10
Mar 17

Uma mesa muito especial

Erros por todo o lado

 

      Loja de luxo. Na montra, várias peças de mobiliário, entre as quais uma mesinha minúscula muito bonita. Num cartãozinho, também de luxo, este miserável erro: «Mesa com gaveta e pernas espraiadas com aplicações cinzeladas em bronze dourado.» A única coisa espraiadíssima era o preço, de muitas centenas de euros. O que eu vi é que as pernas eram espiraladas e com aplicações cinzeladas de bronze dourado.

 

[Texto 7546]

Helder Guégués às 09:53 | comentar | favorito
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02
Mar 17

«Desmarcar-se»/«demarcar-se»

A tempo de aprender

 

      O fabuloso mundo do futebol... Ontem à noite, a taberna do pai do árbitro Jorge Ferreira foi vandalizada. «Está escrito», ouvi-o hoje de manhã em declarações à Antena 1, «nada me move contra ninguém. As pessoas desmarcam-se de tudo e de todos, eu não me desmarco da arbitragem, nem daquilo que gosto de fazer.» Diz aquilo que ouve, pois desmarcar-se é termo futebolístico — fugir à marcação do adversário. Contudo, o que Jorge Ferreira queria dizer era demarcar-se, ou seja, afastar-se do futebol. Como é, ao que parece, consultor financeiro, talvez fale apenas inglês no dia-a-dia, e por isso não domina a língua portuguesa... 

 

[Texto 7522]

Helder Guégués às 14:20 | comentar | favorito
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15
Fev 17

«Contar/contabilizar»

Usurpação de funções

 

      «Em menos de um mês, a nova Administração norte-americana já contabiliza a primeira baixa de peso. Há vários dias que a demissão do conselheiro para a Segurança Nacional, Michael Flynn, era uma notícia pronta para ser dada, mas a forma atabalhoada como o processo foi conduzido é apenas parte do início mais conturbado de uma Presidência na história recente dos EUA» («Saída de Flynn mostra caos da Casa Branca», João Ruela Ribeiro, Público, 15.02.2017, p. 23).

   E isso de contabilizar não é mais propriamente tarefa para os contabilistas, João Ruela Ribeiro? A Administração conta as baixas (e também tuíta muito).

 

[Texto 7480]

Helder Guégués às 08:51 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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20
Nov 16

Agora é assim?

Há aí confusão

 

      «Porém, há áreas em que o CC praticamente não sofreu alterações, como na parte geral, o primeiro livro, ligado aos direitos de personalidade, sublinha o secretário-geral [Carlos Sousa Mendes]; hoje, por exemplo, o chamado direito ao esquecimento no Facebook e nas redes sociais (a possibilidade de apagar de vez o nosso registo na InterNet se violarem a nossa intimidade), tem base em normas escritas há 50 anos, acrescenta» («O Código Civil fez 50 anos e não envelheceu mal», Joana Gorjão Henriques, Público, pp. 8-9).

      Então agora é assim que se escreve Internet? Nem está por acaso a confundir com Youtube/YouTube, não? E será mesmo necessário abreviar Código Civil daquela maneira, CC?

 

[Texto 7259]

Helder Guégués às 21:57 | comentar | favorito
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03
Nov 16

Eutimia e heteronímia

E nímia confiança

 

      O psiquiatra Ricardo Gusmão, coordenador português da Aliança Europeia contra a Depressão, que entre nós é designada Eutimia (como nome comum, eutimia é sossego de espírito), foi ao Quinta Essência, na Antena 2, falar sobre depressões. E às tantas, largou esta pérola: «É engraçado porque a palavra “esgotamento” é um heterónimo popular de “depressão”.» Era neste ponto — aliás, repetido — que fazia falta uma daquelas tão peculiares gargalhadas de João Almeida, noutros pontos presentes e destoantes.

 

[Texto 7217]

Helder Guégués às 20:08 | comentar | favorito
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25
Out 16

«Maçaroca/massaroca»

Está mal, pá

 

      E a propósito de beijoca e de outras palavras igualmente patuscas terminadas em -oca, lembrei-me do par maçaroca/massaroca, que nem professoras/autoras distinguem e conhecem. Digo e provo. «— Sim, pá. Maçaroca, pilim, bago ou, se preferes um termo menos vulgar, dinheiro. Trago aí uma verdadeira fortuna em notas e sobretudo em moedas» (Uma Aventura na Televisão, Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada. Lisboa: Editorial Caminho, 2.ª ed., 1998). A espiga de milho é maçaroca; o termo popular para dinheiro é massaroca. Eu sei que há dicionários que apenas registam «maçaroca» para as duas acepções.

 

[Texto 7191]

Helder Guégués às 13:12 | comentar | ver comentários (1) | favorito
16
Out 16

Léxico: «trazer/vir à colação»

Parece mentira

 

      E a propósito de coagido: hoje, no programa Vozes da Lusofonia, o convidado era Paco Bandeira, que não ouvia há anos. A última vez, em lugar de guitarras e vozes, era de gritos e armas que se falava a propósito dele. Nesse ano, deu uma entrevista à Nova Gente, e uma das perguntas era se se considerava um homem violento. Que não, respondeu. E mais: «Ela [a ex-companheira] tinha de arranjar maneira de a arma ser chamada à coação.» E é isto. Se foi ele, um homem das palavras, ou a jornalista, uma mulher das palavras, a tão ignorantemente confundir coa(c)ção com colação, nunca saberemos, nem nos interessa. Trazer/vir à colação é referir, citar alguma coisa a propósito.

 

[Texto 7162]

Helder Guégués às 15:04 | comentar | favorito
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21
Set 16

«Cegar/segar»

Uma cegada

 

      «E ainda leva couve cegada, para introduzir alguma doçura» («Os pratos mais picantes», Ágata Xavier et al., «GPS»/Sábado, 14.04.2016, p. 13).

      Não é o erro que encontrámos (encontrou Rui Almeida, na verdade) na exposição «Aurélia, mulher artista», no Museu da Quinta de Santiago? Duas figuras a cegar erva... Seja como for, a designação não me é familiar, e, mesmo agora, pesquisando nos meus apontamentos, só encontro uma citação: «Ora cá está a ceiazinha — disse à laia de cumprimento; e poisou num banco duas panelas, uma com caldo de couve segada, com feijões e grandes manchas de azeite a boiar, que cheirava pela vida, a outra com arroz de bacalhau» (Contos e Novelas, Domingos Monteiro. Lisboa: INCM, 2001, p. 77). Há-de ser o mesmo que couve migada, isto é, partida em bocadinhos, pois que segar é cortar. Uma linha ou superfície secante (que tem o mesmo étimo) não é a que intersecta, corta, outra?

 

[Texto 7114]

Helder Guégués às 20:53 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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13
Set 16

Mais uma facada no «infligir»

Última hora! Última hora! Última hor

 

      Ah, não vamos deixar o Prof. Dr. João Duque sozinho: «Manuel Vilar acabaria por ser transportado ao Hospital S. Sebastião onde foi suturado com seis pontos ao corte infringido pelo rapaz» («Esfaqueia padrasto por não querer ir dormir», Salomão Rodrigues, Jornal de Notícias, 13.09.2016).

      Não, Salomão, não: in-fli-gi-do. Eu sei: é da emoção (a notícia é das 12h16). Quanto ao marmanjo, merecia uns valentes açoites, porque, afinal, reagiu daquela maneira apenas porque o padrasto lhe dera uma «pequena sapatada no pescoço». Só meiguices.

 

[Texto 7082]

Helder Guégués às 13:11 | comentar | favorito
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02
Set 16

«Infligir/infringir»

Dr., há aí um erro

 

      «Esta experiência, tão bem narrada no filme “Experimenter”, ainda em exibição, mostra como o homem, obedecendo a ordens estúpidas, mantém o sistema a funcionar apesar de infringir desconforto e até dor a terceiros» («Experiência», João Duque, Expresso Economia, 27.08.2016, p. 6).

 

[Texto 7051]

Helder Guégués às 06:00 | comentar | favorito
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24
Ago 16

Como se escreve por aí

A sério?

 

      Aqui uma infeliz julga que se escreve «Ortega & Gasset». Há-de ser uma jovem superformada de agora, habituada a ler listas bibliográficas infindáveis, em que se usa o e comercial (ampersand, para a legião de anglófonos que nos segue) para indicar dois autores de uma mesma obra, como, por exemplo, Masters & Johnson. Mas não: Ortega y Gasset, filósofo espanhol, era só um.

 

[Texto 7039]

Helder Guégués às 07:00 | comentar | ver comentários (4) | favorito