11
Fev 18

Extremo Oriente

Extremo desmazelo

 

      «[Depois do ângelus, na Praça de São Pedro] O Papa endereçou também uma mensagem especial de congratulação às nações do extremo-oriente, que neste dia assinalam a passagem de ano lunar, um evento sempre acompanhado de grandes celebrações» («Papa inscreve-se na Jornada Mundial da Juventude no Panamá», Filipe d’Avillez, Rádio Renascença, 11.02.2018, 11h57).

      Filipe d’Avillez, alguma dificuldade com os topónimos? Grafam-se com maiúscula inicial e só excepcionalmente têm hífen. Assim, é Extremo Oriente, como também Médio Oriente ou Próximo Oriente. (E os dias mundiais disto e daquilo também se grafam com maiúscula: Dia Mundial do Doente. Acredite: fazer bem e fazer mal levam o mesmo tempo.)

 

 [Texto 8727]

Helder Guégués às 17:20 | comentar | favorito
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10
Fev 18

Ortografia: «bege»

E não há outra

 

      «Minutos depois, David McNaughton aparece em trajes beije-caqui de explorador e leva-nos a bordo da sua carrinha» («Uma lança bóer na África do Sul», Marco C. Pereira, suplemento «b. i.»/Sol, 20.01.2018, p. 29).

      Podia ser uma nova cor inventada por Marco C. Pereira, mas não, é apenas um erro. É bege que se escreve, Marco C. Pereira. «Beije» é uma forma verbal.

 

 [Texto 8719]

Helder Guégués às 18:24 | comentar | favorito
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05
Fev 18

«Chaxoila»?

Grafia criativa?

 

      «Chaxoila é o nome transmontano que o primeiro dono deste restaurante dava a uma pequena enxada. Foi aqui que Francisco Pavão, principal orador da tertúlia da Chaxoila, disse que este ano de 2018 será “o ano da revolução do azeite”» («Chaxoilar o azeite no ano da sua “revolução”», Afonso de Sousa, TSF, 5.02.2018, 12h56).

      Então agora isto é assim, dava-lhe o nome de «chaxoila» e, pronto, escreve-o desta maneira? Parece-me um mau caminho. Aqui no prédio, uma criancinha chama «coega» ao escorrega. Vamos deixá-la para sempre na ignorância? Soa-me, sim, mas nunca se poderia escrever com essa grafia. O Dr. Google, em quem muita gente tida por inteligente, sabe-se lá por que favor ou sorte, descansa, também nada sabe disto. Sacho, sachola. Ainda que se tivesse ali intrometido uma vogal, o que não é nada raro, seria «sachoila».

 

[Texto 8690]

Helder Guégués às 15:34 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Ortografia: «grau Celsius»

Não mudamos, estamos bem

 

      «Entre terça e quinta-feira as temperaturas vão descer ainda mais, com temperaturas mínimas no interior norte e centro a atingirem valores entre os dois e os sete graus negativos, com as máximas a oscilarem entre os dois e os oito graus Célsius» («Frio nos próximos dias. Temperaturas podem chegar aos -7», Rádio Renascença, 4.02.2018, 22h52).

      Ainda se o tornassem nome comum, «celsius», compreendia que o acentuassem, mas não assim. É, acreditem, grau Celsius, e nada mudou nem precisa de ser mudado. Infelizmente, cada vez vejo mais esta grafia.

 

[Texto 8685]

Helder Guégués às 09:12 | comentar | favorito
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19
Jan 18

Leopardo-da-pérsia, lobo-ibérico...

Para dizer tudo

 

      «O leopardo-da-pérsia, o lobo-ibérico, a girafa-de-angola, a impala-de-face-negra, a serpente-rei-oriental e a lebre-ibérica foram as espécies escolhidas e retratadas [por Joel Sartore]: as primeiras cinco no Jardim Zoológico de Lisboa e a última no Campus Agrário de Vairão, do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (Cibio) da Universidade do Porto» («Já há animais de Portugal na maior arca fotográfica do mundo», Ana Maria Henriques, Público, 19.01.2018, p. 29).

      A ironia de tudo isto é que o Público é o mais cioso dos jornais a aplicar esta regra do Acordo Ortográfico de 1990. Terá Nuno Pacheco noção disto? Poderá ter, pois não é a primeira vez que o escrevo. Bem, não acho tão mal, que eu próprio não aderisse a esta forma de grafar os nomes comuns dos animais. Mas o Público... Há quem se oponha, e com excelentes argumentos, diga-se. Excelentes não, muito melhores do que os nossos, que seguimos a regra. Sim, especialmente nós, que não aplicamos o Acordo Ortográfico de 1990. É verdade que existe o provérbio que diz que um excesso de franqueza é uma indecência, como a nudez? Deve ter sido inventado pelos que, tendo a mesma fraqueza, não têm a mesma coragem.

 

[Texto 8600] 

Helder Guégués às 12:18 | comentar | favorito
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28
Dez 17

Léxico: «geoarqueológico»

Como vão saber?

 

      «Tal como o nome indica, a missão do projecto geo-arqueológico Margens Áridas do Norte da Síria é perceber como os primeiros humanos ocuparam o Norte da Síria e como aproveitaram o seu ambiente geográfico» («Descoberta rede militar com quatro mil anos no Norte da Síria», Teresa Serafim, Público, 27.12.2017, p. 29).

      Bem pode a Direcção-Geral do Património Cultural afirmar que a «Geoarqueologia é a disciplina que se dedica ao estudo dos processos de formação e de alteração do registo arqueológico utilizando conhecimentos, metodologias e ferramentas das Ciências da Terra», os dicionários não querem saber, não registam geoarqueologia nem geoarqueológico.

 

[Texto 8519]

Helder Guégués às 16:13 | comentar | ver comentários (2) | favorito
26
Dez 17

Ortografia: «automobilizado»

Belo presente

 

      «Numa altura em que a operação “Natal Tranquilo” da GNR já registou mais mortos do que no ano passado, a Associação de Cidadãos Automobilizados responsabiliza o Governo pelo aumento destes números da sinistralidade» («“Estado falhou” na segurança rodoviária, diz Associação de Cidadãos Automobilizados», Rádio Renascença, 26.12.2017, 11h08).

      Aludi ao Dia do Pensamento e isto começou logo a funcionar. É a primeira vez que vejo o nome daquela associação escrito desta forma. Recorde-se que se chama a si mesma Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados, com a inconcebível sigla ACA-M, mais adequada a uma Associação de Comércio Automóvel da Madeira. Nem por ter um escritor na direcção... Auto- não é aqui o elemento de formação que exprime a ideia de automóvel? Então, apenas é seguido de hífen quando o elemento seguinte começa por vogal ou por h, r ou s. E no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora o sentido do vocábulo automobilizado não devia ser alargado? Porque é automobilizado apenas o que conduz um automóvel? E os passageiros são o quê, *heteroautomobilizados? Com os automóveis autónomos cada vez mais próximos (o meu, com quase três anos, estaciona autonomamente), será sempre uma definição para rever.

 

[Texto 8514]

 

      P. S.: Agora é rezar para que a Renascença não venha, como a minha filha costuma dizer, *errogir isto.

Helder Guégués às 13:20 | comentar | favorito
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17
Dez 17

Ortografia: «desconforme»

Antes à letra

 

      «Era algo de mágico, de insuportável, algo de disconforme com as leis da natureza» (Os Sonhos de Einstein, Alan Lightman. Tradução de Ana Maria Chaves. Alfragide: Edições Asa, 10.ª ed., 2010, p. 91).

      Errado: é desconforme. Pode ser confusão com «disforme», por exemplo. Com palavras que não usamos todos os dias, temos de ter o cuidado de consultar um dicionário ou vocabulário. No caso, a tradutora devia limitar-se a traduzir o original à letra: «it was outside natural law».

 

[Texto 8478]

Helder Guégués às 07:52 | comentar | favorito
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05
Dez 17

E que dizem de «impecilho»?

Quase inânias

 

      «Fronteira ainda é um impecilho sem solução» (Destak, 5.12.2017, p. 6). Grande calinada... ou não? Hoje em dia, todos dizem que sim, mas, na Revista Lusitana, Leite de Vasconcelos afirmou que «impecilho é melhor grafia». Não foi, porém, a que vingou.

 

[Texto 8437]

Helder Guégués às 15:43 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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26
Nov 17

Ortografia: «predeterminado»

Este repete-se muito

 

      «O primeiro é irredutível, pré-determinado. O segundo vai tomando decisões à medida que avança» (Os Sonhos de Einstein, Alan Lightman. Tradução de Ana Maria Chaves. Alfragide: Edições Asa, 10.ª ed., 2010, p. 19).

      Este é um erro que vejo muito. Está bem, a tradutora até pode estar, estranhamente, a borrifar-se para a ortografia —— mas, e o revisor? É predeterminado. Não devia fugir muito ao original: «The first is unyielding, predetermined.» Outras vezes, porém, é ao contrário, devia fugir ao original: «Estão até convencidas de que o ar rarefeito é bom para a saúde e, por essa lógica, adoptaram dietas rectrictivas, rejeitando todos os alimentos que não sejam extremamente leves» (idem, ibidem, p. 24). É verdade que noutras línguas neolatinas tem c, mas eu não tenho a culpa. E era a 10.ª edição...

 

[Texto 8397]

Helder Guégués às 15:46 | comentar | favorito
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