22
Nov 17

Arquitectura íntegra

Quem diria...

 

      O antigo Quarteirão da Real Vinícola de Matosinhos foi reabilitado para acolher acervos de arquitectos, conferências e exposições. É a Casa da Arquitectura – Centro Português de Arquitectura. Parece-me um edifício — e mais do que um edifício, um projecto — muito interessante. O mais espantoso e inesperado, acho eu, é que mantém o c de «arquitectura».

 

[Texto 8366]

 

 

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Imagem de http://pt.euronews.com

Helder Guégués às 00:39 | comentar | favorito
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18
Nov 17

Gentílicos com maiúscula inicial

Aleluia

 

      «Entre o ano 1000 a. C. e o ano 500 a. C., chegou à Península Ibérica um conjunto de povos do mar Mediterrâneo, atraídos pela riqueza em metais (ouro, prata e cobre). Nas regiões do litoral sul e sudeste, os Fenícios, os Gregos e os Cartagineses fundaram colónias e feitorias para realizarem trocas comerciais com as populações ibéricas» (HGP em Ação 5 — História e Geografia de Portugal, Eliseu Alves e Elisabete Jesus. Porto: Porto Editora, 2017, p. 65).

      Reparem que segue, naturalmente, o Acordo Ortográfico de 1990 — e o nome dos povos está grafado com maiúsculas. E também grafarão da mesma maneira o nome de outros povos? Sim, ou, pelo menos, encontrei mais exemplos, como este: «Assim, compreendemos melhor a grande e corajosa aventura dos Portugueses!» (p. 157).

 

[Texto 8353]

Helder Guégués às 19:38 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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12
Nov 17

Ortografia: «factual»

Vê-se

 

      «Importa ainda realçar que o arguido disse ao menor para falar nas sessões de julgamento — dá as tuas opiniões — ao contrário do que a mãe lhe disse — diz a verdade toda. (...) permite aferir que o menor tem dificuldade em distinguir verdade fatual de opinião» («Condenado», Tânia Laranjo, Correio da Manhã, 5.11.2017, p. 27).

      Não sei se o «fatual» é dos juízes ou da jornalista — na verdade, é igual, em qualquer dos casos há uma incontestável obrigação de escrever correctamente. Se há tanta gentinha que julga que, com o Acordo Ortográfico de 1990, se passou a escrever «fato» em vez de «facto», é claro que tinham de pensar o mesmo de «factual». É triste e bem revelador do grau de proficiência que se tem da língua materna. Sabem, sabem, mas depois vê-se que não sabem nada.

 

[Texto 8329]

Helder Guégués às 16:02 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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10
Set 17

AO90 na prática

Desisto

 

      Será mesmo boa ideia ter um carro de 80 mil euros quando a Iberent aluga, por exemplo, um Toyota Yaris por 5 euros ao dia? Mas a mensagem: «Aguarde que entraremos em contato.» E isto é escrito por pessoas mais ou menos inteligentes. Está bem, estou a exagerar: menos. Desisto.

 

[Texto 8142]

Helder Guégués às 18:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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AO90 cego e surdo

A cada Natal

 

      «Neste ano, as festas iniciaram-se a 26 de agosto e, como manda a tradição, terminam a 24, com a procissão dedicada à padroeira da freguesia. Até lá, há muita animação: concertos gratuitos para toda a família e para um público mais jovem – até esse dia vão atuar os Amor Eletro e Tiago Bettencourt, entre outros –, eventos desportivos, um festival de tunas, ranchos folclóricos, teatro de rua, lançamento de livros, cinema ao ar livre, e muito mais» («Já não há cavalos mas ainda se faz [sic] bons negócios na Feira da Luz», Filomena Naves, Diário de Notícias, 10.09.2017, p. 45).

      Não sabia que o grupo de Marisa Liz tinha mudado de nome. Já não é Amor Electro? A aplicação cega do Acordo Ortográfico de 1990 brinda-nos com estas coisas ridículas. Alguém avise Filomena Naves, porque eu só a encontro a cada Natal, ainda faltam mais de cem dias.

 

[Texto 8141]

Helder Guégués às 10:46 | comentar | favorito
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14
Jul 17

«Pára-arranca»

Perceberam

 

      «Perdemos qualidade de vida com a situação atual. É muito resultante do pára-arranca dos carros e veículos pesados» («Condutores circulam a alta velocidade e causam acidentes», João Saramago, Correio da Manhã, 12.07.2017, p. 20).

      Vá lá, perceberam que, se seguissem à letra o Acordo Ortográfico de 1990, o leitor ia atrapalhar-se um pouco.

 

[Texto 8021]

Helder Guégués às 15:21 | comentar | favorito
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21
Jun 17

O AO90 em todo o mundo

E eles querem?

 

      «Assinale-se, para concluir, o facto de termos iniciado a legendagem do Cuidado com a Língua [sic] em português, nas transmissões da RTP Internacional e África. Dessa forma facilita-se o processo de compreensão da nossa grafia em todo o mundo, exatamente o que pretendemos todos os dias» («O Cuidado com a Língua da RTP», Daniel Deusdado, Público, 21.06.2017, p. 45).

      Quem é que pretende que a nossa grafia seja compreendida em todo o mundo? Angola ou Moçambique, por exemplo, que, muito mais prudentes do que Portugal, ainda não decidiram se vão ratificar o Acordo Ortográfico de 1990? «Em conclusão: a nossa missão de serviço público tem e terá sempre cuidados com a língua», remata o director de Programas da RTP. Faz de conta que é assim.

 

[Texto 7934]

Helder Guégués às 11:20 | comentar | favorito
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14
Jun 17

Não era preciso um acordo ortográfico

É simples

 

    O Diário de Notícias tem um diretor adjunto, Paulo Tavares; Armando Esteves Pereira, por sua vez, é diretor-adjunto do Correio da Manhã. Não precisávamos de um acordo ortográfico que viesse lançar-nos ainda em maiores confusões, mas foi isso que uns quantos iluminados, autorizados por políticos, fizeram. Agora só têm de esperar que morram todos os opositores.

 

 

[Texto 7921]

Helder Guégués às 20:32 | comentar | ver comentários (5) | favorito
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03
Jun 17

Ortografia: «delação»

Impressionante!

 

      Disseram-me que a historiadora Irene Flunser Pimentel publicou ontem no Facebook um texto intitulado «Contra a delacção premiada – a bufaria que rende». Quem está contra o Acordo Ortográfico de 1990 também presta este mau serviço à língua.

 

[Texto 7891]

Helder Guégués às 11:21 | comentar | ver comentários (6) | favorito
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09
Mai 17

«Retratação/retractação»

Não está desligado

 

      «“Se viram o meu monólogo, sabem que eu estava um pouco chateado porque Donald Trump insultou um dos meus amigos. Por isso, retribuí com algumas hipóteses de insultos para o Presidente. E não me arrependo disso. Acho que ele sabe tomar conta dele [sic] — eu tenho piadas; ele tem os códigos das armas nucleares. É uma luta equilibrada. Mas, apesar de voltar a fazer o mesmo, desta vez mudaria algumas palavras que foram mais rudes do que era preciso”, disse o humorista [Stephen Colbert], no que parecia ser o início de uma retratação» («A boca de Donald Trump deixou Stephen Colbert em apuros», Alexandre Martins, Público, 8.05.2017, p. 18).

      É sempre erro, mas no Público é simplesmente imperdoável. Repito: im-per-do-á-vel. A meritória batalha contra o Acordo Ortográfico de 1990 que empreendeu também faz impender sobre o Público, a meu ver, a responsabilidade de usar melhor, usar correctamente, a ortografia que defende com tanto denodo e veemência.

 

[Texto 7811]

Helder Guégués às 10:40 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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04
Mai 17

O AO90 desinterpretado

Mais uma machadada

 

      É só uma coisinha, mas a língua é feita de uma multiplicidade de coisinhas. A Rádio Renascença pediu a Sara de Almeida Leite que «desfizesse alguns mitos» sobre o Acordo Ortográfico de 1990. Mitos, enfim... À pergunta sobre se passa a ser obrigatório escrever os nomes das ruas e das disciplinas com minúscula, respondeu Sara de Almeida Leite: «Não. O uso de minúscula, nesses casos, é opcional. Assim, quem quiser pode continuar a escrever “Avenida da Liberdade” e “Matemática”, em vez de “avenida da liberdade” e “matemática”» («Oito mitos sobre o acordo ortográfico», Marta Grosso, 4.05.2017, 18h03). Espero que pouca gente menos fadada para a língua leia o texto, ou vamos ver mais vezes «avenida da liberdade», «avenida mário soares», e por aí fora. Para já, Marta Grosso, corrija, se faz favor, que isso não está escrito na pedra. Quantas vezes já eu li que «o 25 de abril» trouxe isto e aquilo. Agora, pode piorar um pouco.

 

[Texto 7790]

Helder Guégués às 19:25 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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