29
Jul 17

Nomenclatura científica

Mostrem lá que aprenderam

 

   «Os olivicultores alentejanos estão preocupados com a rápida propagação da “xylella fastidiosa”, uma bactéria que já tem como alcunha de “ébola das oliveiras” e que ataca especialmente o café e árvores como a oliveira, a amendoeira, o pessegueiro, a laranjeira e o limoeiro. Quando uma destas árvores é infectada, a bactéria impede a circulação da seiva e provoca a sua morte» («A “ébola das oliveiras” está a assustar os produtores alentejanos», Rádio Renascença, 28.07.2017, 15h40).

      Será que alguma vez estes jornalistas ouviram falar em nomenclatura científica? Com certeza que não. No sistema binomial, já o lembrei aqui várias vezes, a primeira palavra deve ser escrita com letra inicial maiúscula; a segunda, com letra inicial minúscula, e tudo em itálico (ou, como no caso, entre aspas). Logo, Xylella fastidiosa. Difícil?

 

[Texto 8066]

Helder Guégués às 20:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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02
Nov 16

Os Rifenhos e o Makhzen

Mais português

 

      «No entanto, alguém estava a filmar, com um telemóvel, e colocou o vídeo na Internet — ouvem-se gritos, e vê-se quando é esvaziado o camião. O vídeo foi colocado no Facebook, no Twitter, e desencadeou uma reacção de horror, e protestos a nível nacional, em que se ouviram palavras contra o Makhzen — o termo que descreve [sic] o Palácio Real. “Mohcine foi assassinado, a culpa é do Makhzen”, ouviu-se nas manifestações de Casablanca e na capital, Rabat, além das cidades do Rif. A última onda de protestos foi na segunda-feira» («Uma questão para o rei: quem matou Mouhcine Fikri no camião do lixo?», Clara Barata, Público, 2.11.2016, p. 22).

      Eu não o grafaria em itálico: Makhzen, ou Dar al-Makhzen. Tal como também escrevo Rife, e não Rif, a região montanhosa de Marrocos Setentrional, cujos naturais ou habitantes são os Rifenhos.

 

[Texto 7216]

Helder Guégués às 20:40 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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15
Jul 16

Itálico e siglas/acrónimos

Concordo que deve ser assim

 

      «Não é o board de editorialistas do NYT que vai escolher o próximo secretário-geral das Nações Unidas, mas em Abril estávamos claramente no acto I do processo. […] O NYT já terá descoberto que Guterres não
 usa quatro nomes, mas continua a não ser claro se os 20% de hipóteses de ganhar que 
o ex-primeiro-ministro português dizia ter subiram ou não» («Guterres, acto II», editorial, Público, 14.07.2016, p. 44). «Nesse dia, o DN dava conta de uma circular do Agrupamento
 de Escolas de Montemor-o-Novo onde os pais eram informados que nem o transporte escolar, nem o fornecimento de refeições, nem os prolongamentos de horário estavam assegurados na tarde de dia 10, já que a câmara dera dispensa aos funcionários do município para poderem ir à manifestação» («Quem paga os autocarros da CGTP?», João Miguel Tavares, Público, 14.07.2016, p. 48).

 

[Texto 6956]

Helder Guégués às 15:29 | comentar | favorito
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03
Mai 16

Avatar

E para brincar

 

  «Marcos Ferreira, de 18 anos, está a preparar um tellagami, apresentação animada com um avatar que reconhecerá e falará com a sua voz, sobre o que é um LED» («Nesta sala, os professores não têm secretária e os conteúdos são problemas para resolver», Sara Dias Oliveira, Público, 3.05.2016, p. 10).

    Tem, realmente, muitas potencialidades esta aplicação (não digam nem escrevam app, se faz favor), a Tellagami, sobretudo no ensino. Mas garanto-lhe, Sara Dias Oliveira, que avatar não tem de estar grafado em itálico.

 

[Texto 6786]

Helder Guégués às 23:13 | comentar | favorito
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05
Out 15

Furacão «Joaquín»

Deixem-no ser espanhol

 

   «O furacão Joaquín, de categoria quatro, dirigia-se ontem para as Bermudas, depois de ter causado quatro mortos nos Estados Unidos. Recorde-se que o furacão tinha aumentado de intensidade sábado com ventos até 240 quilómetros por hora» («Bermudas em alerta perante furacão Joaquín», Destak, 5.10.2015, p. 10).

    Noutros jornais, o furacão é mais português — Joaquim —, mas não me parece opção acertada. É nome próprio, mantém-se, salvo raras excepções. Aqui, só uma coisa falhou: o nome do furacão devia ser grafado entre aspas ou em itálico.

 

[Texto 6291]

Helder Guégués às 20:48 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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10
Set 15

Mas estão aportuguesadas!

Um retrocesso

 

      «A outra novidade de relevo é a câmara iSight (traseira) que passa a ter 12 megapixels, um sensor mais eficiente e 50% mais pixels que a anterior. Passa também a gravar vídeo de ultrarresolução 4K e a câmara frontal ganha um flash para selfies, Retina Flash, passando a 5 megapixels» («Apple lança dois novos iPhones, iPad Pro e reinventa televisão», Ana Rita Guerra, Diário de Notícias, 10.09.2015, p. 19).

      Os artigos sobre tecnologia já são, por natureza, repletos de termos em itálico — pelo menos no Diário de Notícias, que respeita, e relativamente bem, esta parte do código da escrita —, mas, quando os jornalistas ignoram que alguns vocábulos já foram aportuguesados ou traduzidos, tudo piora. Ana Rita Guerra, é píxel e megapíxel. Está nos dicionários, caramba. Neste artigo, e alguns com várias ocorrências, temos: link, online, smartphones, peek, pop, marketing, performance, megapixels, pixels, flash, selfies, wifi, design, set-top-box, updates, apps. Ficamos com a cabeça inclinada, como se fôssemos amblíopes.

 

[Texto 6223]

Helder Guégués às 07:03 | comentar | favorito
07
Ago 15

Um «hamster» mais nosso

Mais nosso

 

   «A equipa de Uli Herrmann, do Instituto de Neuropatologia do Hospital Universitário de Zurique, e colegas testou uma larga gama de politiofenos em ratinhos e hamsters infectados com priões, para identificar o mais eficaz em termos de neutralização» («Criada molécula que bloqueia os priões», Público, 7.08.2015, p. 27).

    O que sei é que vejo cada vez mais a palavra poster aportuguesada em póster (pósteres); e, apesar da estranha sequência -mst-, não vejo razão para não usarmos também com mais frequência hámster/hámsteres.

 

[Texto 6141]

Helder Guégués às 10:49 | comentar | ver comentários (3) | favorito
05
Ago 15

Ortografia: «Acacia longifolia»

Não é português

 

    «Mas neste caso, o insecto escolhido — da espécie Trichilogaster acaciaelongifoliae — tem uma relação específica com a acácia-de-espigas (Acacia longifólia), da qual depende para o seu ciclo reprodutivo. As fêmeas põem os ovos nas gemas das plantas — de onde brotam os ramos ou flores» («Um minúsculo insecto australiano vai combater as acácias em Portugal», Ricardo Garcia, Público, 5.08.2015, p. 15).

      Ricardo Garcia queria escrever Acacia longifolia, que é a forma como se grafam, na terminologia científica, estes nomes.

 

[Texto 6128]

Helder Guégués às 07:14 | comentar | favorito
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04
Ago 15

Operações policiais

Mas se é o mesmo...

 

      «José Guilherme e Ricardo Salgado foram alvo de investigações por branqueamento de capitais no decorrer da operação Monte Branco e terão sido escutas relacionadas com esse processo que acabaram por dar origem à operação Marquês, pela qual José Sócrates está detido. […] e a operação brasileira que ficou conhecida como “Máfia dos Vampiros”, em que a Octapharma e Paulo Lalanda e Castro foram investigados por manipulação nas vendas de hemoderivados ao Ministério da Saúde brasileiro» («Tudo bons rapazes», João Miguel Tavares, Público, 4.08.2015, p. 48).

      Tratar diferentemente o que é igual, João Miguel Tavares? Está mal. Ambas operações, serão grafadas ou em itálico ou entre aspas, não das duas formas no mesmo texto.

 

[Texto 6121]

Helder Guégués às 20:04 | comentar | favorito
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13
Mai 15

Outra salmonela

Esta ainda é pior

 

      «Apanha-se febre tifóide quando se come ou bebe alimentos com a bactéria Salmonella Typhi. Os sintomas incluem náuseas, febre e pintas rosas na região do peito. A doença pode matar cerca de 20% dos doentes» («Febre tifóide resistente “veio para ficar”», Kate Kelland, Público, 13.05.2015, p. 27).

   Espantosamente, quase certo: é Salmonella Typhi. Ou Salmonella enterica serovar Typhi.

 

[Texto 5844]

Helder Guégués às 09:34 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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23
Abr 15

«À la», de novo

Não era óbvio

 

      «Note-se que não quero estar aqui a forçar paralelismos, por muito popular que o professor Boaventura seja na América Latina e muito amor exale pelos regimes bolivarianos. Felizmente, vivemos num país onde os
cantos de sereia da esquerda à la Podemos atingem uma fatia muito pequena do eleitorado» («Espanha e a ciência cri-cri», João Miguel Tavares, Público, 23.04.2015, p. 48).

      Já tivemos oportunidade de falar aqui desta locução adverbial, à la, ou seja, à maneira de, no estilo de, à. Não avisámos então, porque me parecia óbvio, que o que se segue não tem de vir em itálico.

 

[Texto 5784]

Helder Guégués às 10:16 | comentar | favorito
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