A linguagem cifrada do MP

Não é para todos

 

      «Estes rodeios, a que o Ministério Público chama linguagem cifrada, chegavam ao ponto de deixarem de se conseguir fazer entender. Foi o que sucedeu nas vésperas da Primavera de 2014, ainda ninguém, à excepção dos investigadores, suspeitavam do antigo governante. Para o filho perceber que necessitava de financiamento para as suas despesas quotidianas, a progenitora de José Sócrates ligou-lhe a dizer que estava “depenadinha”» («O dia em que a mãe de Sócrates ficou “depenadinha”», Ana Henriques, Público, 13.10.2017, p. 4).

      Ah, sim, altamente cifrada. Quem, a não ser pessoas irritantemente perspicazes e com longos anos de experiência, ia decifrar que «depenadinha» significava estar sem dinheiro? Nem os dicionários registam nada, como sabemos. Mais de 4000 páginas disto deve ser obra... Antes a montanha de Sísifo.

 

[Texto 8222]

Helder Guégués às 08:52 | comentar | favorito
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