23
Jul 17

«Sob/sobre», a confusão continua

Jornalistas...

 

      «As Ilhas Paracel, no Mar Meridional da China, eram bancos de areia até a China, em menos de dez anos, as ter transformado em paraísos naturais. O arquipélago suscita grande interesse pela suspeita de estar sob jazigos de petróleo e é reivindicado há décadas por vários países da Ásia. A China tenta garantir a soberania ao tornar as ilhas habitáveis» («As ilhas inabitadas que a China transformou em paraísos naturais», Rádio Renascença, 22.07.2017, 17h51).

      Já aqui tínhamos falado do arquipélago das Paracel. Hoje, porém, o caso é pior: mais uma triste vez, um jornalista confunde as preposições sob e sobre. Mas serão mesmo jornalistas que escrevem isto?

 

[Texto 8047]

Helder Guégués às 16:44 | comentar | favorito
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15
Jul 17

«Caçar/cassar»

Uma triste confusão

 

      «“Graças a Deus, as pessoas ainda não têm consciência que mudou para o melhor [sic] do infractor. Antes de 1 de Junho de 2016, se eu cometesse três contra-ordenações muito graves no mesmo dia, era condenada por elas, ficava imediatamente com a carta caçada e, durante dois anos, não podia tirar uma nova. Hoje em dia, cometo no mesmo dia cinco contra-ordenações graves e três muito graves e tenho seis pontos retirados da carta”, critica Maria Teresa Lume [advogada que acaba de publicar um livro sobre contra-ordenações ao Código da Estrada]» («Os portugueses estão a morrer mais na estrada. Porquê?», Rádio Renascença, 15.07.2017, 9h00).

      Como se fala habitualmente em caça à multa, o jornalista nem pensou uma vez; mas não: é carta cassada, isto é, anulada. É uma vergonha que um jornalista dê estes erros. E ninguém o corrige, ninguém vê.

 

[Texto 8029]

Helder Guégués às 11:13 | comentar | favorito
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03
Jul 17

«Sob/sobre», a confusão continua

Não estudem, não

 

      Vamos ver se este também me exige o currículo: «Embora o ministro da Defesa já tenha assumido a responsabilidade política pelo assalto aos Paióis Nacionais, em Tancos, os partidos à esquerda do PS não parecem satisfeitos. Embora não tenham pedido claramente a demissão de Azeredo Lopes, o tom das críticas acentuou-se» (João Moniz, Destak, 3.07.2017, p. 4). Uma notícia assim só merecia um título, este — «Ministro(s) sobre pressão». Que tal? Nota-se muito que confundem coisas básicas?

 

[Texto 7971]

Helder Guégués às 09:30 | comentar | ver comentários (1) | favorito (1)
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14
Mai 17

Ortografia: «bem-haja ≠ bem haja»

Vamos lá desconfundir

 

      «Bem-haja, Papa Francisco!» Assim termina Frei Bento Domingues a sua crónica de hoje no jornal Público («Fátima: que futuro?», p. 39). Termina, e termina mal. Frei Bento Domingues, veja: «Bem haja, Papa Francisco!» Mas: «O nosso bem-haja, Papa Francisco!» Bem haja é uma forma de agradecimento equivalente a «muito obrigado»; bem-haja usa-se como substantivo. Os dicionários, temos de o reconhecer, não ajudam nada na distinção. O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, por exemplo, no verbete obrigado, que define como a «exclamação que exprime agradecimento» (será? Então porque é que de grato não diz o mesmo?), devia acrescentar todos os sinónimos, entre os quais este bem haja. E, em bem-haja, talvez bastasse esta nota: «bem-haja ≠ bem haja».

 

[Texto 7831]

Helder Guégués às 11:27 | comentar | ver comentários (1) | favorito
13
Mai 17

Visões e aparições

Qual a novidade?

 

      Houve por aí alguma agitação quando, esta semana, o P.e Anselmo Borges falou de Fátima e disse, aos microfones da TSF, que na Cova da Iria não houve aparições, mas visões. Que grande novidade, realmente! Em terra de cegos... Só os jornalistas é que são apanhados de surpresa com estas afirmações. Leiam, se fazem favor, o comentário teológico de Joseph Ratzinger a propósito dos acontecimentos na Cova da Iria. Os três pastorinhos não são os videntes de Fátima? Então, os videntes têm visões. (Agora estudem bem o que são, para a teologia, visões.) Ainda assim, ontem, na RTP, António Marujo, jornalista de assuntos religiosos, não deixou de realçar, com alguma surpresa, que Francisco tivesse usado também a palavra «visões».

 

[Texto 7828]

Helder Guégués às 17:08 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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09
Mai 17

«Escopo/escopro»

Nem de longe

 

      «O artista de rua britânico Banksy desenhou em Dover, no Reino Unido, um mural com uma representação da bandeira da União Europeia (UE) e que remete para a decisão do Reino Unido de sair da organização comunitária. O mural apresenta um operário a bater, com um martelo e um escopo, numa das estrelas representadas na bandeira, provocando uma fissura simbólica na União Europeia» («Banksy com nova obra em Dover inspirada no processo do ‘Brexit’», Destak, 9.05.2017, p. 11).

     Pois, todos erramos — mas uns mais, outros menos. Um melhor conhecimento da língua, em que se incluem, obviamente, as variantes, evitaria este erro. Escopo e escopro não têm nenhuma relação, afinidade ou origem comum, nada. E, já agora, devo dizer que na pintura de Bansky me parece estar representado um ponteiro e não um escopro.

 

[Texto 7809]

Helder Guégués às 09:27 | comentar | ver comentários (9) | favorito
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14
Abr 17

Menos uma confusão

Outra bojarda

 

      Aliás, a abécula, confusionista mais trapalhão do que os jornalistas que critica, diz que a bomba matou talibãs. Confunde insurgentes com extremistas. Ah, mas esperem, ele tem uma teoria: insurgente é um horrível anglicismo! Confunde, mais uma vez, etimologia com uso histórico do vocábulo. Até me apetecia oferecer-lhe o Lexicón etimológico y semántico del Latín, de Santiago Segura Munguía, que comprei esta semana, mas eu já lhe dou tanto, quando ele nada merece, é melhor não. Lá para o Natal ocupo-me novamente de ti, não fiques ansioso.

 

[Texto 7718]

Helder Guégués às 22:15 | comentar | favorito
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Léxico: «bojarda/bujarda»

Bojarda do dia

 

      Não vamos esperar pela «nossa especialista em língua portuguesa»: vamos mesmo nós lembrar àquela abécula que bujarda é uma coisa bem diferente de bojarda. Esta, a bojarda, é qualquer disparate ou calinada das grandes; peta; chuto violento; bujarda é um martelo com duas cabeças, usado no acabamento de cantaria. O que me espanta é que ele, armado em parvo e em olisipógrafo (ócios de funcionário público, suspeito), de certeza que já leu a expressão «pedra bujardada» (cá está mais um verbo, bujardar, ignorado pelo Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora), mas, pelos vistos, foi conhecimento tão efémero como manteiga em focinho de cão. Não se incomodem, ele vem cá ler.

 

[Texto 7716]

Helder Guégués às 16:48 | comentar | favorito
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05
Abr 17

Apóstrofo/apóstrofe

Apóstrofo, senhores, apóstrofo

 

      «Um auto-intitulado “vigilante linguístico” percorre as ruas de Bristol, em Inglaterra, durante a noite para corrigir os letreiros das lojas. O erro gramatical mais frequente da cidade é a colocação de apóstrofes. […] Considerado o “Banksy da pontuação”, o primeiro letreiro que corrigiu foi num edifício estatal que tinha, desnecessariamente, duas apóstrofes colocadas. O método de correcção é a colocação de adesivos por cima dos erros. […] Durante o dia, o zelador da língua de William Shakespeare trabalha como engenheiro e dedica-se à família» («Há um vigilante da gramática à solta nas ruas», Rádio Renascença, 5.04.2017, 20h21).

    Está certo: apóstrofe é do género feminino. Está errado: o sinal gráfico chama-se apóstrofo. Há séculos, desde sempre, não é assim desde 1990. Como é que o Banksy da pontuação ia resolver isto? Com autocolantes em milhares de ecrãs de computadores não dava. Claro que sabemos: em inglês, apostrophe designa tanto o sinal gráfico como o recurso estilístico. 

[Texto 7679]

Helder Guégués às 23:37 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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10
Mar 17

Uma mesa muito especial

Erros por todo o lado

 

      Loja de luxo. Na montra, várias peças de mobiliário, entre as quais uma mesinha minúscula muito bonita. Num cartãozinho, também de luxo, este miserável erro: «Mesa com gaveta e pernas espraiadas com aplicações cinzeladas em bronze dourado.» A única coisa espraiadíssima era o preço, de muitas centenas de euros. O que eu vi é que as pernas eram espiraladas e com aplicações cinzeladas de bronze dourado.

 

[Texto 7546]

Helder Guégués às 09:53 | comentar | favorito
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