28
Mai 17

Carta de condução/licença de condução

Melhoremos a definição

 

      Fiquei um tudo-nada surpreendido que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora registasse a expressão carta de condução num verbete independente, e que tem esta definição: «documento oficial que reconhece uma pessoa como capaz de conduzir um ou mais veículos, autorizando-a a fazê-lo». Não me convence. A carta de condução, na definição legal, é o documento que titula a habilitação legal para conduzir ciclomotores, motociclos, triciclos, quadriciclos pesados e automóveis. Ao documento que titula a habilitação legal para conduzir outros veículos a motor diferentes daqueles dá-se o nome de licença de condução.

 

[Texto 7879]

Helder Guégués às 20:39 | comentar | favorito
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Léxico: «alogénico»

Falta o mais usado

 

      «No caso de Bruna houve complicações graves, mais uma vez com um nome difícil e que lhe prolongaram a estadia: doença do enxerto contra hospedeiro — que acontece nos chamados transplantes alogénicos, em que a medula vem de um dador — com as novas células a atacar o corpo onde foram depositadas. A taxa de sucesso dos transplantes ronda os 50%» («Isolados num quarto para recuperarem a vida lá fora», Romana Borja-Santos, Público, 28.05.2017, p. 10).

      Transplantes alogénicos. Está certo. O que está errado é o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, que em alogénico, que diz pertencer ao domínio da petrologia, remete para alotigénico, que define assim: «relativo a detritos». Na acepção do artigo, «alogénico» há-de ser usado todos os dias, mas quem consulta o dicionário para saber o seu significado fica desamparado; na acepção dicionarizada, poucas vezes será usado. Segundo o tipo de doador, os transplantes podem ser autotransplantes (transplantes autólogos), alotransplantes (transplantes alogénicos) ou xenotransplantes (transplantes xenogénicos). E mais: «autólogo» e «xenogénico» só os podemos encontrar no Dicionário de Termos Médicos, mas com uma incompreensível diferença no tratamento da definição.

 

[Texto 7877]

Helder Guégués às 12:26 | comentar | favorito
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27
Mai 17

Léxico: «triciclo ferroviário»

Afinal, há em português

 

      «A antiga Refer (hoje designada Infra-estruturas de Portugal) tornou público que pretende concessionar 15 quilómetros do desactivado Ramal de Cáceres, entre Castelo de Vide e a estação fronteiriça de Beirã (concelho de Marvão), “para o desenvolvimento da actividade de animação turística recorrendo à utilização de veículos tipo railbike, com capacidade para duas ou quatro pessoas, adaptados ao carril ferroviário e exclusivamente movidos a pedal”. […] O mesmo acontece numa inha de via métrica da Catalunha, exclusiva para tráfego de mercadorias que, por não ter comboios aos domingos, serve para experiências de ciclorail por parte dos entusiastas. […] Mas já a França é a campeã do vélo-rail, como ali é designado. […] Em Portugal, os triciclos ferroviários não são, em rigor, uma novidade. Até meados do século XX eram usados pela própria CP para que os responsáveis da segurança inspeccionassem a linha férrea» («E se pudesse percorrer 15 quilómetros de via-férrea... a dar ao pedal?», Carlos Cipriano, Público, 27.05.2017, p. 17).

      Afinal, não era necessário nenhum termo estrangeiro: em português é triciclo ferroviário. E também há quadriciclos ferroviários.

 

[Texto 7875]

Helder Guégués às 19:42 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «canabinóide»

E outra

 

      «No que diz respeito às chamadas novas substâncias psicoactivas, verificou-se uma alteração. Enquanto em anos anteriores os consumidores preferiam substâncias estimulantes, com efeitos parecidos com os do MDMA e da cocaína ou canabinoides sintéticos, este ano deu-se um aumento da procura de produtos com efeitos psicadélicos» («Consumo de álcool “problemático” em Portugal. Canábis é a droga ilícita mais consumida», Rádio Renascença, 26.05.2017, 13h50).

     Não o encontramos em todos os dicionários. E claro que se escreve canabinóide. Na Rádio Renascença, que não segue o Acordo Ortográfico de 1990, deviam saber isto.

 

[Texto 7874]

Helder Guégués às 18:45 | comentar | favorito
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26
Mai 17

Léxico: «quico» e «corta-corrente»

Entretanto

 

      Enquanto esperamos que torque/binário tenha uma definição mais compreensível nos nossos dicionários, vamos notando a falta de dicionarização de outros vocábulos deste âmbito, lidimamente portugueses ou aportuguesados. Assim, ainda aguardamos por guarda-mão e por subquadro. Mas podemos já juntar-lhes corta-corrente (que muita gente não sabe para que serve) e quico (ainda muito útil, para arranque por magnetismo), por exemplo. Até nos livros de código vejo este aportuguesamento. Antes isto do que kick, ou kick-starter, e também melhor, por ser mais curto, do que «pedal de arranque».

 

[Texto 7873]

Helder Guégués às 14:27 | comentar | favorito
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Léxico: «teleassistência»

Será prudente

 

      «Vila Nova de Gaia já conta com um projeto-piloto de teleassistência para apoio a idosos que vivem sozinhos, indicou o presidente da câmara, Eduardo V. Rodrigues» (Destak, 26.05.2017, p. 4).

      Quem diria que teleassistência, que já anda por aí há alguns anos, ainda não foi acolhida nos nossos dicionários? E quanto é que querem apostar que há quem — falantes «qualificados» — não saiba escrever a palavra? Ah, pois. Ou separam «tele», ou escrevem só com um esse, ou usam hífen, enfim, qualquer um destes erros, quando não dois ao mesmo tempo.

 

[Texto 7872]

Helder Guégués às 10:08 | comentar | favorito
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Agora os pneus

Grande novidade

 

      «Como “ler” um pneu: os mitos em torno do significado das letras e números que surgem no flanco do pneu são muitos, mas tudo se explica rapidamente. Tratam-se [sic] de informações do pneu, que vão desde o seu código de homologação (para cada país) à data de construção, passando ainda pelas dimensões do mesmo. Por exemplo, num pneu 215/55 R16, o 215 refere-se à largura (em milímetros) do piso (entre as paredes do pneu); o 55 à relação de série do pneu, ou seja, a altura daquela secção é 55% do valor da largura; o R ao tipo de pneu, neste caso Radial e, por fim, o 17 menciona o diâmetro da jante em polegadas. O índice de carga (peso máximo que pode suportar) e o código de velocidade também estão inscritos no pneu» («Segredos dos pneus: O que deve saber deste componente essencial!», Motor 24, 24.05.2017).

      Agora vou passar a olhar também para os pneus dos carros. Piso, ombros, paredes, talão, revestimento butílico, tudo vai ser objecto de atenção. Estou a brincar. E, no entanto, há actividades bem menos úteis: a imprensa de ontem veio revelar (?) que, quanto mais usamos o Facebook, pior nos sentimos, segundo um estudo publicado na Harvard Business Review.

 

[Texto 7871]

Helder Guégués às 00:19 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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25
Mai 17

Léxico: «toroidal»

Sempre alguma coisa nova

 

      «Redondo? Nem por isso: um pneu poderia parecer redondo, mas na verdade tal não é verdade. Um pneu não é 100% redondo, mas sim toroidal. Se no mundo perfeito isso deveria ser uma realidade, a prática dita uma grande dificuldade para produzir um pneu totalmente redondo devido a várias fases de produção que apenas resultam no formato toroidal perto do processo de elaboração do pneu» («Segredos dos pneus: O que deve saber deste componente essencial!», Motor 24, 24.05.2017).

    Toroidal: em forma de toro. Pois claro, mas eu não conhecia o vocábulo. Mas alguns dicionários registam — e, como exemplos, são mais claros, a meu ver — que toroidal é a forma da câmara-de-ar ou do dónute.

 

[Texto 7870]

Helder Guégués às 23:59 | comentar | favorito
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Léxico: «jaquinzinho»

Ei-los de volta

 

    «Assim, os pescadores vão poder comercializar o pescado do primeiro lance, independentemente das [sic] capturas terem um tamanho inferior ao mínimo de referência. Será, portanto, capturar e vender em lota o carapau pequeno, os chamados jaquinzinhos» («Já é possível pescar e comprar jaquinzinhos legalmente», TSF, 24.05.2017, 18h42). O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora de jaquinzinho remeter, sem mais, para carapau é um erro.

 

[Texto 7869]

Helder Guégués às 21:13 | comentar | favorito
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Léxico: «cogumelo mágico»

Ou ninguém sabe

 

      «Das 12 mil pessoas que admitiram, no estudo, ter consumido em 2016 cogumelos mágicos, apenas 0,2% sentiram necessidade de recorrer às urgências hospitalares. Trata-se de uma taxa cinco vezes mais baixa do que a de outras drogas comuns como o Ectasy, LSD e cocaína» («Cogumelos mágicos: a droga recreativa mais segura», TSF, 24.05.2017, 17h57).

   Devia estar nos dicionários: quantos falantes não os procuram aí? O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, contudo, nem sequer psilocibina regista.

 

[Texto 7868]

Helder Guégués às 15:34 | comentar | favorito
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