21
Jul 17

Léxico: «queimódromo»

E outras que hão-de surgir

 

      «A EDP Corrida do Parque à Noite está de volta ao Parque da Cidade do Porto e a temática da edição deste ano é o universo e imaginário da saga Star Wars. A corrida e caminhada deste ano apresenta uma distância de 8 km, destinada a todas as classes etárias, e irá ter lugar no próximo sábado, dia 22 de julho, pelas 21h30, no Parque da Cidade do Porto, com partida e chegada no recinto do Queimódromo» («Corrida do Parque à Noite no sábado numa galáxia muito muito distante...», Destak, 21.07.2017, p. 2).

     Era, pois, só esperar, como disse: aqui pudemos ver pescódromo e aqui praxódromo. 

 

[Texto 8044]

Helder Guégués às 07:06 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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20
Jul 17

«Judicialista», de novo

Já são muitas

 

      «A condenação de Lula da Silva, o referendo anti-Maduro na Venezuela e a radicalização do regime turco de Taayp Erdogan foram temas em destaque no Fora da Caixa desta semana, com Pedro Santana Lopes e António Vitorino. “A onda judicialista só existe porque os sistemas estão degradados”, afirma o antigo comissário europeu António Vitorino» («“Onda judicialista só existe porque os sistemas estão degradados”», Rádio Renascença, 19.07.2017).

   Já a vimos aqui, e o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora continua a ignorá-la. Aqui vimos outra, juridismo, mal usada pelo eurodeputado Paulo Rangel (que um dia virá aqui explicar-nos o que pretendeu dizer), que aquele dicionário não regista (e faz bem, pois não se sabe o que significa exactamente), como não regista juridicismo.

 

[Texto 8042]

Helder Guégués às 13:29 | comentar | ver comentários (6) | favorito
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Síndrome do imperador

Este é bem conhecido

 

     «O juiz considerou que “os actos foram pontuais e devido a provocação por parte do menor”. O magistrado entendeu que a atitude da criança deve ser seguida por especialistas pois necessita de “correcção imediata”, uma vez que aparenta sinais de “síndrome de imperador”, isto é, resiste às ordens dos pais ou de terceiros, podendo adoptar comportamentos violentos» («Criança espanhola processa mãe por ter levado um estalo», Rádio Renascença, 20.07.2017, 7h23).

    O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, que regista cinco síndromes — das centenas que existem? —, não conhece esta que é, afinal, das mais conhecidas, pelo menos dos pais.

 

[Texto 8041]

Helder Guégués às 09:57 | comentar | ver comentários (5) | favorito
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19
Jul 17

Léxico: «biliverdina»

Não é bem isso

 

      Na Escócia, uma golden retriever pariu vários cachorrinhos, um deles verde, o que raramente acontece. A cor, que se irá desvanecendo, é-lhe dada pela biliverdina, o nome do pigmento que é resultado da oxidação da bilirrubina. O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora diz-nos que é o «pigmento biliar derivado da bilirrubina, abundante nos carnívoros». Não é bem assim: encontra-se biliverdina na casca dos ovos das aves e na placenta das cadelas.

 

[Texto 8040]

Helder Guégués às 19:53 | comentar | favorito
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17
Jul 17

Léxico: «presidencialização»

Está na hora, não?

 

      Anda muita gente a falar do risco da presidencialização do sistema de governo. Alheio a tudo isto está o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, que não regista o vocábulo presidencialização.

 

[Texto 8038]

Helder Guégués às 20:13 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «crenco»

Esquecem meia bicicleta

 

      Ontem fui ao aniversário do Quico, na Margem Sul. Ah, vocês não conhecem... Mas quico: o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora ainda não registou um aportuguesamento como este que é usado há muito (falámos aqui dele). Devem preferir que se escreva e diga kick ou kick-starter. Outro aportuguesamento usado todos os dias e que aquele dicionário também não regista: crenco. Estão a ver do que se trata? É cada uma das peças que se vai encaixar no pedaleiro e a que se fixam os pedais, nas bicicletas. Adivinharam: vem do inglês crank. E, contudo, regista cranque, do mesmo étimo, «eixo mecânico em forma de cotovelo».

 

[Texto 8033]

Helder Guégués às 12:35 | comentar | ver comentários (5) | favorito
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14
Jul 17

Léxico: «progesterónico»

Dizer tudo

 

      «Os hospitais portugueses autorizados para a realização de abortos adquiriram nos últimos dez anos 134.564 comprimidos de mifepristona, conhecida como “pílula abortiva”, desde que a interrupção da gravidez até às dez semanas foi despenalizada» («Dez anos de despenalização do aborto. Hospitais compraram 130 mil pílulas abortivas», Rádio Renascença, 14.07.2017, 10h15).

     Só vamos encontrar mifepristona no Dicionário de Termos Médicos da Porto Editora («Fármaco antigestacional, administrado por via oral, exclusivamente em meio hospitalar, que tem uma ação antiprogesterónica»), o que pode não ser o mais acertado, pois o leitor comum vai procurá-lo apenas no Dicionário da Língua Portuguesa. Seja como for, as dificuldades não acabam aí: neste dicionário não encontrará progesterónico nem, embora menos útil, antiprogesterónico. E mais: eu acrescentaria, porque o dicionário não é para farmacêuticos, que o fármaco é vulgarmente conhecido como pílula abortiva.

 

[Texto 8025]

Helder Guégués às 18:06 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «gramata-branca»

Apresento-te a gramata-branca

 

      «Uma nova espécie de bactéria descoberta por três biólogos da Universidade de Aveiro (UA) recebeu o nome ‘Saccharospirillum correiae’, em homenagem ao microbiólogo António Correia, falecido em 2016. Esta nova bactéria, que foi descrita recentemente na revista científica International Journal of Systematic and Evolutionary Microbiology, é uma, entre muitas outras novas espécies, que vive no interior de uma planta comum na ria de Aveiro, mais conhecida por gramata-branca» («Microbiólogo português dá nome a nova espécie de bactéria», Rádio Renascença, 14.07.2017, 13h07).

      Está muito bem, mas o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não sabe o que é a gramata-branca (Halimione portulacoides).

 

[Texto 8023]

Helder Guégués às 15:52 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «cravar»

É para corrigir

 

      «Mas foi mesmo assim e tanto gostava de apagar aqueles dias em que a tensão das aulas me levava a cravar um cigarro ao meu querido compulsivo fumador Fernando Miranda, sentado à minha direita, e depois a ir comprando eu própria um maço de vez em quando para não estar sempre a cravar, e depois menos de vez em quando, e depois» (Onde está J.?, Julieta Monginho. Prior Velho: Campo das Letras, 2002, p. 224).

      Sim, o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista cravar e até cravanço, que hoje li num título do Destak que o Oleksandr, o meu motorista (e vosso, porque da Uber), aceitou e me passou para o banco de trás: «“Cravanço” impera na hora de fazer férias». Muito bem, mas a definição – «acção de cravar, de pedir dinheiro» – não está correcta, como se pode comprovar pela citação mais acima e sabemos do dia-a-dia.

 

[Texto 8022]

Helder Guégués às 15:24 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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13
Jul 17

«Madeixas californianas»

Radical...

 

   «É magra e bronzeada, tem enormes olhos azuis, uma pulseira desmesurada no braço e os óculos escuros a segurarem-lhe o cabelo loiro de madeixas californianas» (Diz-me Quem Sou, Sophie Kinsella. Tradução de Carmo Vasconcelos Romão. Alfragide: Quinta Essência, 2016).

      Madeixas californianas (California-girl hair, no original). Têm este nome, ao que parece, porque os surfistas da Califórnia clareiam o cabelo, e sobretudo as pontas, com parafina. Lembrei-me disto porque li ontem no Notícias ao Minuto que Rita Pereira, que já usou madeixas californianas, mudou «radicalmente de visual». Radicalmente... Estes jornalistas são peritos em léxico sensacionalista: «radical», «drama», «tragédia», etc.

 

[Texto 8020] 

Helder Guégués às 11:23 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «turcomeno»

Manat et manabit

 

      «Na peregrinação de Julho participam bispos da Federação Russa, do Cazaquistão, da Bielorrússia e do Turquemenistão, outrora anexados pela URSS» («Aparição de Fátima tem “um significado especial” para a Rússia», Aura Miguel, Rádio Renascença, 13.07.2017, 1h04).

      E os naturais do Turquemenistão são os...? O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não sabe. São os Turcomenos, que é um povo turcófono, palavra que aquele dicionário também desconhece (regista turcófobo). Na verdade, daquele país só sabe que a unidade monetária é o manat, a mesma do Azerbaijão.

 

[Texto 8019]

Helder Guégués às 09:26 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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