24
Mai 17

«Vetado ao ostracismo»!

Obrigadinho

 

      «O regime apadrinhava um equipamento que prometia colocar Portugal no mapa dos maiores eventos motorizados mundiais e aliviar um pouco o ostracismo internacional a que o país estava vetado. Para a construção e gestão do circuito foi constituída a empresa Autodril — Sociedade do Autódromo do Estoril. Em Maio de 1971 arrancou a empreitada, que seria concluída em apenas 11 meses» («Autódromo do Estoril, ilegal há 45 anos», Paulo Curado, Público, 24.05.2017, p. 36).

      Já aqui vimos outras variantes do erro: «devotado ao abandono» e «dotado ao abandono». Neste caso, é ao ostracismo, mas a construção é a mesma. As formas erradas são infinitas, ao passo que a forma certa e o cuidado são finitos. Basta que isto chegue ao conhecimento do jornalista Paulo Curado para valer a pena eu perder tempo. Solidariedade e altruísmo também é isso: dizerem-lhe que errou e que, com o seu erro, está a induzir em erro muitas pessoas.

 

[Texto 7866]

Helder Guégués às 11:07 | comentar | favorito
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16
Mai 17

Palavras terminadas em -inho

Ora essa!

 

      Bonito livro, sim senhor, mas: «— Se calhar o tio está apaixonado. Olha para este Pózinhos de per lim pim pim para ela gostar de mim» (A Bruxa Cartuxa no Castelo das 5 Torres, Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada. Alfragide: Editorial Caminho, 2016, p. 24).

      Duas escritoras, professoras... Então não sabem (não ensinam?) que nenhuma palavra terminada em -inho leva acento? Onde está a sílaba tónica? Isto também faz mal às criancinhas; talvez não tanto como o Shin Chan, mas faz mal. Vão chegar ao pós-doc e ainda estão a escrever assim.

 

[Texto 7835]

Helder Guégués às 08:56 | comentar | ver comentários (12) | favorito
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15
Abr 17

«Insurgente», de novo

Já que o pedes

 

      Mas, como é Natal quando um homem quiser, ainda digo: ó abécula, que nem nome tens, não sei o que mais avulta em ti, se a ignorância, se a desonestidade. Não podes vir agora com o salvatério, que só serve para te enganares a ti mesmo, de que «insurgente» é um anglicismo semântico, porque isso apenas os outros vocábulos que referiste são: inteligência por serviços secretos; decepção por engano; revisitar por considerar por outra perspectiva, etc. (Quanto a disruptivo, há aí trapalhada tua, pois afirmas que corresponde a interrupção, quebra, corte, rompimento; um adjectivo por um substantivo?) Não emendes uma bojarda com uma desonestidade.

      Também causa espanto que a abécula, que usa uma grafia pessoal, inventada, ora menos, ora mais destrambelhada, tem dias e horas, ostente no blogue um «selo» contra o Acordo Ortográfico de 1990 (que a Ilcao devia repudiar). Abécula: seja «conformação» ou seja lá o que for, só pode ser «mal-amanhada», não «mal amanhada», isto tendo em conta que o usaste num texto com ortografia quase decente, tirando um ou outro surto psicótico.

 

[Texto 7719]

Helder Guégués às 09:01 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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14
Abr 17

Menos uma confusão

Outra bojarda

 

      Aliás, a abécula, confusionista mais trapalhão do que os jornalistas que critica, diz que a bomba matou talibãs. Confunde insurgentes com extremistas. Ah, mas esperem, ele tem uma teoria: insurgente é um horrível anglicismo! Confunde, mais uma vez, etimologia com uso histórico do vocábulo. Até me apetecia oferecer-lhe o Lexicón etimológico y semántico del Latín, de Santiago Segura Munguía, que comprei esta semana, mas eu já lhe dou tanto, quando ele nada merece, é melhor não. Lá para o Natal ocupo-me novamente de ti, não fiques ansioso.

 

[Texto 7718]

Helder Guégués às 22:15 | comentar | favorito
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09
Abr 17

Como se fala no futebol

Assim se educam as massas

 

  Desde ontem que ando a ouvir, incrédulo, Petit, técnico do Moreirense, nos noticiários da Antena 1 dizer isto: «Por isso, expectitamos um jogo extremamente difícil, mas que vamos trabalhar, lutar, pelos três pontos.» Pilriteiro que dás pilritos, etc. Mas os jornalistas é que não têm vergonha em deixar passar erro tão grosseiro, no que mostram falta de discernimento.

 

[Texto 7693]

Helder Guégués às 10:31 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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05
Abr 17

Apóstrofo/apóstrofe

Apóstrofo, senhores, apóstrofo

 

      «Um auto-intitulado “vigilante linguístico” percorre as ruas de Bristol, em Inglaterra, durante a noite para corrigir os letreiros das lojas. O erro gramatical mais frequente da cidade é a colocação de apóstrofes. […] Considerado o “Banksy da pontuação”, o primeiro letreiro que corrigiu foi num edifício estatal que tinha, desnecessariamente, duas apóstrofes colocadas. O método de correcção é a colocação de adesivos por cima dos erros. […] Durante o dia, o zelador da língua de William Shakespeare trabalha como engenheiro e dedica-se à família» («Há um vigilante da gramática à solta nas ruas», Rádio Renascença, 5.04.2017, 20h21).

    Está certo: apóstrofe é do género feminino. Está errado: o sinal gráfico chama-se apóstrofo. Há séculos, desde sempre, não é assim desde 1990. Como é que o Banksy da pontuação ia resolver isto? Com autocolantes em milhares de ecrãs de computadores não dava. Claro que sabemos: em inglês, apostrophe designa tanto o sinal gráfico como o recurso estilístico. 

[Texto 7679]

Helder Guégués às 23:37 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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24
Mar 17

Tradução: «associate»

Mau, descambamos

 

      «Rowley [comissário adjunto da Scotland Yard] aproveitou fazer [sic] um apelo a quem possa auxiliar nas investigações. “Quem conheceu Khalid Masood e sabe quem são os seus associados pode ajudar e dar-nos informação sobre lugares que visitou recentemente”» («Polícia faz duas novas detenções relacionadas com ataque de Westminster», Rádio Renascença, 24.03.2017, 8h12).

      Afinal, não é só na TSF que se vêem estes erros crassíssimos de tradução. Sim, a polícia usou o termo associates — mas, no contexto, significa cúmplices, como me parece evidente.

 

[Texto 7616]

Helder Guégués às 12:49 | comentar | favorito
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O verbo «assistir», regência

Erro pouco poético

 

      Chegou ontem, e na linha do assunto vinha isto: «CCB | comemora o Dia Mundial da Poesia já este sábado, dia 25 de Março e as bilheteiras para os Dias da Música abrem no dia 23, sexta-feira. Apresse-se antes que esgotem os concertos que mais gostaria de assistir!» Não têm uma gramaticazinha lá no Centro Cultural de Belém?

 

[Texto 7609]

Helder Guégués às 11:32 | comentar | ver comentários (2) | favorito
23
Mar 17

O verbo «aderir», regência

Endesa, não sais daqui ilesa

 

      Queremos ler as notícias na Rádio Renascença, e pimba, salta-nos a publicidade da Endesa, cujos funcionários andam por aí a bater às portas quais Testemunhas de Jeová. Tarifa Quero +. E depois isto (ou esta cagada, se preferirem): «Quantos mais produtos aderir, mais descontos acumula.» Então o verbo aderir não se constrói com a preposição a, suas melgas eléctricas espanholas?

 

[Texto 7607]

Helder Guégués às 19:59 | comentar | favorito
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21
Mar 17

Matusalém e Sísifo

Umas bíblicas, outras não

 

      Estava aqui a ler sobre Matusalém, essa figura bíblica que, como outros patriarcas, era proposto como modelo de identificação religiosa para glorificar a idade e a longevidade e lembrei-me de ter lido no blogue Ouriquense que Miguel Sousa Tavares afirmou na SIC que o mito de Sísifo é uma história bíblica. O Eremita conta-o com mais graça: «Foi preciso Sousa Tavares dizer que o mito de Sísifo é uma história bíblica para voltar a sentir algum sangue nas guelras. Raios, Miguel, então a tua mãe, que amava a Grécia, não te explicou o mito de Sísifo, meu filistino diletante de telegenia perdida? A operação Marquês começa a erodir os pilares da nossa civilização» (para ler tudo, aqui).

 

[Texto 7590]

Helder Guégués às 19:13 | comentar | favorito
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