23
Nov 17

Léxico: «rinquim»

Porque é nosso

 

      Num programa no Nat Geo Wild, estavam agora mesmo a falar do rinquim, que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não regista, e devia, pois o rinquim (Isurus oxyrinchus) é um tubarão de sangue quente que se avista nas águas dos Açores.

 

[Texto 8381]

Helder Guégués às 19:56 | comentar | favorito
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Léxico: «fotónica»

Falta a ciência

 

      «Nuno Peres é professor catedrático e vice-presidente da Escola de Ciências da UMinho. É o primeiro físico português a dedicar-se, desde 2004, à investigação do grafeno, a forma bidimensional do carbono com potenciais aplicações na eletrónica, na fotónica, nos materiais compósitos, nos sensores e nas ciências da vida» («Nuno Peres é o cientista português mais citado no mundo», Rádio Renascença, 23.11.2017, 11h46).

    Neste caso, é precisamente ao contrário do que dissemos para hidroacústico: o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora só acolhe fotónico, o adjectivo. Sim, e então o substantivo fotónica, a ciência? Distraíram-se.

 

[Texto 8380]

Helder Guégués às 19:08 | comentar | favorito
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Léxico: «topo-hidrográfico»

Melhor do que em inglês

 

      «Este levantamento topo-hidrográfico está a ser feito numa área de 13 quilómetros, desde Alcoutim até ao Pomarão» («Marinha quer tornar Rio Guadiana mais seguro e turístico», Maria Augusta Casaca, TSF, 23.11.2017, 15h24).

      No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, temos mapa (e planta) topográfico, pelo que se registar também levantamento topo-hidrográfico (topographic and hydrographic survey, para a legião de anglófonos que nos segue) só fará bem.

 

[Texto 8379]

Helder Guégués às 19:04 | comentar | favorito
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Léxico: «hidroacústico»

Que vê pouco

 

      «O capitão Enrique Balbi, porta-voz da Marinha argentina, explicou que foram informados de um registo oficial, na área de operação do submarino, para uma “anomalia hidro-acústica” [sic], que terá ocorrido poucas horas depois da perda de contacto com o navio. O capitão adiantou que é um som que deve ser analisado e recusou classificar o som detectado como uma explosão» («Argentina. Detectada possível explosão na última localização de submarino desaparecido», Rádio Renascença, 23.11.2017, 14h43).

      O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora só acolhe hidroacústica, «estudo do som dentro de água». Sim, e então o adjectivo relativo à hidroacústica? Distraíram-se. (Não tarda e tenho aí o Pitosga — por vezes, sem querer, acertamos no nome — a esclarecer-me que é mesmo «hidro-acústica» que se escreve. Não, Pitosga, é mesmo sic.)

 

[Texto 8378]

Helder Guégués às 15:31 | comentar | favorito
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Léxico: «esquilo-vermelho»

Só o da Sibéria

 

      «Em declarações à agência Lusa, a coordenadora do estudo, Rita Rocha, disse que até ao mês de Outubro houve mais de 1.800 avistamentos de esquilos-vermelhos entre os rios Minho e Tejo, um resultado considerado “muito optimista” para o futuro da espécie em Portugal» («Foram dados como extintos em Portugal, mas os esquilos estão de volta», Rádio Renascença, 23.11.2017, 7h52).

      Ena, tantos avistamentos, caramba, e no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora nem sequer um. Pois é, o esquilo-vermelho (Sciurus vulgaris) não o encontramos lá, apenas o esquilo-da-sibéria (Tamias sibiricus). Quer dizer, o mais comum em Portugal é que falta no dicionário...

 

[Texto 8377]

Helder Guégués às 11:08 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «tilacino»

E este?

 

      Há mais: também ao tilacino (Thylacinus cynocephalus), outro nome do tigre-da-tasmânia ou lobo-da-tasmânia, um marsupial também já extinto, em toda a Infopédia só o encontramos nos dicionários bilingues. Homessa! Não chega, e são demasiadas pontas soltas.

 

[Texto 8376]

Helder Guégués às 11:06 | comentar | favorito
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22
Nov 17

Léxico: «quaga»

Cavalo selvagem

 

      Não se tira nada dos dicionários, pelo contrário, levamos para lá mais palavras, pois faltam neles muitas. Por exemplo: «O pombo-passageiro já não existe, estamos esclarecidos. Mas isso significa que nunca voltará a existir? As novas técnicas de edição genética fornecem-nos ferramentas que permitem ambiciosos planos de “recuperação” de espécies. E há já algumas tentativas nos laboratórios, para esta e outras espécies. “Os projectos em curso para ‘recuperar’ espécies extintas — seja este pombo, o auroque [um bovino de grande porte extinto] ou a guaga [um mamífero extinto parecido com a zebra] — trabalham no sentido de recuperar um fenótipo que se assemelha ao da espécie extinta”, explica Rute Fonseca [investigadora no Centro de Bioinformática da Universidade de Copenhaga]» («Martha lembra-nos como uma espécie com milhões é extinta», Andrea Cunha Freitas, Público, 22.11.2017, p. 26).

    Cá está: a jornalista não o encontrou nos nossos dicionários e escreveu-o como lhe pareceu melhor, ou de qualquer maneira, sabe-se lá. Então, se o nome científico é Equus quagga quagga, como poderia ser «guaga»? É quaga, e em toda a Infopédia só o encontramos no dicionário de Inglês-Português. Muitas pontas soltas. Na verdade, eu até mais naturalmente seria levado a aportuguesar para cuaga, que é justamente como o fez João Felix Vieira na sua obra Equídeos – Da Pré-História às Áreas Urbanas do Século XXI (Rio de Janeiro: Clube de Autores, 2012).

[Texto 8375] 

Helder Guégués às 21:28 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «pombo-passageiro»

Ou todos ou nenhum

 

    «Chamaram Martha ao último pombo-passageiro que vivia num jardim zoológico em Cincinnati, nos EUA. Morreu a 1 de Setembro de 1914 e com Martha desapareceu definitivamente da Terra toda a sua espécie (Ectopistes migratorius) que, dizem os registos do passado, chegava a escurecer o dia por minutos com bandos de milhões de aves a passar no céu» («Martha lembra-nos como uma espécie com milhões é extinta», Andrea Cunha Freitas, Público, 22.11.2017, p. 26).

      Qual a razão para não estar nos dicionários? Estar extinto? Então, tirem de lá os dinossauros, os auroques, os mamutes, os dodós. E mais: «Enquanto isso, há já projectos de edição genética a tentar “ressuscitar” o pombo-passageiro ou algo muito parecido com ele.»

 

[Texto 8374]

Helder Guégués às 21:02 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «hidroagrícola»

Em inglês?

 

      «“Não licenciar novas captações próprias em perímetros urbanos ou servidos pela rede pública de abastecimento, nem nas áreas abrangidas pelos aproveitamentos hidroagrícolas públicos”, é uma das recomendações [da Agência Portuguesa do Ambiente]» («Quase 3500 novos furos de água nos últimos quatro meses», Luciano Alvarez, Público, 22.11.2017, p. 14).

      No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, por exemplo, não está. Que fazemos? Escrevemos em inglês, hydro-agricultural, é isso?

 

[Texto 8373]

Helder Guégués às 20:33 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «fangue»

Explorados e esquecidos

 

      O artista plástico Fernando Nguema era guinéu-equatoriano e, mais concretamente, fangue. Andámos por África a fazer as nossas tropelias, e agora, nem nos dicionários conservamos os seus gentílicos afeiçoados à nossa língua. Lamentável. No Boletim Geral do Ultramar, não falta nenhum, e todos escritos como deve ser: Azandes, Bandas, Congos, Fangues, Lubas, Mongos, Quiocos, Teques, Tetelas, etc. Destes, o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora apenas acolhe, salvo erro, dois, e de forma injustificadamente desigual (já o disse a respeito de outros gentílicos), pois um aparece como masculino plural, Quiocos, e o outro como singular, congo. Dadas as dificuldades de interpretação que por aí vejo, não me parece boa opção.

 

[Texto 8372]

Helder Guégués às 19:57 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «quiquiriqui»

Galos e frangos

 

      Apareceu-me aqui um galo a cantar «quiquiriqui». Erro de estatuto? É que eu pensava que os galos é cocorocó e os frangos quiquiriqui. «Faz o carneiro mé... mé.../O galo cocorocó,/O frango quiquiriqui,/O menino faz oó...» Já não é assim? No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, os frangos não cantam assim, mas quase: quiqueriqui.

 

[Texto 8371]

Helder Guégués às 18:02 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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