05
Fev 17

Nem «site» nem «website»

Também outros o dizem

 

      «Fernandes, por favor, não escrevas “site”, pela nossa saúde. Mas, se achas que tens mesmo de grafar essa barbaridade porque o coração tem razões que a razão abomina, opta por “website”, ou usa aspas, ou usa itálico. Por favor, ó pá» («Até apetece atacar o Ferreira Fernandes», Valupi, Aspirina B, 12.01.2017, 13h09). Ainda melhor, Valupi esqueceu-se desta solução, é não usar nenhuma dessas palavras.

 

[Texto 7465]

Helder Guégués às 17:45 | comentar | favorito
Etiquetas: ,
24
Mar 16

«Impeachment/impedimento»

Lá como cá

 

   «A mesma emissora que o elegeu [a Rede Globo], o tirou de lá. Collor caiu derrubado por uma palavra difícil, inglesa (vá saber porquê) — impeachment. Acho que o anglicismo serve pra conferir carisma ao processo. Se fosse “impedimento”[,] não agradaria tanto às nossas elites anglófonas» («Macartismo tropical», Gregório Duvivier, Sábado, 23.03.2016, p. 52).

 

[Texto 6706]

Helder Guégués às 21:13 | comentar | ver comentários (3) | favorito
Etiquetas: ,
27
Dez 15

«S-e-l-f-i-e»

Pois é

 

      «Curiosamente, e com o aproximar de 2016, voltou também à ribalta no Brasil o acordo ortográfico (AO), que tanta polémica gerou e ainda gera. O Jornal Nacional da Globo, que fez um trabalho dia 21 ouvindo opiniões contraditórias, terminou com
 uma pergunta ao professor Evanildo Bechara, um dos grandes promotores e entusiastas do AO. Vale a pena reproduzir, na íntegra, o diálogo entre o jornalista e o professor. “J.N: Professor Bechara, como é que se escreve selfie, em português?/ E.B: Por enquanto, é à moda inglesa. Agora, a dúvida é saber se é masculino ou feminino. Porque as duas formas se usam./ J.N.: O senhor poderia soletrar selfie?/ E.B: S-e-l-f-i-e./ J.N.: Exatamente como inglês. Isso é português?/ E.B: É português.” Podemos, portanto, com acordo ou sem ele, dizer na mais vernácula expressão da língua de Camões e Machado de Assis que 2016 vai ser, para o Brasil, a very good year. E que há-de ficar bem no auto-retrato, perdão, na selfie» («Brasil para rir, pensar e desinquietar», editorial, Público, 26.12.2015, p. 2). 

      Surpreendentemente — ou não? —, o único não taralhouco aqui é Evanildo Bechara. (E lá está o gerúndio avariado: «fez um trabalho […] ouvindo opiniões contraditórias».)

 

[Texto 6505]

Helder Guégués às 11:47 | comentar | ver comentários (18) | favorito
Etiquetas: ,
17
Set 15

Tradução: «condition»

Não está em condições

 

      «O que faria se de repente começasse a ter alergia ao wi-fi? Ou ao telemóvel, ao tablet e ao contador inteligente? Talvez o mesmo que Marine Richard, uma francesa de 39 anos que na semana passada ganhou um processo em tribunal por ser “alérgica” à radiação eletromagnética de vários gadgets. O juiz concluiu que ela tem direito a um subsídio de 800 euros por mês durante os próximos três anos devido a esta condição, embora a Organização Mundial da Saúde (OMS) não seja clara quanto à mesma» («Alergia ao wi-fi, problemas de visão, tromboses: as novas doenças tecnológicas», Ana Rita Guerra, Diário de Notícias, 16.09.2015, p. 33).

      Ana Rita Guerra, acha mesmo necessário usar o anglicismo semântico «condição»? Acaso «doença» ou «problema de saúde» não o traduzem bem? Se o jornal tivesse revisores, o artigo não saía assim.

 

[Texto 6250]

Helder Guégués às 06:18 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: ,
13
Set 15

Léxico: «sextortion»

Crime inglês

 

      «O crime — sextortion — é uma forma de exploração sexual que usa formas não físicas de coacção para extorquir favores sexuais à vítima» («Cuidado com o sextortion, alerta a PJ», i, 12.09.2015, p. 11).

      Já estou a ver o polícia, ligeiramente embaraçado, a pedir: «Soletre lá isso devagarinho, se faz favor.»

 

[Texto 6236]

Helder Guégués às 09:49 | comentar | ver comentários (2) | favorito
Etiquetas: ,
01
Set 15

«Tubo de ensaio»

Esqueceram-se de o estragar

 

      É curioso que se diga tubo de ensaio e não, copiando o inglês, *tubo de teste (test tube). Isto tanto mais que há vários testes em medicina. Aliás, provavelmente entrou no português por intermédio de obras de psicologia em língua inglesa. Décadas atrás, usava-se ainda o anglicismo test (exame, prova), depois nacionalizado em teste. To test é «examinar», «comprovar».

 

[Texto 6192]

Helder Guégués às 14:00 | comentar | favorito
Etiquetas: ,
18
Ago 15

Tradução: «black rot»

Não pode ser

 

      Ainda que seja uma doença das videiras originária dos EUA, não vejo porque se tem de usar obrigatoriamente a designação inglesa black rot, que até em documentos do Ministério da Agricultura se usa. Ora se também tem, entre nós, a designação de doença do fogo ou podridão negra, não há razão para empregarmos o nome inglês. É isto que os tradutores têm de ter em conta.

 

[Texto 6174]

Helder Guégués às 08:14 | comentar | favorito
04
Ago 15

Sobre «geocaching»

Geocaching, geocacher, geocaches...

 

      «O geocaching, ou caça ao tesouro, está a ganhar adeptos em Portugal. E estima-se que existam 30 mil praticantes activos. Mas trata-se de “uma aventura” que não deve ser praticada sem companhia.

   Segundo explicou à 
agência Lusa Pedro Santos, geocacher desde 2008 e um dos administradores do Geopt.org, site que se dedica ao geocaching, o mais importante nesta actividade é “cumprir 
as regras de segurança” e as pessoas “não se aventurarem sozinhas”. O site geocaching.com
 diz que existem 2.684.108 geocaches (“tesouros”) activas em todo o mundo e mais de seis milhões de geocachers (“caçadores de tesouros”)» («O geocaching é uma aventura com riscos», Público, 4.08.2015, p. 5).

     Parece uma brincadeira de crianças. Perigosa também, decerto. Basta estar, como está, inçada de termos ingleses para ter logo milhares de adeptos portugueses.

 

[Texto 6122]

Helder Guégués às 20:27 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: ,
05
Jul 15

Ortografia: «antivacinismo»

No Paraná sabem

 

    É espantoso como aquele revisor escreveu já várias vezes, em textos diferentes, «anti-vacinismo». Quanto a ortografia, podemos esperar muito daqueles lados, podemos. Anda a precisar de ler a Folha de Londrina: «Ela [Isabela Ballalai, presidente da Sociedade Brasileira de Imunização] faz referência ao antivacinismo, movimento com adeptos na Europa e Estados Unidos que defende que vacinas fazem mais mal do que bem ao organismo infantil» («“Quando vacinamos, protegemos nosso entorno”», 26.02.2015, p. 22). Foi também nesta edição da Folha de Londrina que li isto: «Isabelly finalmente foi submetida ontem a cirurgia para implantação do marca-passo diafragmático.» Vejam se o jornalista precisou do anglicismo para dizer o que queria.

 

[Texto 6019]

Helder Guégués às 14:23 | comentar | ver comentários (2) | favorito
27
Mai 15

«Sumos depurativos»

Não me convidem

 

      «Aliado a isto, cuidado com a alimentação. Toda a semana teríamos seis refeições diárias, com o cuidado de nunca passarmos mais do que três horas sem comer, para manter o metabolismo sempre a funcionar: um sumo detox às 6h50; pequeno-almoço às 8h (muesli de frutos silvestres, pão especial de cereais, queijo fresco, fiambre de peru, iogurte magro, chá e infusões, fruta); almoço; snack da tarde, após o segundo treino; jantar e ceia (muitas vezes constituído apenas por um chá)» («Afinal, descansar custa muito suor — e o corpo é que ganha», Victor Ferreira, «Fugas»/Público, 2.08.2014, p. 12).

      «Sumo detox», assim mesmo, sem aspas nem itálico. (Fará mesmo bem uma mixórdia daquelas? E será mesmo conveniente ter o metabolismo sempre a funcionar?) Hoje mesmo, a Fundéu veio recomendar que se diga e escreva «depurativo»; no caso, seria «sumo depurativo». Detox é uma coisa completamente bárbara, de traidores da língua.

 

[Texto 5912]

Helder Guégués às 22:01 | comentar | ver comentários (2) | favorito
Etiquetas: ,