28
Mai 17

No incrível mundo do ensino

Ah, as homófonas

 

      Uma professora do 1.º ciclo que não sabe distinguir soar de suar nem ruído de roído? Pode ser que o mundo não acabe, sobretudo se nunca houver avaliação de desempenho. E não será ela mais uma dessas criaturas que, em vez de procurar saber um pouco mais, perde horas e dias no Facebook?

 

[Texto 7878]

Helder Guégués às 12:41 | comentar | favorito
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27
Mai 17

Com que então arena...

Já era

 

     «O Presidente da Turquia, Recep Erdogan, pediu ao ministro do Desporto para banir a palavra “arena” dos nomes dos estádios, por considerar que é um termo estrangeiro que se refere ao local das lutas de gladiadores. Vários estádios incluem “arena” no nome devido a patrocínios» («Erdogan quer banir palavra “arena” dos estádios», Público, 27.05.2017, p. 26).

    Para isto também há-de dar muito jeito ser ditador, não é? E quem desobedecer pode, não apenas perder a mão com que o escreveu, mas a cabeça com que tão mal o pensou.

 

[Texto 7876]

Helder Guégués às 19:56 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «triciclo ferroviário»

Afinal, há em português

 

      «A antiga Refer (hoje designada Infra-estruturas de Portugal) tornou público que pretende concessionar 15 quilómetros do desactivado Ramal de Cáceres, entre Castelo de Vide e a estação fronteiriça de Beirã (concelho de Marvão), “para o desenvolvimento da actividade de animação turística recorrendo à utilização de veículos tipo railbike, com capacidade para duas ou quatro pessoas, adaptados ao carril ferroviário e exclusivamente movidos a pedal”. […] O mesmo acontece numa inha de via métrica da Catalunha, exclusiva para tráfego de mercadorias que, por não ter comboios aos domingos, serve para experiências de ciclorail por parte dos entusiastas. […] Mas já a França é a campeã do vélo-rail, como ali é designado. […] Em Portugal, os triciclos ferroviários não são, em rigor, uma novidade. Até meados do século XX eram usados pela própria CP para que os responsáveis da segurança inspeccionassem a linha férrea» («E se pudesse percorrer 15 quilómetros de via-férrea... a dar ao pedal?», Carlos Cipriano, Público, 27.05.2017, p. 17).

      Afinal, não era necessário nenhum termo estrangeiro: em português é triciclo ferroviário. E também há quadriciclos ferroviários.

 

[Texto 7875]

Helder Guégués às 19:42 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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24
Mai 17

Léxico: «privilège du blanc»

Não mudamos

 

      «A mantilha é parecida com um véu, mas tende a ser de renda, ou com bordados, e mais pesada que um véu. Antigamente, era habitual as mulheres católicas usarem mantilha na missa e algumas ainda o fazem, sobretudo, em meios mais tradicionalistas. […] Contudo, existe uma excepção a esta regra. Certas mulheres beneficiam de um privilégio que lhes permite vestir de branco na presença do Papa. O chamado “privilège du blanc” apenas se aplica a algumas, e não todas, as rainhas e princesas católicas» («Porque é que Melania Trump parecia que ia para um enterro? Porque é assim mesmo», Filipe d’Avillez, Rádio Renascença, 24.05.2017, 10h16).

   Parece que são apenas sete as rainhas ou princesas católicas que beneficiam deste privilégio. A duquesa de Bragança, se fosse rainha consorte, não teria este privilégio. Mais um motivo para não mudarmos de regime... Seja como for, benditos limites materiais da revisão.

 

[Texto 7867]

Helder Guégués às 23:04 | comentar | favorito
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21
Mai 17

Margarida e Rita

Relações íntimas

 

      «[Rita] Trata-se de um dos diminutivos mais sortudos, que se tornou independente há séculos da forma base que é “Margherita”» («O santo onomástico da semana», Enzo Caffarelli, O Meu Papa, ed. n.º 8, 19.05.2017, p. 58).

    Diminutivo, sim, mas diminutivo especial: para estes, devemos reservar a designação hipocorístico. Assim, Margaridinha é diminutivo, ao passo que Rita é hipocorístico de Margarida, mas que se tornou, como acontece também noutros casos, independente. Hipocorístico de Margarida é, igualmente, Guida.

 

[Texto 7856]

Helder Guégués às 17:58 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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20
Mai 17

Quem fala assim?

Ou estão a brincar

 

      «“A falar ninguém os leva presos” diz Passos, sobre “retórica” do Governo» TSF, 20.05.2017, 1h00). Deve ser engano dos jornalistas: Jerónimo de Sousa é que fala desta maneira engraçada, e de certeza que disse isto mesmo do Governo de Passos Coelho há três ou quatro anos.

 

[Texto 7854]

Helder Guégués às 16:44 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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18
Mai 17

«By my beard»

Pela barba de Júpiter!

 

      Sim, a tradutora ignorou aquele «by my beard». Eu sei, eu sei: não se traduz tudo. Mas, caramba, este é um juramento que já vem da Antiguidade, Gregos e Romanos juravam pela barba de Júpiter. Nas fábulas, até o leão jura pela sua barba. Par ma barbe!

 

[Texto 7847]

Helder Guégués às 08:57 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «Madona»

Louise Ciccone ou a Virgem Maria?

 

      A cantora Madonna foi vista em Lisboa, no Hotel Ritz. Entretanto: «Pela primeira vez em Portugal, é apresentada uma exposição com obras dos Museus do Vaticano. A partir de quinta-feira, o Museu Nacional de Arte Antiga mostra “Madonna – tesouros dos Museus do Vaticano”» («Museus do Vaticano mostram “obras excepcionais” no Museu de Arte Antiga», Maria João Costa, Rádio Renascença, 17.05.2017, 9h21). Pois é, mas, tanto quanto sei, e o director do Museu Nacional de Arte Antiga, António Filipe Pimentel, não sabe, é que em português se escreve Madona. (No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, só falta uma coisa: indicar que se escreve habitualmente com maiúscula inicial.)

 

[Texto 7843]

Helder Guégués às 05:51 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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08
Mai 17

Ainda sobre «favela»

Cada coisa em seu lugar

 

      Que coincidência, hein? Tenho muita sorte. «O jornalista e escritor argentino Bernardo Verbitsky (1907-1979). Em 1957 cunhou o termo villas miserias para definir os bairros degradados que se erguem nas margens das cidades argentinas» («Biscoitos de S. Bernardino», O Meu Papa, ed. n.º 6, 5.05.2017, p. 41).

      Pois é, caro Luís Seabra Duque, não precisamos de «favela». Cada coisa no seu lugar: as villas miserias argentinas, as favelas brasileiras, as callampas chilenas, as colonias mexicanas, os barrios brujos panamenhos, os cantegriles uruguaios, as poblaciones nuevas peruanas, e por aí fora.

 

[Texto 7807] 

Helder Guégués às 15:14 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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04
Mai 17

Fachos portugueses e franceses

Com ovos, não com balas

 

      «À chegada de Le Pen à empresa de transportes, em Dol-de-Bretagne, cerca de 50 manifestantes gritaram “Fora com os fachos!” e “A senhora não tem nada a fazer aqui”, ao mesmo tempo que lançavam ovos na direção da candidata da Frente Nacional no momento em que saía do automóvel» («Le Pen recebida com ovos em visita a empresa na Bretanha», TSF, 4.05.2017, 15h47). Sim, e em francês é exactamente igual: «Son service d’ordre a immédiatement réagi pour mettre la candidate d’extrême droite à l’abri. Les œufs ont vraisemblablement été lancés par un groupe d’opposants. Ils étaient une cinquantaine à scander des slogans hostiles tels que “Dehors les fachos” ou “Vous n’avez rien à faire ici, Madame”» («Marine Le Pen accueillie par des jets d’œufs à Dol-de-Bretagne», Claire Tervé, HuffPost, 4.05.2017, 14h13). É um pouco estranho que em francês seja também facho. Não terá sido forjado à semelhança de anarcho?

 

[Texto 7791]

Helder Guégués às 20:11 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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