13
Nov 17

Campos de futebol como medida

Alguma coisa mudou

 

      «Mais de dois mil operacionais estiveram envolvidos no combate às chamas, que consumiram 53 mil hectares de floresta, o equivalente a cerca de 75 mil campos de futebol» («Ajuda pós-fogos. “Prontamente é o que se faz na Galiza. Em Portugal é estudos”», Rádio Renascença, 13.11.2017, 10h45).

      Ah, os famigerados campos de futebol, a medida de todas as coisas para os jornalistas portugueses. Mas esperem! Alguma coisa mudou: não faziam equivaler um campo de futebol a um hectare? Eu sei, eu sei, os campos de futebol não têm todos as mesmas dimensões. Mas insisto: o que mudou? Qual é agora o padrão?

 

[Texto 8333]

Helder Guégués às 19:15 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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07
Out 17

A futebolização da realidade

Preferimos hectares

 

      Na TSF não gostam de abstracções. As crianças também são assim, mas nestas é uma fase. Ontem, disseram que a área ardida este ano em Portugal equivale a 215 mil campos de futebol. Estão a ver: dizer que era 250 mil hectares não é compreensível por toda a gente. Mas para os milhões, como eu (e vivo junto de dois dos maiores), que nunca puseram os pés num estádio de futebol, essa também não deixa de ser uma abstracção, e um pouco estranha.

 

[Texto 8196]

Helder Guégués às 14:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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04
Out 17

«Pôr água na fervura»

Que lêem, que ouvem?

 

      Ontem apanhei um grande susto: ao fim da tarde, num noticiário na Antena 3, avisaram que o rei Filipe II ia falar à nação. Eu já não sabia de que terra era nem em que tempo estava. E hoje também já me arrepiei com uma frase do jornalista Tiago Pimentel no Público: «Julen Lopetegui, ex-treinador do FC Porto e actual seleccionador espanhol, sentiu necessidade de colocar água na fervura» («Gerard Piqué, o futebolista no centro da tempestade», p. 14). Um jornalista... «Esse sentimento era particularmente agudo no núcleo que habitava na capital checa, o que levou Cunhal a tentar pôr água na fervura numa reunião com os comunistas portugueses de Praga convocada para novembro do mesmo ano, e onde Cândida Ventura também estava» (Álvaro Cunhal. O Homem e o Mito, Joaquim Vieira. Carnaxide: Objectiva, 2013, p. 190).

 

[Texto 8188]

Helder Guégués às 09:51 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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01
Out 17

Mais colocações

Nada literárias

 

      Com que então, ia ganhar as eleições... Até a Madonna, isto é, João Ferreira, vai ficar à frente. Ah, mas esperem, este blogue é de questões linguísticas. Corta!

      Duas colocações nada literárias: «Sempre que o seu caprichoso dono se embrenhava nos mais intrincados raciocínios matemáticos, Diamond, o cão do génio, tratava de passar despercebido, evitando ladrar, latir ou uivar, só para não desencadear uma manifestação de cólera que poderia mesmo colocar a sua canina existência em perigo» (Amados Cães, José Jorge Letria. Revisão de Henrique Tavares e Castro. Cruz Quebrada: Oficina do Livro, 3.ª ed., 2008, p. 49). «E é natural que isso tenha acontecido, já que se estava em presença de um drama simples e tocante, que coloca em cena temas como a velhice e a solidão» (idem, ibidem, p. 173).

 

[Texto 8182] 

Helder Guégués às 21:44 | comentar | ver comentários (8) | favorito
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21
Jun 17

Como falam os jornalistas

Nas suas sete quintas

 

      Na cobertura dos vários incêndios que estão a devastar o País, os jornalistas já apanharam outro tique: agora falam muito — mas ainda não o vi escrito — do «carrossel» de «meios aéreos». Parece que, entretanto, e em compensação, se esqueceram um pouco das «ignições». E ontem alguns jornalistas presentes no anunciado «briefing» (também se pelam por usar esta) suspeitaram que os responsáveis da Protecção Civil não estivessem muito «confortáveis» para anunciar a queda (a «caída», dizia uma jornalista) de uma aeronave. O que é natural, diga-se, porque afinal não caiu nenhuma.

 

[Texto 7936]

Helder Guégués às 22:23 | comentar | favorito
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29
Dez 16

«Barreira simbólica»

Ou psicológica

 

      «As concentrações de dióxido de carbono na atmosfera superaram este ano a barreira simbólica de 400 partes por milhões [sic] e a tendência é para subir. No oceano Ártico, o calor conduziu ao degelo anual que se produz de forma antecipada.» É um excerto de uma notícia da SIC já do mês de Julho, mas a expressão de que vou tratar repete-se, tenho a certeza, todos os dias. Porquê «barreira simbólica»? Simbólica de quê? Por vezes, variante desta, porventura, é a «barreira psicológica». Os revisores do jornal Le Monde vieram agora também falar da barre symbolique: «Il est tout à fait possible de se passer de l’expression “passer sous la barre de, etc.”, et encore plus si elle est qualifiée de “symbolique”. Mais pour ceux qui ne peuvent s’en... passer, sachez qu’il est parfaitement inutile d’employer le pluriel: “sous la barre des 10 %”, par exemple ; “de” est bien suffisant et plus économique. Il est tellement plus simple d’écrire: “le déficit est passé sous 10 %”. Là aussi, c’est plus économique que “le déficit est passé sous [la barre symbolique des] 10 %”.» São manias sem fronteiras, está visto.

 

[Texto 7364]

Helder Guégués às 18:41 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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12
Dez 16

Como se escreve por aí

Diacho

 

      «Morreu o líder da Opus Dei», li agora mesmo no sítio da TSF. Coisas da Lusa, escarrapachadas tal qual, nem que sejam enormidades, em jornais e sítios que tais. E mais: «Javier Echevarría, morreu devido a uma insuficiência respiratória derivada de uma infeção pulmonar.» Chega, ou ainda vou ter pesadelos. Até amanhã.

 

[Texto 7320]

Helder Guégués às 23:56 | comentar | favorito
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27
Nov 16

Os «locais», de novo

Já é modismo

 

      «Em Santiago, Alípio de Freitas recebeu treino militar, de guerrilha. Durante uma folga desse treino, aproveitou para conhecer uma aldeia, perto do campo. Os locais faziam fardos de feno, com erva molhada, e Alípio alertou que os feixes, ao serem feitos com essa erva molhada, acabariam por apodrecer. Fidel estava lá, na aldeia, ouviu a explicação e dirigiu-se a Alípio. Foi aí que se conheceram pessoalmente» («Alípio de Freitas: O toque mágico, de fazer bem e amar, vai com Fidel», TSF, 26.11.2016).

    Os «locais», pois... Muito inglês. Custa a crer que os aldeões fizessem os fardos com a erva molhada. Naturalmente não seriam aldeões, mas professores castigados, não?

 

[Texto 7282] 

Helder Guégués às 20:49 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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06
Set 16

Puxar pelo pensamento...

Da nossa repórter cultural

 

      Gostava de ter ido à Festa do Livro, nos jardins do Palácio de Belém, mas estava por esses dias em Peniche (por acaso, no hotel e durante todo o tempo em que se realizou a Escola de Quadros do CDS). Teresa Nicolau, da RTP, interrompeu Pedro Mexia, consultor cultural do Presidente da República, e que também esteve na Escola de Quadros, para nos ofertar esta pérola: «... e vamos ter várias conversas. Por exemplo, a ideia também é puxar um bocadinho pelo pensamento, ou seja, colocar as pessoas a reflectir aqui nestes jardins.»

 

[Texto 7062]

 

 

Peniche.PNG

Helder Guégués às 12:00 | comentar | favorito
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07
Ago 16

Fora de controlo

Língua em fogo

 

      Eduarda Maio, no noticiário das 11 da manhã de ontem, na Antena 1: «Na freguesia de Melres e Medas, em Gondomar, a preocupação dos bombeiros, a esta hora, com um incêndio que começou ontem à tarde, e que já esteve controlado, voltou a descontrolar-se esta manhã, a preocupação, dizia eu, dos bombeiros a esta hora é a urbanização da Costeirinha, porque o fogo anda lá perto [...].»

    O incêndio «esteve controlado, voltou a descontrolar-se»... Pobre língua, pobres ouvintes.

 

[Texto 7006]

Helder Guégués às 07:59 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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20
Abr 16

Je suis brésilien

Quem te viu

 

      «Juízes que vão decidir sobre Lula viraram vedetas de TV». O leitor culto acha logo que é um título da estimável Folha de Caiapônia. Mas não. É do Diário de Notícias.

 

[Texto 6757]

Helder Guégués às 23:07 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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