22
Mai 17

Léxico: «gratô»

O pior há-de ser o nome

 

      «É semelhante a uma gelatina com polpa e chama-se ‘gratô’. Este produto alimentar eco-inovador e 100% natural foi produzido por uma equipa de estudantes de mestrado da Faculdade de Ciências de Coimbra, com a colaboração da Escola Superior Agrária de Coimbra (FCTUC)» («Investigadores de Coimbra criam ‘gratô’. Novo alimento combina fruta e algas», Rádio Renascença, 22.05.2017, 10h46).

      O Ratatui não se lembraria de um nome mais francês. Mas está bem, desde que não tenha aspecto nojento e seja saboroso. Será que se escreve «eco-inovador»?

 

[Texto 7859]

Helder Guégués às 17:03 | comentar | ver comentários (3) | favorito
17
Mai 17

Léxico: «ciclotossauro»

Acabadinho de chegar do frio

 

      «Uma nova espécie de anfíbio, com 208 milhões de anos, o maior descoberto até à data na Gronelândia, foi anunciada por uma equipa internacional que integra os paleontólogos da Universidade Nova de Lisboa Octávio Mateus e Marco Marzola. […] O ciclotossauro [Cyclotosaurus naraserluki] da Gronelândia viveu há 208 milhões de anos, no Triásico, no início da evolução dos dinossauros, e permite aos paleontólogos melhor compararem fósseis de faunas escavadas em diferentes continentes» («Tem 208 milhões de anos e 2,5 metros. É o maior anfíbio da Gronelândia», Rádio Renascença, 17.05.2017, 10h41).

      Não precisamos de uma comissão de sábios: podem levá-lo para os dicionários. É também aí que tem de estar fossilizado.

 

[Texto 7840]

Helder Guégués às 14:13 | comentar | ver comentários (1) | favorito
13
Mai 17

Léxico: «cibersegurança»

Sempre à frente

 

      «“Vi que esse domínio não estava registado e pensei, “Acho que vou ficar com isso”, disse o especialista ao jornal digital “Daily Beast”. Por cerca de 10 dólares – o preço habitual de um qualquer domínio – os dois ciberseguranças conseguiram evitar que o vírus encriptasse mais computadores, uma vez que o ataque de sexta-feira mostrou uma capacidade alta de se propagar globalmente» («Como acabar com o ataque informático que deixou todo o mundo em alarme? Comprando um domínio por 10 dólares», Rui Barros, Rádio Renascença, 13.05.2017, 14h20).

      Pois é, a realidade vai sempre mais à frente: os dicionários registam o termo cibersegurança como o estado de protecção contra ciberataques, mas os falantes sentem necessidade de dar nome a quem faz da cibersegurança a sua actividade. É isto a evolução da língua, e não, por exemplo, deixar de escrever «bem-vindo», assim, com hífen, como se lê no cartaz no Marquês de Pombal, iniciativa de leigos católicos. Vá lá, puseram a vírgula: «Bem Vindo, Papa Francisco!»

 

[Texto 7827] 

Helder Guégués às 16:48 | comentar | ver comentários (1) | favorito
07
Abr 17

Léxico: «azeitólogo»

Por mim, perfeito

 

      «No sector da olivicultura, o tema vem por vezes à baila. Que nome dar ao criador de azeites? Técnico de azeite? Oleiólogo? Azeitólogo? Outro. Admito que se possa um dia arranjar um nome que não provoque risinhos. Mas, para o que hoje nos interessa, temos de dar os parabéns à empresa Masaedo, pelo facto de ter a coragem de — julgamos que pela primeira vez — mencionar nos contra-rótulos dos seus azeites o nome do azeitólogo que os cria [Nuno Rodrigues]» («Já temos um azeitólogo assumido», Edgardo Pacheco, «W»/Jornal de Negócios, 7.04.2017, p. 20).

      É pena é «o facto de», mas não compreendo os risinhos. Azeitólogo já anda por aí em livros, e não apenas em contra-rótulos. Se aparecer outro melhor, avisem. Mais estranho é, por exemplo, enólogo, e ele lá entrou nos hábitos.

 

[Texto 7689]

Helder Guégués às 18:52 | comentar | ver comentários (2) | favorito
22
Mar 17

Léxico: «nanocápsula»

Não há nas farmácias

 

    «A descoberta é de cientistas da universidade espanhola de Salamanca e consiste num aerossol que se usa como um inalador normal, através do qual entram no corpo nanocápsulas inteligentes capazes de levar o medicamento directamente às células dos tumores» («Método promissor de combate ao cancro pode poupar horas de tratamento a doentes», Rádio Renascença, 22.03.2017, 13h14).

    Vejo-o em dicionários de outras línguas, pelo que, se for para os nossos, acho muito bem. São cápsulas nanométricas, ocas e de forma esférica, que servem de invólucro para pequeníssimas quantidades de produtos farmacêuticos, enzimas ou outros catalisadores.

 

[Texto 7599]

Helder Guégués às 20:34 | comentar | ver comentários (1) | favorito
21
Mar 17

Léxico: «(des)emparelhar»

É impressionante

 

      De vez em quando, como agora, o meu Garmin Vivoactive fica desemparelhado do telemóvel. E não é fácil voltar a emparelhá-lo. Cá estão duas acepções de dois verbos diariamente usadas, e que os dicionários não registam. Estranhamente, diga-se. Logo numa área, como a das modernas tecnologias, em que o inglês impera, e não se aproveita para caucionar o uso de verbos da nossa língua.

 

[Texto 7585]

Helder Guégués às 07:55 | comentar | ver comentários (1) | favorito
17
Mar 17

Léxico: «ciberocupação»

Também do espaço virtual

 

      «Chama-se “ciberocupação” e significa a usurpação de domínios de Internet. […] As queixas são apresentadas por titulares de marcas registadas, que afirmam que alguém registou um nome igual ou similar ao seu, gerando a confusão entre os utilizadores da Net. Isto porque a “ciberocupação” faz com que os cibernautas sejam desviados para páginas diferentes das que, na realidade, queriam consultar e onde são disponibilizados conteúdos diferentes, que, em alguns casos, têm que ver com a oferta de produtos falsificados da marca original» («‘Ciberocupação’ com mais queixas em 2016», Destak, 17.03.2017, p. 8).

 

[Texto 7573]

Helder Guégués às 09:50 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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14
Mar 17

Léxico: «pendurante»

Muito bem

 

   «Para travar estas vendas, a Deco tem a partir de agora um “pendurante” disponível nos seus serviços ou descarregável na internet para colocar à porta com a indicação “Vendas à minha porta, não”» («Uma solução para quem está farto de vendedores à porta», Nuno Guedes, TSF, 14.03.2017, 7h55).

      Ora aqui está: precisava-se de uma palavra, formou-se uma de um verbo. De pendurar, pendurante. Outros teriam optado, disso podemos ter a certeza, por um termo inglês ou francês. Se sobrevive ou não, isso ninguém o pode dizer. Sim, bem sei que não foi inventado agora, mas nunca como agora vai ter tanta divulgação.

 

[Texto 7556]

Helder Guégués às 09:32 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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05
Fev 17

Léxico: «seroprevalência»

Admita-se

 

      «Trata-se de um projeto do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, que dá conta que uma “das doenças em que o PNV [Programa Nacional de Vacinação] foi mais favorável é o tétano em que a seroprevalência é de 100% em vários grupos etários, ou seja, a totalidade dos indivíduos estudados estava inume [sic] ao tétano”» («Imunidade nacional alta devido às vacinas», Destak, 3.02.2017, p. 6).

      Ah, este até está em dicionários e estudos seriíssimos, porque de coisas sérias se trata. Vem, como o anterior, do inglês (seroprevalence).

 

[Texto 7464]

Helder Guégués às 13:36 | comentar | ver comentários (1) | favorito

Léxico: «demissexual»

E este não está ligado a modas

 

      «Noémia Santos, 23 anos, é demissexual. Quer isto dizer que só sente atração sexual por alguém com quem já estabeleceu uma ligação emocional forte» («Demissexuais: só têm desejo quando há ligação afetiva», Joana Capucho, Diário de Notícias, 1.02.2017, p. 14).

      Pronto, está duplamente explicado. Vem do inglês demisexual. Se o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora acolhe, por exemplo, «metrossexual», este também pode ir para lá, e até com mais razão.

 

[Texto 7463]

Helder Guégués às 11:42 | comentar | ver comentários (1) | favorito