21
Mai 17

Léxico: «guarda-mão»

É esta

 

      Hoje vi, pela primeira vez, uma Honda X-ADV, com condutor e pendura, ali na rotunda mais estúpida e desnecessária de Portugal, a rotunda do Jumbo, em Cascais. E que tem este veículo peculiar, entre scooter e moto, de duas rodas? O que muitos outros têm, mas é uma sete e meio preparada para todos os terrenos (ei-la aqui na A2 a 184 km/h), e por isso com guarda-mãos. Acepção, diga-se, de que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora se esqueceu, pois guarda-mão, para este dicionário, é apenas «1. arco que resguarda a mão, entre os copos e a maçã da espada; 2. revestimento de madeira ou de metal que cobre o cano das espingardas e que protege a mão do atirador do contacto com o cano aquecido».

 

[Texto 7855]

Helder Guégués às 15:51 | comentar | favorito
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20
Mai 17

Quem fala assim?

Ou estão a brincar

 

      «“A falar ninguém os leva presos” diz Passos, sobre “retórica” do Governo» TSF, 20.05.2017, 1h00). Deve ser engano dos jornalistas: Jerónimo de Sousa é que fala desta maneira engraçada, e de certeza que disse isto mesmo do Governo de Passos Coelho há três ou quatro anos.

 

[Texto 7854]

Helder Guégués às 16:44 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «chassídico» e «chassidista»

Mais dois

 

      «Gluck é judeu ortodoxo do chassidismo. Trata-se de um movimento nascido na Polónia em finais do século XVIII com o objetivo de renovar a ortodoxia hebraica e que se difundiu em particular nos países eslavos, mas que depois chegou a Israel, Canadá, Austrália e Estados Unidos. No centro da sua fé está a ideia de que a fé em Deus e o misticismo devem ser interiorizados na vida de todos os dias» («Quem são os judeus chassídicos», Matteo Valsecchi, O Meu Papa, ed. n.º 8, 19.05.2017, p. 43).

    Pois, mas eu prefiro hassidismo e hassídico, que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista. Tal como também regista chassidismo, mas não, estranhamente, chassídico nem chassidista.

 

[Texto 7853]

Helder Guégués às 15:16 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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19
Mai 17

Léxico: «sublanço»

É essa a diferença

 

      «O alargamento do sublanço da auto-estrada A1 Carvalhos-Santo Ovídeo, em Vila Nova de Gaia, que custou 29,8 milhões de euros, foi formalmente inaugurado esta sexta-feira, abolindo um “muro” dentro do concelho e melhorando o acesso ao Porto» («A A1 cresceu em Vila Nova de Gaia e desapareceu um “muro”», Rádio Renascença, 19.05.2017, 15h40).

      As auto-estradas têm sublanços, os dicionários não. Pelo menos o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não o regista.

 

[Texto 7852]

Helder Guégués às 18:34 | comentar | favorito
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Léxico: «multicêntrico»

Ensaios clínicos

 

    «“A maioria destes ensaios clínicos decorrem paralelamente em centros de ensaio nacionais e em centros de ensaios de outros estados membros, uma vez que são, frequentemente, estudos multicêntricos internacionais”, acrescenta o Infarmed, no dia em que acolhe uma conferência sobre o tema no âmbito ao Dia Internacional dos Ensaios Clínicos, que se assinala no sábado» («Há mais de 380 ensaios clínicos em curso em Portugal. Quase metade é dedicada à investigação do cancro», Rádio Renascença, 19.05.2017, 10h25).

      Multicêntrico. É termo muito usado no âmbito dos ensaios clínicos de medicamentos, e não o vejo em nenhum dicionário.

 

[Texto 7851]

Helder Guégués às 18:29 | comentar | favorito
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Léxico: «cinoterapia»

A oportunidade

 

      «Cátia Rodrigues [psicóloga que coordena um projecto de cinoterapia] refere que o contacto com o animal activa uma parte superfrontal do cérebro, num processo em que este vai produzir um neurotransmissor chamado oxitocina, que está associado à sensação de bem-estar» («A cadela Mel vai à escola ajudar crianças com autismo», Camilo Soldado, Público, 19.05.2017, p. 13).

      Superfrontal... Hum... Não me parece que seja português. Não será antes súpero-frontal, à semelhança de «súpero-anterior» e «súpero-posterior»? Bem, os dicionários nada disto registam, e forçosamente uma é adequada. Ah, vejo agora também que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não regista «cinoterapia» (nem tão-pouco «cinoterapeuta»), mas apenas «cinotecnia». Deve ser, respeitinho!, por causa dos «binómios cinotécnicos» da GNR...

 

[Texto 7850]

Helder Guégués às 10:30 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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18
Mai 17

Envergar?

They had

 

      Quando (não se, é uma certeza) formos ciborgues, os tradutores já não vão escrever desta forma parva: «Envergavam espadas curtas, etc.»

 

[Texto 7849]

Helder Guégués às 10:56 | comentar | favorito
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Tradução: «zecchin»

Triplo azar

 

      Aqui vai o pobre porqueiro de regresso a casa do amo com uma bolsa cheia de moedas — que têm três nomes, variantes, e nenhum está no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora! É o cequim, sequim ou zequim, antiga moeda de ouro de diferentes Estados italianos.

 

[Texto 7848]

Helder Guégués às 10:52 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«By my beard»

Pela barba de Júpiter!

 

      Sim, a tradutora ignorou aquele «by my beard». Eu sei, eu sei: não se traduz tudo. Mas, caramba, este é um juramento que já vem da Antiguidade, Gregos e Romanos juravam pela barba de Júpiter. Nas fábulas, até o leão jura pela sua barba. Par ma barbe!

 

[Texto 7847]

Helder Guégués às 08:57 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «favola»

Como pode ser?!

 

    «Manda-a lavar aquelas favolas antes de pôr o avental de renda e passar pó Avelar para branquear o esmalte. Mas isso faz cair o esmalte, estraga-os todos! E eu ralado» (Os Pássaros de Seda, Rosa Lobato de Faria. Alfragide: Edições Asa II, 2012).

    Sim, favolas, os dentes grandes, desproporcionados, sobretudo os incisivos centrais superiores, «big broken teeth sticking out of his mouth», dizia o outro. Não estão na boca do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, infelizmente. (Que, aqui entre nós, também tem de rever o verbete diastema.)

 

[Texto 7846]

Helder Guégués às 08:52 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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