07
Fev 16

SIDA, OVNI, sida, ovni

Sim, há escolha

 

      «Mitchell foi o piloto do módulo lunar Antares, que chegou à Lua, nomeadamente à zona de Fra Mauro (região de terras-altas), a 5 de Fevereiro de 1971. A Apollo 14 tinha como missão prosseguir o trabalho da azarada Apollo 13, que no ano anterior sofrera uma explosão durante a viagem de ida, transformando o regresso à Terra numa viagem de sobrevivência» («Morreu Edgar Mitchell, o astronauta que acreditava em ovnis», Cláudia Lima Carvalho, Público, 7.02.2016, p. 11).

      Cláudia Lima Carvalho, então agora terra altas precisa de aspas? É quê, uma ponte? E sobre ovni ou óvni: recentemente, alguém, escandalizado, me perguntou se já tinha visto que agora era assim que se escrevia. Ovni, objecto voador não identificado, já não é um acrónimo — OVNI —, mas um substantivo masculino. Melhor, agora escreve-se de três maneiras: OVNI, ovni, óvni. Sim, não é proibido usar o acrónimo, como também o faremos com SIDA/sida.

 

[Texto 6603]

Helder Guégués às 08:38 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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22
Jul 15

Sobre siglas e acrónimos e seu desdobramento

Por uma vez

 

      «Uma equipa coordenada por Dora Brites, da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, vai procurar conhecer melhor as causas da esclerose lateral amiotrófica (ELA), para tentar combater a progressão desta doença, tendo por isso ganho [sic] um prémio da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML)» («Premiado projecto de investigação sobre a ELA», Público, 22.07.2015, p. 31).

    Ora cá estão dois bons exemplos: no desdobramento de abreviaturas, acrónimos e siglas, grafa-se com maiúscula apenas o que, pela sua natureza (nome de instituição, nome próprio, etc.), assim tiver de ser, não, como se vê na maioria dos casos, em traduções, jornais, televisões, tudo em maiúsculas. Infelizmente, nos jornais não há memória, e o que hoje se faz bem amanhã faz-se mal.

 

[Texto 6078]

Helder Guégués às 20:36 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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13
Fev 15

«Um GNR»

Um tudo-nada estranho

 

      «Coitada, era filha de um guarda-republicano, estava-lhe o mau gosto na massa do sangue» (Explicação dos Pássaros, António Lobo Antunes. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009, p. 26). É curioso que, na oralidade e na escrita, não se use muito; talvez se use mais «GNR». «Numa dessas noites, estava a mesa formada quando lá apareceu um GNR fardado» (Vida e Mortes de Faustino Cavaco, Faustino Cavaco e Rogério Rodrigues. Lisboa: ER-Heptágono, 1989, p. 168). Não deixa de ser estranho que se use uma sigla para designar um agente. Não por ser em maiúsculas, porque em minúsculas também é estranho: «Uma vez o gajo [Edmundo Pedro] ia num camião com uma carga valiosa: estava cheio de whisky e de tabaco... Um gnr manda-o parar, os gajos não podiam perder a carga...» (Entrevistas a Luiz Pacheco, VV. AA. Lisboa: Tinta-da-China, 2008, p. 212). Mas poucas vezes ouvi «um PSP», e nunca «um PJ». Assim, para os dicionários também tem de ir, pelo menos, GNR na acepção de agente da GNR (como está, por sugestão minha, «pide» no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora). Claro que às siglas falta o que o acrónimo PIDE tem («nunca um acrónimo se abotoou tão bem à farda», escreve Ana Margarida de Carvalho em Que Importa a Fúria do Mar).

 

[Texto 5559]

Helder Guégués às 22:05 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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29
Mai 12

E o «a» de Aduaneira?

Eu sei lá

 

 

      «A Autoridade Tributária e Aduaneira, abreviadamente designada por AT, é um serviço da administração, etc.», lê-se no decreto-lei que aprova a orgânica da Autoridade Tributária e Aduaneira. Não é demasiado abreviado? Então o organismo chama-se Autoridade Tributária e Aduaneira e a sigla é AT? Nuns casos, como o do Banco de Portugal, letras a mais: BdP! Noutros, a menos. No Diário de Notícias, pensam o mesmo: «Quanto à fiscalização da Autoridade Tributária (ATA) da Direção de Finanças de Lisboa, Ricardo Ato confirma a presença da entidade, reforçando que as operações também já haviam acontecido nas edições anteriores» («Duas suspensões por falta de higiene», Lina Santos e Elisabete Silva, Diário de Notícias, 29.05.2012, p. 47). Não estarão as jornalistas a brincar com o nome do director de produção do festival? A ATA a fiscalizar o Ato.

 

[Texto 1612] 

Helder Guégués às 23:48 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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16
Nov 11

Acrónimo ROV

Sem espaço nem tempo

 

 

      «“Uma questão sensível era arranjarmos um novo Noruega. Era um ponto muito, muito crítico. Fizemos um levantamento dos barcos à venda e identificámos uns três ou quatro”, diz Assunção Cristas. “E nas negociações sensibilizámos a Noruega para o desenvolvimento das nossas acções, quer no estudo dos stocks de pesca, quer no que respeita ao uso do nosso ROV [o Luso, veículo operado à distância, que mergulha a seis mil metros] para pesquisar o fundo do mar.”» («Portugal vai ter novo navio de investigação do mar, que substituirá o velho Noruega», Teresa Firmino, Público, 16.11.2011, p. 16).

      Tudo inglês, o que não fica claro no artigo. ROV é o acrónimo de remotely operated vehicle.

 

[Texto 684] 

Helder Guégués às 19:33 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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08
Jul 11

«PIDE/pide»

Esta pede meças a outras

 

 

      O casal fez uma viagem a Itália, leio aqui, e gostou particularmente da — coragem! — «Torre de Pizza». É erro, e erro grosseiro muito revelador, que nenhum revisor (mas não ponho as mãos no lume) deixaria passar. Mas aqui surge outra anomalia que já poderiam deixar passar: em Vilar Formoso, o nosso protagonista «foi interrogado pelos PIDES». Se se escreve, e bem, pois é um acrónimo, PIDE, de Polícia Internacional de Defesa do Estado, já não se deverá escrever PIDE(S) do elemento pertencente a essa polícia. Alguns dicionários registam o substantivo comum «pide».

 

[Texto 272]

Helder Guégués às 18:59 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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