01
Jul 17

Tradução: «dress code»

Só na cabeça deles

 

    «“Não andamos na rega”. ANTRAL defende “dress code” para taxistas» (Rádio Renascença, 1.07.2017, 21h32).

    O pobre jornalista não conseguiu extrair dos neurónios nada mais português. Como é que se pode julgar que dress code é mais adequado do que «código de vestuário», numa tradução directa, ou «maneira de vestir», por exemplo? Não percebo. Quanto aos taxistas e aos dirigentes associativos dos taxistas, é muito curioso, e certamente por acaso, que se preocupem agora com estas questões. Vê-se logo que são pioneiros. Agora vão passar a andar de fato e gravata — mas, e as maneiras?

 

[Texto 7966]

Helder Guégués às 23:31 | comentar | favorito
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29
Jun 17

Léxico: «pinking»

Rosa-salmão

 

      «Chama-se “pinking” e é uma categoria de vinho muito rara, porque não pode ser produzida todos os anos. Vai ser lançado pela Adega Cooperativa de Figueira de Castelo Rodrigo. [...] Tudo começou em em [sic] 2014. Jenny Silva, estudante de mestrado de Enologia na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), identificou o fenómeno “pinking” em conjunto com Fernando Nunes e Fernanda Cosme, docentes e investigadores do Centro de Química da UTAD. “Pinking” quer dizer defeito e é historicamente conhecido pelo processo de “aparecimento de uma cor rosa-salmão em vinhos produzidos exclusivamente de uvas de castas brancas”. […] A criação da nova categoria de vinho, que adoptou o nome do fenómeno, vai ser lançada a 7 de Julho, pela Adega Cooperativa Figueira de Castelo Rodrigo que, entretanto, adquiriu a patente à Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro» («Defeito de produção dá origem a vinho raro», Olímpia Mairos, Rádio Renascença, 28.06.2017, 22h07).

      «“Pinking” quer dizer defeito»? Não me parece, Olímpia Mairos. O que eu vejo é que se diz de «of a colour intermediate between red and white, as of coral or salmon». Com essa palavra — mas não haverá também um termo português para o designar? —, designa-se esse defeito do vinho, porque é essa a cor que o vinho toma. Como é igualmente a cor do vinho rosé, e por isso em inglês pinking também significa rosé

 

[Texto 7961]

Helder Guégués às 17:34 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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22
Jun 17

Tradução: «downburst»

Explosão atmosférica

 

      «No esclarecimento ao primeiro-ministro, o IPMA também levanta a hipótese — em que agora trabalha e que constará de um relatório que deverá estar pronto na sexta-feira — de que ocorreu um fenómeno meteorológico chamado downburst já durante o incêndio e que pode ter acelerado a sua propagação. Trata-se de uma massa de ar descendente, que chega até ao solo e se espalha de forma radial, causando ventos fortes. Uma vez chegada ao chão, essa descarga de ar dispara para todas as direcções. Parece um tornado, mas não é» («Afinal, como começou o incêndio?», Teresa Firmino e Andrea Cunha Freitas, Público, 22.06.2017, p. 2).

      Não existirá um termo português para designar o fenómeno? Uma coisa é a facilidade em usar apenas um termo, assim como a relativa conveniência de ser o mesmo seja para um meteorologista português seja para um meteorologista chinês; outra, bem diferente, é, na divulgação dos conhecimentos, a necessidade de usar termos portugueses.

 

[Texto 7939]

Helder Guégués às 10:30 | comentar | ver comentários (17) | favorito
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21
Jun 17

Tradução: «condition»

Sem condições

 

      «O Palácio de Buckingham confirmou a hospitalização do Príncipe Philip, marido da Rainha de Inglaterra. O internamento é considerado uma medida de precaução devido a “uma condição já existente”» («Príncipe Philip de Inglaterra internado no hospital», Rádio Renascença, 21.06.2017, 10h53).

    Mas que «condição», valha-me Deus? Isso é que na Rádio Renascença conhecem bem a língua portuguesa! Não sabem nem querem aprender. Entretanto, no Twitter da Sky News, um engraçadinho escreveu: «Update; ISIS have taken responsibility for his infection.» Espero que os jornalistas portugueses não vejam isto, ou lá o vão levar à letra.

 

[Texto 7935]

Helder Guégués às 12:23 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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16
Jun 17

Léxico: «manspreading»

Mas traduzido

 

      «A câmara municipal de Madrid decidiu lançar uma campanha contra as atitudes menos próprias de homens que se sentam nos transportes públicos de pernas abertas e ocupam um espaço maior do que deviam. Os autocarros vão ter autocolantes contra o manspreading» («Madrid luta com o ‘manspreading’», Destak, 16.06.2017, p. 11).

      E vão usar o termo inglês manspreading nos avisos? Ofereçam então, ao mesmo tempo, um dicionário. Não, não, em castelhano diz-se despatarre. E, é claro, é contra o «despatarre masculino». Mas, do que me lembro da última vez que usei transportes públicos colectivos, também há fêmeas — e não apenas fanchonas — dadas a estes repoltreamentos. E levam, homens e mulheres, para a estrada este comportamento, ocupando uma faixa e meia.

 

[Texto 7924]

Helder Guégués às 07:25 | comentar | favorito
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13
Jun 17

Tradução: «officer»

Atenção, Antena 1

 

      Noticiário das 20h00 na Antena 1, com edição de Luís Soares: «O procurador-geral norte-americano acaba de negar qualquer contacto com oficiais russos durante a campanha para as eleições norte-americanas. São as declarações que Jeff Sessions está a fazer a esta hora no Senado norte-americano.» Quando tiver tempo, caro Luís Soares, veja officer num dicionário de inglês-português; vai ficar surpreendido. Não tem de quê.

 

 

[Texto 7919]

Helder Guégués às 21:54 | comentar | favorito
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Tradução: «stealthily»

Aprovado

 

      Pouquíssimas vezes terei lido a expressão a passo de lobo. Mas eis que um tradutor a usa várias vezes para verter o advérbio de modo inglês stealthily. Nada como ir variando.

 

[Texto 7918]

Helder Guégués às 10:19 | comentar | ver comentários (5) | favorito
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12
Jun 17

Léxico: «free soloing»

Se tem de ser

 

      Vamos lá aprender um pouco mais de inglês. A dose diária: «Sozinho, sem cordas ou qualquer equipamento de segurança. Foi assim que Alex Honnold enfrentou uma escarpa com 900 metros e desafiou a morte, naquela que é considerada “a maior façanha da história da escalada”. […] A modalidade de “free soloing”, fazer escalada sozinho, sem cordas ou qualquer equipamento de segurança, não é para corações fracos e provocou uma dúzia de mortes nas últimas décadas» («Alex subiu uma escarpa de 900 metros sem cordas. E ficou a ouvir os passarinhos», Rádio Renascença, 12.06.2017, 20h07).

 

[Texto 7917]

Helder Guégués às 23:02 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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11
Jun 17

«Deixar cair», de novo

Espero, não mando

 

      «Uma outra fragilidade — mas esta da investigação, não de Comey — é a questão em torno do verbo “esperar” utilizado por Trump na conversa. “Espero (I hope, em inglês) que deixe cair isto” não parece ser exactamente uma expressão de autoridade, de quem dá uma ordem que quer ver executada. Um dos senadores perguntou a Comey se conhecia algum caso em que alguém tenha sido acusado por usar tal verbo. O ex-director respondeu que não» («Comey acusa Trump de mentir, mas assume algumas fraquezas», José Alberto Lemos, Rádio Renascença, 9.06.2017, 1h46).

      «Deixar cair»... Já aqui vimos que não é português. Nem se sabe bem de onde o copiámos. Sim, talvez do inglês. E já viram como um tipo, até talvez mais inteligente e honesto do que Trump, se precipitou? Durões, sim, mas ineptos.

 

[Texto 7913]

Helder Guégués às 20:58 | comentar | favorito
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08
Jun 17

Tradução: «marco»

Lenho da cruz

 

      «O encontro aconteceu no marco do Ano Jubilar de Caravaca de la Cruz, junto da relíquia da Cruz de Jesus, o “lignum crucis”» («Media. Comissões Episcopais de Portugal e Espanha defendem prioridade da “comunicação digital”», Ecclesia/Rádio Renascença, 7.06.2017, 11h55).

      Nós aqui tão perto, e quem é que sabe que Caravaca de la Cruz é uma das cinco cidades santas do Cristianismo em todo o mundo? Pois... E justamente por ter decorrido em Espanha este encontro, tinha de vir para o texto um falso cognato: marco. Também temos a palavra, sim, mas sem esse sentido. Nós dizemos, por exemplo, quadro — mas também é verdade que não encontro claramente a acepção nos nossos dicionários. Quanto ao lignum crucis, é um dos fragmentos da cruz em que Jesus Cristo foi crucificado. A Lenda Dourada explica a ligação de Jesus Cristo a Noé por meio do lenho da cruz.

 

[Texto 7908]

Helder Guégués às 09:37 | comentar | favorito
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07
Jun 17

«Eu corto-te a cabeça fora»?

Língua trucidada

 

      Um dos terroristas do último atentado de Londres, aqui há uns meses, embrulhou-se à pancada com um toxicodependente numa farmácia de Barking, e acabou por lhe dizer: «I cut your head off!» Já era uma vocação amadurecida. Edgar Caetano, o repórter do Observador que escreveu uma reportagem sobre o caso, acha — e é convicção, porque o repete várias vezes — que se traduz assim (e que Alá lhe valha): «Eu corto-te a cabeça fora.» Talvez isto seja português de Barking.

 

[Texto 7906]

Helder Guégués às 16:09 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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