20
Mar 15

S. Exas.

Por vezes, omitir é melhor

 

    «Antes de o Governo Guterres tomar posse, a Fundação Casa de Mateus decidiu organizar um debate sobre educação onde estavam as luminárias da altura: Veiga Simão, Roberto Carneiro, Marçal Grilo e outros místicos do género. Expliquei então a S. Exas que 
elas preparavam um enorme desemprego de diplomados. S. Exas riram com impaciência e superioridade. Hoje com certeza que não se riam» («Um leitor protesta», Vasco Pulido Valente, Público, 20.03.2015, p. 52).

    Que raio de abreviatura é aquela sem o ponto de abreviação? E a concordância nominal está errada: se o cronista indica as «três luminárias da altura: Veiga Simão, Roberto Carneiro, Marçal Grilo e outros místicos do género», são eles e não elas (e, se houvesse adjectivos, também concordariam com o sexo das pessoas identificadas pela forma de tratamento). E mais: com a omissão do pronome, que não geraria nenhuma ambiguidade, ainda ficava melhor.

 

[Texto 5673]

Helder Guégués às 11:20 | comentar | favorito
29
Jun 14

Abreviaturas

Afinal, mudou

 

 

      «Após António Costa ter subido ao “país real” e sido insultado com galhardia por algum povo, a PGR abriu um inquérito, Manuel Alegre considerou os incidentes “intoleráveis” e, com a originalidade que o define, o próprio Dr. Costa achou-os “inaceitáveis”. [...] Embora muitos cidadãos tivessem preferido que a Justiça fizesse justiça ao Eng. Sócrates, a história [sic] começa a colocar o cavalheiro no lugar que merece. Depois de, nas recentes europeias, a mera presença do cavalheiro num almoço de campanha afundar decisivamente as pretensões eleitorais do seu partido, o partido desatou a tratá-lo com a deferência normalmente dedicada à lepra. E se não se estranha muito que alguns apoiantes do Dr. Seguro usem as palavras “descalabro” e “desastre” para avaliar a governação do Eng. Sócrates, estranha-se um bocadinho que o Dr. Costa já se refira aos “erros” da mesma» («Futebol: uma confissão de ignorância», Alberto Gonçalves, Diário de Notícias, 29.06.2014, p. 47).

      Não coincide exactamente com o fim da revisão no Diário de Notícias, mas a verdade é que só há pouco o cronista passou a grafar as abreviaturas com maiúscula. Custa um pouco a engolir, mas só pode ter sido o próprio a aprender. Ainda em Março era o «sr. Marco António», o «eng. Sócrates», o «dr. Costa», etc. Talvez o Espírito Santo descesse em seu auxílio quando numa crónica teve de escrever «D. Afonso Henriques». É que «d. Afonso Henriques» ficava um bocado foleiro, não é? Uma epifania.

 

[Texto 4778] 

Helder Guégués às 10:19 | comentar | ver comentários (1) | favorito
02
Jun 14

Abreviatura de «santos»

S., no plural

 

 

     «SS. Giovanni e Paolo, Igreja 18» (Veneza: Percursos com Corto Maltese, Hugo Pratt, Guido Fuga e Lele Vianello. Tradução de Paula Caetano. Alfragide: Edições Asa II, 2011, p. 159).

   Ah, sim, é só isto: a abreviatura de «santos». Para o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, e para outros dicionários, SS é somente a sigla de «Segurança Social» ou de «Schutzstaffel», o Esquadrão de Protecção nazi. Já aqui vimos outra abreviatura com reduplicação, FFAA. E não escrevemos «pp.» para abreviatura de «páginas»? Em castelhano também é assim: CCOO, EEUU, FFAA...

 

[Texto 4661]

Helder Guégués às 13:40 | comentar | favorito
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27
Mar 14

Abreviatura de «senhor»

Tão novo?

 

 

      «Esta é uma pergunta vital a que nem o sr. Putin saberá responder. Talvez a sua resposta seja hoje relativamente comedida. Mas, em bom rigor, a resposta não depende só dele. A resposta, também em bom rigor, não é dada hoje, nem amanhã, nem numa data precisa. A resposta da Rússia relativamente à definição dos limites das suas ambições evoluirá de acordo com as circunstâncias — e será em grande parte definida por interacção com as circunstâncias, sobretudo em interacção com o tipo de resposta que encontrar por parte do clube euro-atlântico» («A paixão da liberdade», João Carlos Espada, Público, 10.03.2014, p. 45).

      Quando se usa a forma abreviada de «senhor», o que apenas se deve fazer se é seguida de nome próprio, a inicial é maiúscula. Deve ter desaprendido com Vasco Pulido Valente. Para quem pertence, nas palavras de A. P. P., à «verdadeira geração bem preparada», não está nada bem. E não vou dizer, caro A. P. P., como Álvaro de Campos: «Contradigo-me? Pois bem, contradigo-me, contenho multidões.» Porque não há contradição nenhuma.

 

[Texto 4282]

Helder Guégués às 20:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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10
Abr 12

«Arqueação bruta, GT»

Nós aguentamos

 

 

      «No ano passado, a Direcção-Geral das Pescas e Aquicultura tinha nos seus registos 8383 embarcações, das quais 7328 se enquadravam no segmento dos pequenos barcos, que muitas vezes operam a poucas centenas de metros da costa, por um ou dois tripulantes. Estas unidades tinham uma arqueação bruta de menos de 2 GT (medida do volume interno de uma embarcação). No total, os pequenos barcos – que representam quase 90% do total – dispunham, no seu conjunto, de menos de 10% da arqueação bruta da frota nacional» («Pequenas embarcações continuam a ser dominantes na frota», José Manuel Rocha, Público, 10.04.2012, p. 14).

      Não era preciso, creio, darem-nos a fórmula para calcular a arqueação bruta ou iniciarem-nos nos arcanos da Convenção Internacional de Arqueação, mas pelo menos informarem que GT é abreviatura de gross tonnage.


[Texto 1343]

Helder Guégués às 09:17 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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29
Fev 12

A abreviatura: FFAA

Abreviaturas

 

 

   «As FAA deverão dispor de estruturas, dispositivos e forças em condições de, etc.» E por ali abaixo, dezenas de vezes, FAA. Não pode ser: se dobra o A, de «Armadas», também tem de dobrar o F, de «Força». FFAA. Claro que nunca mais ouvi ou li a expressão «Forças Armadas» que não me lembrasse da «Força Armada» do preclaro VPV.

  «O objectivo era, creio bem, sair das FFAA logo que pudessem» (Os Anos Decisivos: Portugal 1962-1985. Um Testemunho, César de Oliveira. Lisboa: Editorial Presença, 1993, p. 124).

 

[Texto 1157] 

Helder Guégués às 15:59 | comentar | favorito
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23
Jun 11

Abreviatura de «versus»

Cuidado vs. negligência

 

 

      «O blairismo nunca perdeu o escrúpulo, aliás abusivo, com a linguagem política. Escreveu Blair: “aberto v fechado é hoje tão importante na política como esquerda v direita”» («A sociedade aberta e os seus amigos», Pedro Lomba, Público, 23.06.2011, p. 40).

      Sempre tão pouco cuidadoso, o cronista Pedro Lomba. A abreviatura da preposição latina versus, «contra», é vs., não como escreveu. Como se escreve na língua inglesa não nos diz respeito.

 

[Texto 206]

Helder Guégués às 16:31 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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