14
Mai 17

Tradução: «quinquennat»

Não inventem

 

      No Jornal da Tarde, na RTP1, a propósito da tomada de posse de Emmanuel Macron, falaram do «quinquenato» (2012-2017) de François Hollande. Pois é, só que em português diz-se quinquénio; quinquennat é francês.

 

[Texto 7832]

Helder Guégués às 14:07 | comentar | ver comentários (2) | favorito
15
Abr 17

«Insurgente», de novo

Já que o pedes

 

      Mas, como é Natal quando um homem quiser, ainda digo: ó abécula, que nem nome tens, não sei o que mais avulta em ti, se a ignorância, se a desonestidade. Não podes vir agora com o salvatério, que só serve para te enganares a ti mesmo, de que «insurgente» é um anglicismo semântico, porque isso apenas os outros vocábulos que referiste são: inteligência por serviços secretos; decepção por engano; revisitar por considerar por outra perspectiva, etc. (Quanto a disruptivo, há aí trapalhada tua, pois afirmas que corresponde a interrupção, quebra, corte, rompimento; um adjectivo por um substantivo?) Não emendes uma bojarda com uma desonestidade.

      Também causa espanto que a abécula, que usa uma grafia pessoal, inventada, ora menos, ora mais destrambelhada, tem dias e horas, ostente no blogue um «selo» contra o Acordo Ortográfico de 1990 (que a Ilcao devia repudiar). Abécula: seja «conformação» ou seja lá o que for, só pode ser «mal-amanhada», não «mal amanhada», isto tendo em conta que o usaste num texto com ortografia quase decente, tirando um ou outro surto psicótico.

 

[Texto 7719]

Helder Guégués às 09:01 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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21
Mar 17

«Fulano», um terrível insulto

Acabou-se a descrispação

 

      Um grupo de quase mil, certamente respeitáveis, fulanos cidadãos não quer que o futuro aeroporto complementar de Lisboa, previsto para o Montijo, tenha o nome de Mário Soares. O documento, com mais de 9500 assinaturas, deu entrada na Assembleia da República e tem um número suficiente de assinaturas para ser discutido em plenário. «Haja respeito», termina a petição, «por mais de um milhão de portugueses que foram mais que prejudicados por esse fulano.» Claro que palavra tão complexa exigia necessariamente uma nota, que fizeram com recurso a uma simples remissão para o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. Felizmente não é uma palavra polissémica, ou andaríamos aqui às apalpadelas. Mas atentemos nas acepções: «1. pessoa cujo nome não se conhece ou não se quer mencionar; 2. coloquial indivíduo; sujeito». Não se trata certamente da primeira acepção, pois o nome de Mário Soares aparece várias vezes no texto da petição. Assim, se ainda há lógica, é a segunda, terrível, acepção: o Dr. Mário Soares um indívíduo, um sujeito. Terrível insulto!

 

[Texto 7592]

Helder Guégués às 19:20 | comentar | favorito
25
Fev 17

«Brasaria»?

Sobre brasas

 

      «Mas é de transmontanos que falamos, sendo um deles um dos dois sócios desta brasaria — o brigantino Fábio Rodrigues, que levou avante o negócio com Vera Macedo» («A oportunidade da carne», D. M., Evasões, 24.02.2017, p. 50).

      Não estou a ver a utilidade desta macaqueação. Temos palavras para designar um estabelecimento deste tipo, não é preciso semelhante rebaixamento.

 

[Texto 7507]

Helder Guégués às 16:10 | comentar | ver comentários (1) | favorito
30
Nov 16

«Concurso vazio»

Desertos e vazios

 

    «A existência de “problemas com as assinaturas digitais” nas propostas submetidas a 15 de Novembro pela EDP, Prio e Mobilectric, levou a Mobi.e a propor a exclusão de todas elas, para declarar o concurso vazio, explicou Alexandre Videira [presidente da Mobi.e]» («Mobi.e obrigada a repetir concurso para carregadores de veículos eléctricos», Ana Brito, Público, 30.11.2016, p. 19).

   Aqui vimos a expressão concurso deserto, conceito diferente. Isto trouxe-me à mente outra expressão, fruto (quando não furto) da mente esforçada dos nossos burocratas, que é «procedimento concursal».

 

[Texto 7292]

Helder Guégués às 09:43 | comentar | favorito
15
Nov 16

Faz-nos falta «cúltico»?

Vejo-o pela primeira vez

 

      Adjectivo relativo a culto. Não, não se trata de desafio cruzadístico. No original estava o termo inglês cultlike, que o tradutor verteu por «cúltico», o que eu nunca antes vira.

 

[Texto 7241]

Helder Guégués às 20:32 | comentar | ver comentários (5) | favorito
04
Nov 16

«Revenir»?

Voltar atrás

 

   E por coisas que nunca antes víramos, e, em alguns casos, preferíamos nunca ver, no portal da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Protecção das Crianças e Jovens — deixem-me descansar, o nome tirou-me o fôlego —, sobre as Comissões de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ) diz-se que «como instituições oficiais não judiciárias com autonomia funcional que visam promover os direitos da criança e do jovem e revenir ou pôr termo a situações susceptíveis de afectar a sua segurança, saúde, formação, educação ou desenvolvimento integral». «Revenir»?! Mas isso não é francês?

 

[Texto 7221]

Helder Guégués às 15:07 | comentar | ver comentários (4) | favorito
08
Out 16

«Andorrenho»?

Alguém conhecia?

 

      «Em vez de colocar um homem a servir de tampão às saídas do adversário, Portugal optava por condicionar o jogo andorrenho antes de a bola chegar a sair da área contrária, com André Gomes e Moutinho a bloquearem todo o sistema nervoso central do inimigo» («Furacão Cristiano arrasa no regresso do campeão europeu», Augusto Bernardino, Público, 8.10.2016, p. 46).

      O gentílico de Andorra mais usado é, quase de certeza, andorrano, seguido de andorrense e andorriano. Nunca antes tinha lido ou ouvido «andorrenho», que, aliás, não vejo registado em nenhum dicionário.

 

 

[Texto 7146]

Helder Guégués às 15:34 | comentar | ver comentários (4) | favorito
04
Out 16

Como se fala na televisão

Não MAAT a língua

 

     Ainda no mesmo Jornal da Tarde, na RTP1, Pedro Gadanho, o director do novíssimo MAAT, Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia, afirmou, com muita hesitação, é certo, que o edifício foi concebido para «promocionar o maior usufruto possível» da zona. Não consegui ouvir mais nada, como devem compreender. Depois admiram-se de que o consumo de ansiolíticos triplicasse em Portugal nos últimos anos.

 

[Texto 7139]

Helder Guégués às 20:27 | comentar | ver comentários (1) | favorito

Como se fala na televisão

Antes surdo

 

    A correspondente da RTP em Bruxelas, a jornalista Fernanda Gabriel, revelou hoje, no Jornal da Tarde, que os governos «serão audicionados no Parlamento Europeu» sobre a questão dos fundos comunitários. Falou ainda de certa «reunião que reúne» não sei quê e ainda de outra «presidida pelo presidente». Não consegui ouvir mais nada, como devem compreender. Depois admiram-se de que o consumo de ansiolíticos triplicasse em Portugal nos últimos anos.

 

[Texto 7138]

Helder Guégués às 15:09 | comentar | favorito
13
Set 16

Ainda a «presidenta»

Seja um brasileiro

 

   «Presidenta inocenta?» Enxerguem-se! Mas vejam o que um brasileiro (certamente não típico) diz da forma como Dilma se exprime (porque da inclassificável indumentária nada direi): «Na terça-feira, à tarde, Dilma discursava para o Senado e para as câmaras de televisão. Quem estava em casa via, em primeiro plano, a rotunda ainda presidente (vestida com o que parecia a capa de um sofá) a lamuriar-se (numa língua vagamente semelhante ao português) da sua má sorte na vida» («Impeachment e cocaína», Edson Athayde, Dinheiro Vivo, 3.09.2016).

 

[Texto 7080]

Helder Guégués às 00:06 | comentar | ver comentários (1) | favorito