10
Set 17

AO90 na prática

Desisto

 

      Será mesmo boa ideia ter um carro de 80 mil euros quando a Iberent aluga, por exemplo, um Toyota Yaris por 5 euros ao dia? Mas a mensagem: «Aguarde que entraremos em contato.» E isto é escrito por pessoas mais ou menos inteligentes. Está bem, estou a exagerar: menos. Desisto.

 

[Texto 8142]

Helder Guégués às 18:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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AO90 cego e surdo

A cada Natal

 

      «Neste ano, as festas iniciaram-se a 26 de agosto e, como manda a tradição, terminam a 24, com a procissão dedicada à padroeira da freguesia. Até lá, há muita animação: concertos gratuitos para toda a família e para um público mais jovem – até esse dia vão atuar os Amor Eletro e Tiago Bettencourt, entre outros –, eventos desportivos, um festival de tunas, ranchos folclóricos, teatro de rua, lançamento de livros, cinema ao ar livre, e muito mais» («Já não há cavalos mas ainda se faz [sic] bons negócios na Feira da Luz», Filomena Naves, Diário de Notícias, 10.09.2017, p. 45).

      Não sabia que o grupo de Marisa Liz tinha mudado de nome. Já não é Amor Electro? A aplicação cega do Acordo Ortográfico de 1990 brinda-nos com estas coisas ridículas. Alguém avise Filomena Naves, porque eu só a encontro a cada Natal, ainda faltam mais de cem dias.

 

[Texto 8141]

Helder Guégués às 10:46 | comentar | favorito
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14
Jul 17

«Pára-arranca»

Perceberam

 

      «Perdemos qualidade de vida com a situação atual. É muito resultante do pára-arranca dos carros e veículos pesados» («Condutores circulam a alta velocidade e causam acidentes», João Saramago, Correio da Manhã, 12.07.2017, p. 20).

      Vá lá, perceberam que, se seguissem à letra o Acordo Ortográfico de 1990, o leitor ia atrapalhar-se um pouco.

 

[Texto 8021]

Helder Guégués às 15:21 | comentar | favorito
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21
Jun 17

O AO90 em todo o mundo

E eles querem?

 

      «Assinale-se, para concluir, o facto de termos iniciado a legendagem do Cuidado com a Língua [sic] em português, nas transmissões da RTP Internacional e África. Dessa forma facilita-se o processo de compreensão da nossa grafia em todo o mundo, exatamente o que pretendemos todos os dias» («O Cuidado com a Língua da RTP», Daniel Deusdado, Público, 21.06.2017, p. 45).

      Quem é que pretende que a nossa grafia seja compreendida em todo o mundo? Angola ou Moçambique, por exemplo, que, muito mais prudentes do que Portugal, ainda não decidiram se vão ratificar o Acordo Ortográfico de 1990? «Em conclusão: a nossa missão de serviço público tem e terá sempre cuidados com a língua», remata o director de Programas da RTP. Faz de conta que é assim.

 

[Texto 7934]

Helder Guégués às 11:20 | comentar | favorito
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14
Jun 17

Não era preciso um acordo ortográfico

É simples

 

    O Diário de Notícias tem um diretor adjunto, Paulo Tavares; Armando Esteves Pereira, por sua vez, é diretor-adjunto do Correio da Manhã. Não precisávamos de um acordo ortográfico que viesse lançar-nos ainda em maiores confusões, mas foi isso que uns quantos iluminados, autorizados por políticos, fizeram. Agora só têm de esperar que morram todos os opositores.

 

 

[Texto 7921]

Helder Guégués às 20:32 | comentar | ver comentários (5) | favorito
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03
Jun 17

Ortografia: «delação»

Impressionante!

 

      Disseram-me que a historiadora Irene Flunser Pimentel publicou ontem no Facebook um texto intitulado «Contra a delacção premiada – a bufaria que rende». Quem está contra o Acordo Ortográfico de 1990 também presta este mau serviço à língua.

 

[Texto 7891]

Helder Guégués às 11:21 | comentar | ver comentários (6) | favorito
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09
Mai 17

«Retratação/retractação»

Não está desligado

 

      «“Se viram o meu monólogo, sabem que eu estava um pouco chateado porque Donald Trump insultou um dos meus amigos. Por isso, retribuí com algumas hipóteses de insultos para o Presidente. E não me arrependo disso. Acho que ele sabe tomar conta dele [sic] — eu tenho piadas; ele tem os códigos das armas nucleares. É uma luta equilibrada. Mas, apesar de voltar a fazer o mesmo, desta vez mudaria algumas palavras que foram mais rudes do que era preciso”, disse o humorista [Stephen Colbert], no que parecia ser o início de uma retratação» («A boca de Donald Trump deixou Stephen Colbert em apuros», Alexandre Martins, Público, 8.05.2017, p. 18).

      É sempre erro, mas no Público é simplesmente imperdoável. Repito: im-per-do-á-vel. A meritória batalha contra o Acordo Ortográfico de 1990 que empreendeu também faz impender sobre o Público, a meu ver, a responsabilidade de usar melhor, usar correctamente, a ortografia que defende com tanto denodo e veemência.

 

[Texto 7811]

Helder Guégués às 10:40 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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04
Mai 17

O AO90 desinterpretado

Mais uma machadada

 

      É só uma coisinha, mas a língua é feita de uma multiplicidade de coisinhas. A Rádio Renascença pediu a Sara de Almeida Leite que «desfizesse alguns mitos» sobre o Acordo Ortográfico de 1990. Mitos, enfim... À pergunta sobre se passa a ser obrigatório escrever os nomes das ruas e das disciplinas com minúscula, respondeu Sara de Almeida Leite: «Não. O uso de minúscula, nesses casos, é opcional. Assim, quem quiser pode continuar a escrever “Avenida da Liberdade” e “Matemática”, em vez de “avenida da liberdade” e “matemática”» («Oito mitos sobre o acordo ortográfico», Marta Grosso, 4.05.2017, 18h03). Espero que pouca gente menos fadada para a língua leia o texto, ou vamos ver mais vezes «avenida da liberdade», «avenida mário soares», e por aí fora. Para já, Marta Grosso, corrija, se faz favor, que isso não está escrito na pedra. Quantas vezes já eu li que «o 25 de abril» trouxe isto e aquilo. Agora, pode piorar um pouco.

 

[Texto 7790]

Helder Guégués às 19:25 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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Como se escreve por aí

Escolham — se puderem

 

      Na Rádio Renascença: «Ecrãs tácteis podem provocar atrasos na fala das crianças» (4.05.2017, 8h13). Na TSF: «Estudo: Écrans táteis podem causar atrasos na fala das crianças» (4.05.2017, 11h21).

 

[Texto 7786]

Helder Guégués às 15:34 | comentar | favorito
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11
Fev 17

«Cavalo de batalha/cavalo-de-batalha»

Pouco avisada eliminação

 

      «O tema da avaliação dos professores acabou em Portugal. Quem o diz é a ex-ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues, que, precisamente, fez da avaliação de professores o seu cavalo-de-batalha» («Maria de Lurdes Rodrigues diz que a avaliação de professores acabou em Portugal», Clara Viana, Público, 11.02.2017, p. 14).

      Muito bem, é isso mesmo: cavalo-de-batalha. O problema é que os fautores do Acordo Ortográfico de 1990 o levaram sem hífenes para os vocabulários, e os dicionaristas foram inconscientemente na sua senda, destruindo de uma penada um recurso expedito e inteligente da língua, que são as duplas grafias real/aparente. Já aqui vimos um caso igual, pés de galinha/pés-de-galinha.

 

[Texto 7476]

Helder Guégués às 11:06 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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02
Fev 17

Tanto disparate

E o AO90 atrai a parvoíce

 

      Agora estou sempre a topar com um vídeo em que um emigrante português no Brasil que participava (tudo se passou, afinal, há um ano) no programa MasterChef ouve um jurado, um tipo de rosto porcino e língua viperina, dizer-lhe: «Cinco anos no Brasil e nem fala português ainda?!» O concorrente não tugiu nem mugiu, mostrando bem a sua fibra. Mas eis que, entretanto, vejo uma trapalhada já conhecida: no PT Jornal, publicam o vídeo e titulam: «Vídeo: A polémica no Masterchef que ameaça enterrar o Acordo Ortográfico». Quem escreveu isto, não vamos estar agora com paninhos quentes, não percebe boi da questão e devia estar quietinho e caladinho ou, enfim, falar do que percebe.

 

[Texto 7458]

Helder Guégués às 12:31 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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