimento combina fruta e algas», Rádio Renascença, 22.05.2017, 10h46).

      O Ratatui não se lembraria de um nome mais francês. Mas está bem, desde que não tenha aspecto nojento e seja saboroso. Será que se escreve «eco-inovador»?

 

[Texto 7859]

Helder Guégués às 17:03 | comentar | ver comentários (7) | favorito