20
Jul 17

Como se escreve por aí

Para ↑ e para

 

      Na RR: «O “frontman” do grupo californiano foi encontrado sem vida na sua casa de Palos Verdes, em Los Angeles. Tinha 41 anos e deixa seis filhos» («Morreu Chester Bennington, vocalista dos Linkin Park», Rádio Renascença, 20.07.2017, 19h19). Na TSF: «Chester Bennington, vocalista dos Linkin Park, foi encontrado morto esta quinta-feira, avança o TMZ. Segundo a publicação, que cita fontes policiais, o cantor terá cometido suicídio» («Vocalista dos Linkin Park encontrado morto. Chester Bennington tinha 41 anos», TSF, 20.07.2017, 19h32).

 

[Texto 8043]

Helder Guégués às 20:39 | comentar | favorito (1)
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17
Jul 17

E o sujeito é...?

Isto é pior

 

      «Com 17,8% do buzz [sic] social do ano, correspondente a 378 mil menções, o setor automóvel foi aquele que mais vezes foi referenciado ao longo de 2016. […] Para isso, a empresa baseou-se nas mais de 2 milhões de menções às marcas que compõem o seu painel fixo monitorizado (denominado Barómetro de Marcas)» («Automóveis dominam as redes sociais», Destak, 17.07.2017, p. 4).

    Eles sabem lá o que é ou qual é o sujeito! E isto propinado aos milhares, deve deixar alguma mossa nos já escassíssimos conhecimentos linguísticos da população.

 

[Texto 8032]

Helder Guégués às 12:03 | comentar | favorito
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Como se escreve nos jornais

Essa é boa

 

      «A produção de banana na Região Autónoma da Madeira deverá atingir este ano as 22 toneladas, sendo que 85% se destina à exportação para o mercado nacional» (Destak, 17.07.2017, p. 5).

      Exportação para o mercado nacional... Bem, parece que temos de alargar o sentido de «exportar», não? Isso, ou contratar um bom revisor.

 

[Texto 8031]

Helder Guégués às 09:28 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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12
Jul 17

«Ex-», uso e abuso

Pensem

 

   «Quantas vidas tem o (ex-)líder do Estado Islâmico?» (Carolina Branco, Observador, 11.07.2017, 21h34). O uso que muitos jornalistas fazem do prefixo ex- é de morrer a rir. Estes podiam estudar melhor a língua, já que não têm de estudar dossiês (de novo a tal que «tem resistido ao aportuguesamento»!). Suponha-se (já bati três vezes na madeira da secretária, fiquem descansados, e ainda vou ler no Dicionário de Superstições de Orlando Neves que mais posso fazer) que o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, no regresso da visita de Estado ao México morria num acidente de aviação. Nesse caso, os jornalistas também escreveriam «morreu o ex-Presidente da República»? Vá lá, raciocinem um pouco.

 

[Texto 8011]

Helder Guégués às 08:14 | comentar | favorito
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08
Jul 17

«Bucket list»

Insistem

 

      «Estudo, a que o Destak teve acesso, tem como base uma amostra de mil inquiridos em cada um dos 12 países europeus participantes, com o objetivo de “inspirar os portugueses a procurar concretizar os sonhos da sua ‘bucket list’ [lista de coisas a fazer antes de morrer]”» («O sonho de dar a volta ao planeta», Destak, 7.07.2017, p. 11).

      Por qualquer motivo, insistem em usar palavras e expressões em inglês. Em primeiro lugar, nesta lista do que fazer antes de esticar o pernil, para os Portugueses, está dar a volta ao mundo (53 %). Nela não encontramos, curiosamente, importar um «filho» da América, mas está, por exemplo, formar família (41,2 %).

 

[Texto 7988]

Helder Guégués às 10:04 | comentar | favorito
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20
Abr 17

«Incubar/encubar»

Até ao fim dos tempos

 

      Evidentemente, não é só de melhores dicionários que precisamos, mas de falantes mais competentes, sobretudo se são jornalistas: «Abraham Poincheval é o nome do artista francês que, durante três semanas, vai virar galinha. Sim, galinha. E como? Ao encubar 10 ovos com o seu próprio calor corporal até que ecludam. O artista irá ficar dentro de uma vitrina, no museu Palais de Tóquio, em Paris, e pode ser observado pelos curiosos que o visitem, conta a BBC» («O artista que vai chocar 10 ovos em Paris», Observador, 30.03.2017, 12h06).

      O artigo cita um artigo da BBC, onde se lê: «How? By incubating 10 eggs with his own body heat.» Como é que o jornalista não consulta um dicionário? Como é que, caramba, não repara na ortografia da palavra inglesa? Encubar é recolher em cuba, envasilhar; incubar é chocar ovos. São, por isso, parónimos, ou seja, palavras que se aproximam na ortografia e na pronúncia, mas com significado diferente. Será sempre necessário, até ao fim dos tempos, continuar a falar das coisas simples, básicas.

 

[Texto 7740]

Helder Guégués às 22:58 | comentar | ver comentários (5) | favorito
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27
Mar 17

Como se traduz nos jornais

Mais em benefício próprio

 

      Duas miúdas, no aeroporto de Denver, foram ontem impedidas de embarcar num voo da United Airlines porque vestiam leggings. Revolta nas «redes sociais». «Ao que tudo indica, as duas meninas estariam a viajar em beneficio [sic] de uma empresa, e esse tipo de viagens pede uma forma de vestir mais cuidada. Ainda assim, as justificações da United Airlines não convenceram a maioria e várias celebridades norte-americanas ameaçam deixar de voar com a companhia» («O caso das leggings que impediram duas meninas de voar na United Airlines», Observador, 27.03.2017, 12h11).

       Ora esta, a viajarem em benefício de uma empresa... E como é isso, o jornalista do Observador pode explicar-nos? Enquanto esperamos, vamos tentar perceber por outros meios. No Twitter, a companhia área respondeu: «The passengers this morning were United pass riders who were not in compliance with our dress code policy for company benefit travel.» Ah, company benefit travel, ou seja, é uma regalia atribuída aos trabalhadores da United Airlines, provavelmente certo número de viagens gratuitas, um passe.

 

[Texto 7630]

Helder Guégués às 19:19 | comentar | favorito
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21
Mar 17

Nem o latim escapa

Lorem ipsum

 

      Imagino o Tio Aires lá na Aldeia de Mato quando leu com toda a atenção a sua secção preferida no Público e, na legenda à imagem do artigo sobre o jogo FC Porto-V. Setúbal, deparou com isto: «Legenda Em delit am, conullum zzril illa aut alis nit adigna corting eriustrud» («Sem décima, sem liderança e sem sombra de Soares», Augusto Bernardino, Público, 20.03.2017, p. 38). Caramba, até este latim de encher, por acaso ciceroniano, Lorem ipsum dolor sit amet..., foi desvirtuado. Podia ser, sei lá, «asinus asinum fricat asinus asinum fricat asinus asinum fricat...», mas não. Confesso: o Tio Aires não lê o Público, mas sim o Correio da Manhã, que às 8 da noite, numa rotina à prova de bomba, já está a forrar a casota da Frisquette, a pêlo de arame que veio do frio (da Suíça).

 

[Texto 7593]

Helder Guégués às 19:22 | comentar | favorito
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18
Mar 17

Como se escreve na imprensa

Vamos lá aferir isto

 

      Esta tarde, houve uma enorme explosão no Bairro de Sainte-Gilles, no centro de Bruxelas. Ao que parece, registaram-se sete feridos. E agora, que se segue? «Por razões de segurança», lê-se no Observador, «15 moradores foram evacuados e uma empresa irá auferir quais os edifícios afetados na sequência da explosão» («Explosão “enorme” em Bruxelas faz vários feridos», Ana Cristina Marques, Observador, 18.03.2017).

      Usa o verbo auferir, mas manifestamente não sabe o que a palavra significa. Com sorte, é desta que aprende. Como a notícia está em actualização, está a tempo de a corrigir. Sobre uma empresa, lê-se isto na RTL: «Une société spécialisée doit arriver pour sécuriser les bâtiments touchés.»

 

[Texto 7578]

Helder Guégués às 18:23 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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05
Mar 17

Desferir sentenças?

Falemos de loucos

 

   «Ao longo dos últimos 35 anos, arrostou com o seu “gesto de Fátima” — como costuma chamar ao atentado — e diz que fez de quase tudo para sobreviver: contabilista, advogado, agricultor, mecânico de bicicletas» («Francisco é “inimigo da Europa”, diz padre que tentou matar Papa», Natália Faria, Público, 5.03.2017, p. 10).

   Gosto de ler os artigos desta jornalista, o que não significa que concorde sempre com a forma como escreve. Por exemplo, no artigo de hoje: aquele «arrostou com» deixa-me muitas dúvidas. E nesta frase: «Durante o julgamento, repetiu que a sua intenção fora “atravessar o coração” de João Paulo II. Mas, ainda antes de desferida a sentença, mostrava-se já menos combativo, apaziguado até.» As sentenças desferem-se, quais balas? Quanto a Juan Krohn, é o parvalhão de sempre (aproveito a fórmula que um homenzinho invejoso, e claramente com uma aduela a menos, me dirigiu. Cumps.).

 

[Texto 7527]

Helder Guégués às 12:26 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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02
Mar 17

«Presidenciável», modo de usar

Aprender português na América

 

   «Trump foi mais presidenciável mas tem Washington para convencer» (Sérgio Aníbal, Público, 2.03.2017, p. 24). Mas, Sérgio Aníbal, Trump já é presidente, e presidenciável é o que reúne as condições consideradas necessárias para ser presidente. Não percebe? Uma vez que está aí em Washington, olhe à sua volta. The Economist: «Donald Trump sounds more presidential, yet stays a populist».

 

[Texto 7521]

Helder Guégués às 08:51 | comentar | favorito
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