17
Jun 17

Léxico: «bioindústria»

Pontas soltas

 

      «A bioindústria portuguesa andou em contraciclo na última década. Quando tudo estava em crise, o sector das pequenas empresas que transformam o conhecimento num negócio exibia uma saúde invejável» («Startups dedicadas às ciências da vida duplicaram em cinco anos», Andrea Cunha Freitas, Público, 17.06.2017, p. 33).

    Já não é o futuro, mas o presente, e por isso tem de estar nos dicionários. Na Infopédia, só a encontramos no Dicionário de Português-Neerlandês. Pontas soltas.

 

[Texto 7926]

Helder Guégués às 20:53 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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16
Jun 17

Léxico: «rega à manta»

Quase todos os dias

 

      Quase não há dia em que não leia ou não me lembre de uma palavra ou expressão que não estão dicionarizadas. A última foi ontem: rega à manta. É o nome dado à rega por alagamento, usada em várias culturas. A rega do lúpulo, por exemplo, é à manta. Isto sim, é engenho no uso da língua. Em relação a esta cultura, também se usa, e há muitas décadas, o termo vernalização, isto é, o frio de que precisa para vingar, mas não sei se não é simples cópia do inglês vernalization. Pode não ser, como sabemos, pois há muitos e muitos termos comuns a várias línguas. Também em castelhano, muito a propósito se diga, se usa a expressão «rega à manta».

 

[Texto 7925]

Helder Guégués às 08:51 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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15
Jun 17

Léxico: «mestre-escama»

Há, mas em italiano

 

      «Além de simples mestre-escama, era considerado, em mais alta escala, o barbeiro-sangrador e o barbeiro-dentista» (O Chiado Pitoresco e Elegante, Mário Costa. Lisboa: Câmara Municipal de Lisboa, 2.ª ed., 1987, p. 122).

     Conservar-se em todos os dicionários seria demasiado bom. Na Infopédia, vamos encontrá-lo somente no Dicionário de Português-Italianobarbiere! José Leite Vasconcelos, no estudo que fez sobre a barba em Portugal, escreve que «ao barbeiro chama-se realmente em Lisboa mestre-escama, por graça, isto é, “mestre da escama” (cfr. mestre-escola), tendo-se assimilado a escamas de peixe ou de réptil os pêlos ensaboados que a navalha arranca».

 

[Texto 7922]

Helder Guégués às 11:36 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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12
Jun 17

Léxico: «cíngulo»

Não prometam nem jurem

 

      O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora afiança mesmo que cíngulo é apenas o «cordão com que o sacerdote aperta a alva em volta da cintura, símbolo de continência e pureza»? Nada de garantias ou promessas imprudentes, vejam o que aconteceu a Matthew Goodwin, que teve de comer na Sky News um livro sobre o Brexit de que é autor depois de ter prometido que o faria se errasse na previsão de que o Partido Trabalhista não iria obter mais de 38 % dos votos. Pois é. Não, cíngulo também é, por exemplo (e não fica por aqui), o cinto metálico ou revestido de placas de metal que usaram os soldados romanos para defenderem o ventre ou segurar a couraça. Sim, também era o nome que em Roma se dava a uma faixa que as mulheres usavam para cingir o vestido e altear os seios. Há mais, mas fico nos seios das mulheres.

 

[Texto 7916]

Helder Guégués às 22:41 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «riscadinho»

E o tecido?

 

      A cozinheira do conselheiro, para não sujar o sobrescrito, envolveu os dedos gordurosos no avental de riscadinho azul. No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, riscadinho é apenas uma variedade de pêro. Oh!

 

[Texto 7915]

Helder Guégués às 22:07 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «pescada-do-alto», «cienídeo»

Não a comem

 

      Sabiam que a pescada-do-alto (Macrodon ancylodon) é um cienídeo demersal? Ora, se pescada-do-alto, e assim mesmo, com hífenes, já estava na velhinha Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, no novíssimo Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não a encontram, como também não encontram o vocábulo cienídeo.

 

[Texto 7914]

Helder Guégués às 13:18 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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10
Jun 17

Léxico: «trempe»

Não encontram

 

      Ora aqui temos uma família, no final do século XIX, numa festa de baptizado. Antes da ceia, começam a entreter-se com vários jogos. Um deles é a trempe. Agora vejam se o encontram no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora.

 

[Texto 7912]

Helder Guégués às 23:09 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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08
Jun 17

Léxico: «termoluminescência»

As intermitências do entusiasmo

 

     «Os investigadores dataram os fósseis [de Jebel Irhoud] com o método da termoluminescência (que detecta a “assinatura” temporal do aquecimento pelo fogo) em artefactos de silex encontrados no mesmo local dos “homo sapiens” [sic]» («Homem actual é 100 mil anos mais antigo do que se pensava», Rádio Renascença, 7.06.2017, 22h56).

     Se a encontramos no Dicionário Aulete, nos dicionários deste lado do Atlântico nem rasto. Faltam milhares de palavras nos nossos dicionários, como se pode ver a cada dia que passa. Esperemos que os lexicógrafos recuperem o entusiasmo que, com muitas intermitências, por vezes mostram.

 

[Texto 7907]

Helder Guégués às 09:23 | comentar | favorito
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07
Jun 17

«Armários da EDP»?

Palavra de chefe

 

      «Uma estrutura de 15 metros caiu em cima de pelo menos quatro carros em Lisboa, na Praça João do Rio, ao Areeiro. A informação já foi confirmada pela Sapadores Bombeiros de Lisboa e pela Renascença no local. “Toda a peça localizada na torre da fachada principal, com cerca de 15 metros de largura e que pesa várias toneladas, colapsou, projectando-se sobre o passeio, danificando quatro veículos, dois armários da EDP”, descreveu à Renascença o Chefe Rocha, dos Sapadores Bombeiros de Lisboa» («Lisboa. Estrutura de 15 metros cai em cima de carros», Rádio Renascença, 7.06.2017, 9h39).

      Não sabia que se chamavam tão simplesmente armários. Armários da EDP... Bem, mas também referem uma estrutura a que não dão nome, quando se trata da platibanda do prédio. Talvez, afinal, os «armários da EDP» tenham outro nome.

 

[Texto 7905]

Helder Guégués às 10:51 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Wap billing»

Serviços adicionais

 

      «Já lhe apareceram “serviços adicionais” na factura de comunicações e não sabia do que se tratava? Provavelmente, subscreveu um serviço sem saber. Sim, isso é possível. Trata-se de um serviço chamado de “Wap Billing”, ou seja “serviços da sociedade de informação”» («Pagou 3,99 euros a mais na conta de telemóvel? Pode ter sido vítima de “wap billing”», Fátima Casanova, Rádio Renascença, 6.06.2017).

    Vamos lá aprender um pouco mais de inglês e de esquemas de extorsão. Isto só é possível com a conivência das operadoras, pois claro. Assinem aqui a petição que vai levar esta pouca-vergonha ao Parlamento.

 

[Texto 7904]

Helder Guégués às 10:42 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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