22
Mar 17

Léxico: «nanocápsula»

Não há nas farmácias

 

    «A descoberta é de cientistas da universidade espanhola de Salamanca e consiste num aerossol que se usa como um inalador normal, através do qual entram no corpo nanocápsulas inteligentes capazes de levar o medicamento directamente às células dos tumores» («Método promissor de combate ao cancro pode poupar horas de tratamento a doentes», Rádio Renascença, 22.03.2017, 13h14).

    Vejo-o em dicionários de outras línguas, pelo que, se for para os nossos, acho muito bem. São cápsulas nanométricas, ocas e de forma esférica, que servem de invólucro para pequeníssimas quantidades de produtos farmacêuticos, enzimas ou outros catalisadores.

 

[Texto 7599]

Helder Guégués às 20:34 | comentar | favorito
21
Mar 17

Léxico: «(des)emparelhar»

É impressionante

 

      De vez em quando, como agora, o meu Garmin Vivoactive fica desemparelhado do telemóvel. E não é fácil voltar a emparelhá-lo. Cá estão duas acepções de dois verbos diariamente usadas, e que os dicionários não registam. Estranhamente, diga-se. Logo numa área, como a das modernas tecnologias, em que o inglês impera, e não se aproveita para caucionar o uso de verbos da nossa língua.

 

[Texto 7585]

Helder Guégués às 07:55 | comentar | ver comentários (1) | favorito
17
Mar 17

Léxico: «ciberocupação»

Também do espaço virtual

 

      «Chama-se “ciberocupação” e significa a usurpação de domínios de Internet. […] As queixas são apresentadas por titulares de marcas registadas, que afirmam que alguém registou um nome igual ou similar ao seu, gerando a confusão entre os utilizadores da Net. Isto porque a “ciberocupação” faz com que os cibernautas sejam desviados para páginas diferentes das que, na realidade, queriam consultar e onde são disponibilizados conteúdos diferentes, que, em alguns casos, têm que ver com a oferta de produtos falsificados da marca original» («‘Ciberocupação’ com mais queixas em 2016», Destak, 17.03.2017, p. 8).

 

[Texto 7573]

Helder Guégués às 09:50 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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14
Mar 17

Léxico: «pendurante»

Muito bem

 

   «Para travar estas vendas, a Deco tem a partir de agora um “pendurante” disponível nos seus serviços ou descarregável na internet para colocar à porta com a indicação “Vendas à minha porta, não”» («Uma solução para quem está farto de vendedores à porta», Nuno Guedes, TSF, 14.03.2017, 7h55).

      Ora aqui está: precisava-se de uma palavra, formou-se uma de um verbo. De pendurar, pendurante. Outros teriam optado, disso podemos ter a certeza, por um termo inglês ou francês. Se sobrevive ou não, isso ninguém o pode dizer. Sim, bem sei que não foi inventado agora, mas nunca como agora vai ter tanta divulgação.

 

[Texto 7556]

Helder Guégués às 09:32 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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05
Fev 17

Léxico: «seroprevalência»

Admita-se

 

      «Trata-se de um projeto do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, que dá conta que uma “das doenças em que o PNV [Programa Nacional de Vacinação] foi mais favorável é o tétano em que a seroprevalência é de 100% em vários grupos etários, ou seja, a totalidade dos indivíduos estudados estava inume [sic] ao tétano”» («Imunidade nacional alta devido às vacinas», Destak, 3.02.2017, p. 6).

      Ah, este até está em dicionários e estudos seriíssimos, porque de coisas sérias se trata. Vem, como o anterior, do inglês (seroprevalence).

 

[Texto 7464]

Helder Guégués às 13:36 | comentar | ver comentários (1) | favorito

Léxico: «demissexual»

E este não está ligado a modas

 

      «Noémia Santos, 23 anos, é demissexual. Quer isto dizer que só sente atração sexual por alguém com quem já estabeleceu uma ligação emocional forte» («Demissexuais: só têm desejo quando há ligação afetiva», Joana Capucho, Diário de Notícias, 1.02.2017, p. 14).

      Pronto, está duplamente explicado. Vem do inglês demisexual. Se o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora acolhe, por exemplo, «metrossexual», este também pode ir para lá, e até com mais razão.

 

[Texto 7463]

Helder Guégués às 11:42 | comentar | ver comentários (1) | favorito
15
Jan 17

Léxico: «sobrediagnóstico»

A maluqueira

 

    «Falando à agência Lusa à margem de uma palestra promovida pelo International Club de Portugal, Manuel Sobrinho Simões afirmou que “a maluqueira quer de doentes quer de alguns médicos é que está a dar mau resultado”, sobretudo nos cancros da tiróide, mama e próstata, “de longe os que têm mais sobrediagnóstico”» («Patologista alerta para sobrediagnóstico de cancros muito pequenos», Rádio Renascença, 12.01.2017, 17h47).

    Creio que está na hora de o vermos dicionarizado, até porque o conceito pode ser menos evidente do que parece. E já sabem: se querem ter uma doença, consultem um especialista.

 

[Texto 7410]

Helder Guégués às 21:14 | comentar | ver comentários (2) | favorito
08
Jan 17

Léxico: «tomografar»

Está criada

 

      «Em 1991, Richard Haier, da Universidade da Califórnia em Irvine (EUA), digitalizou os cérebros de jogadores de Tetris» (Guinness World Records 2017. Tradução de Ana Maria Guedes. Lisboa: Planeta Manuscrito, 2016, p. 151).

      Dir-se-á assim em português, «digitalizar»? Richard Haier, como se pode ver aqui, usou a tomografia por emissão de positrões (PET). E não podia, por ser imediatamente mais compreensível, usar-se o verbo tomografar, que, aliás, já tenho lido? O pior é se aparece aqui o outro a dizer que a palavra não está nos quatro dicionários que conhece. Como se toda a língua estivesse nos dicionários... Enfim, descrispemo-nos, não vale a pena perder tempo com isso.

 

[Texto 7389]

Helder Guégués às 22:12 | comentar | ver comentários (1) | favorito
04
Jan 17

Léxico: «fotossensitizador»

Simplifique-se

 

    «A molécula desenvolvida na Universidade de Coimbra [UC] é um fotossensitizador, o que, em termos simples, significa que entra em acção e destrói um tumor quando, através da terapia fotodinâmica, é iluminada por uma determinada “cor”» («Primeiro medicamento oncológico português passou nos ensaios iniciais em doentes», Andrea Cunha Freitas, Público, 4.01.2017, p. 24).

   Não é palavra de todos os dias, pois claro, nem sequer é fácil pronunciá-la. O que me parece é que, até para os investigadores, será meramente um corante. Seja como for, é um termo, ainda que rude, português e não, como é tão comum em neologismos, inglês.

 

[Texto 7372]

Helder Guégués às 23:22 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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07
Dez 16

Léxico: «turistificação»

O processo avança

 

   «Estes activistas que não querem ser identificados pessoalmente dizem não ter nada contra o turismo, mas têm um papel crítico sobre a gentrificação e turistificação de Lisboa» («A turistificação de Lisboa e Porto ainda pode crescer», Joana Gorjão Henriques, «Revista 2»/Público, 31.08.2014, p. 10).

    Ouvi-a esta manhã na rádio, mas fui encontrá-la numa edição de 2014 do Público. Quanto a «gentrificação», que também não parou, já aqui a vimos. Uma previsão fácil, a de a turistificação de Lisboa e Porto ainda poder crescer. O que cresceu de 2014 até agora...

 

[Texto 7307]

Helder Guégués às 14:23 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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01
Dez 16

Léxico: «gazilionário»

Inventada

 

    «A equipa que Donald Trump se prepara para levar para a Casa Branca, a partir de 20 de Janeiro, é composta de “gazilionários”, escrevia há dias o site Politico. Entre os nomes já confirmados e os falados, os novos ministros dos EUA podem representar “uma aglomeração de riqueza impressionante e sem precedentes na História americana” — 35 mil milhões de dólares» («A lista dos multimilionários», Público, 1.12.2016, p. 20).

   É verdade, é o que se podia ler no Politico: «Trump’s team of gazillionaires». Já tinha ouvido a palavra, mas nunca a tinha lido aportuguesada. Gazilionário, estupidamente rico.

 

[Texto 7293]

Helder Guégués às 20:28 | comentar | ver comentários (1) | favorito