30
Out 17

Rajoy, Carles Puigdemont...

Chinês é mais fácil

 

      Puigdemont lá levou aquele corte de cabelo inenarrável para fora da Península Ibérica. Numa coisa, porém, tem mais sorte do que o chefe do Governo espanhol: toda a gente, fora de Espanha, lhe sabe pronunciar o nome. Mas Rajoy... Ontem, na sua rubrica na SIC, foi a vez de Marques Mendes tentar pronunciá-lo: Ragoy. Está bem, pronto, desde que não o diga à frente do próprio. Toda a gente lhe sabe pronunciar o nome, comecei por afirmar. Pode haver excepções: Marques Mendes guardou-se bem de pronunciar o nome Puigdemont. E nem é bom pensar como pronunciaria Carles Puigdemont.

 

[Texto 8280]

Helder Guégués às 22:36 | comentar | ver comentários (4) | favorito
Etiquetas:
07
Set 17

Para dar o tom

Cala-te, melher

 

      E a propósito dos laivos de pronúncia lá da terra, anteontem Herman José comentou a fotografia de Madonna: «Essas raízes estão uma desgraça, melher.» Ora, isto lê-se até em traduções, por exemplo, para imitar deturpações no original: «Perguntem a quem quiserem, a sôra Porter é uma melher respeitável» (Anjos Rebeldes, Libba Bray. Tradução de Susana Serrão. Alfragide: Edições Asa II, 2014). «You ask anybody and they’ll tell you, Missus Po’er’s a respec’able toiype.»

 

[Texto 8133]

Helder Guégués às 08:48 | comentar | ver comentários (4) | favorito
Etiquetas: ,
06
Set 17

Como falam os polícias

Talvez na mesma galáxia

 

      Paulo Rodrigues, da Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP), a propósito do não descongelamento da carreira dos polícias: «Esperemos que não tênhamos de desenvolver nenhuma acção de protesto.»

 

[Texto 8129]

Helder Guégués às 08:11 | comentar | favorito
Etiquetas: ,

Como falam os políticos

Noutra galáxia

 

      Cavaco Silva, na «Universidade» de Verão da JSD: «Ele [Emmanuel Macron] afirmou testualmente: “Contrariamente a outros políticos, não farei dos jornalistas os meus confessores”.»

 

[Texto 8128]

Helder Guégués às 08:08 | comentar | ver comentários (4) | favorito
Etiquetas: ,
27
Jun 17

«Brexit»: como se pronuncia?

Boa desculpa

 

      Há meses que ando a reparar que nem toda a gente pronuncia a palavra brexit da mesma maneira. David Shariatmadari, jornalista do jornal The Guardian, reparou no mesmo e escreveu um artigo sobre a questão. Por cá, a palavra até já foi para alguns dicionários gerais da língua. O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, por exemplo, regista a pronúncia /ˈbrɛɡzit/, que por acaso não é a que eu uso. E digo sempre /'brɛk.sɪt/. Bem sei que «um homem só deve falar, com impecável segurança e pureza, a língua da sua terra: todas as outras as deve falar mal, orgulhosamente mal, com aquele acento chato e falso que denuncia logo o estrangeiro», mas se a palavra já está nos nossos dicionários...

 

[Texto 7953]

Helder Guégués às 16:23 | comentar | favorito
Etiquetas: ,
06
Mar 17

«Fêmea», pronúncia

A mão direita

 

      «A tartaruga marinha fémea, que ganhou a alcunha de “Banco”, estava a morrer de uma infeção causada pela rotura da sua carapaça ventral, causada pelos cinco quilos de peso das moedas» («Equipa médica retira 915 moedas do estômago de tartaruga», Lusa/TSF, 6.03.2017, 15h53).

      É precisamente a pronúncia que vou ouvindo cada vez mais, mas na escrita é uma estreia. Mas que abéculas! E são jornalistas... A pronúncia é com e tónico fechado, que na grafia, neste caso, é representado por acento circunflexo. Já sei que há pelo menos um «gramático» brasileiro que defende que é tudo igual. A única vingança que nos ocorre é não lhe mencionar o nome. (Decepar-lhe a mão direita, como estão aqui a sugerir-me, podia não ser a melhor opção. E se for esquerdino? E a língua?)

 

[Texto 7533]

Helder Guégués às 18:30 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: ,
16
Dez 16

Pronúncia: «Esopo»

Ou sou eu que não percebo

 

      Na Agenda Cultural de ontem, na RTP2, a propósito da peça Pedro e o Lobo, em cena no Theatro Circo de Braga, falavam de Esopo, e pronunciaram assim a palavra: /Êsopo/. Então aquele e inicial não vale i, como noutros vocábulos? Pior, vi no Youtube, é muitos brasileiros, de autores a editores, pronunciarem-na como se fosse proparoxítona. Coisa esdrúxula!

 

[Texto 7329]

Helder Guégués às 09:24 | comentar | ver comentários (3) | favorito
Etiquetas: ,
19
Nov 16

«Fregiano» e «quiniano»

Filósofos e adjectivos

 

      «O sufixo -ano», pergunta-me um leitor habitual do Linguagista, «no caso do filósofo Gottlob Frege (1848-1925), dá “freguiano” ou “fregueano”? ou será “fregiano” ou “fregeano” (pronunciando-se |g| e não |j|? E quanto ao filósofo Willard van O. Quine (1908-2000), dá “quiniano” ou “quineano”? E pronuncia-se |cuai|?»

     O adjectivo relativo a Frege é fregiano; o relativo a Quine, quiniano. Quanto à pronúncia, tem de haver um compromisso. Como pronunciamos «freudiano» ou «gaullista»? Está aqui a resposta.

 

[Texto 7254]

Helder Guégués às 09:58 | comentar | favorito
16
Abr 16

Uma F8 portuguesa

É o fado

 

   «Esta semana, na conferência anual F8 (cujo nome, em inglês, se lê “fate”, ou seja, destino), Zuckerberg apresentou planos para mudar o relacionamento das empresas com clientes e para ligar cada vez mais partes do mundo à Internet» («A figura. Mark Zuckerberg», João Pedro Pereira, Público, 16.04.2016, p. 21).

    Pois com certeza, mas, passim, aqui e ali, lê-se que a pronúncia é eff eight. Conclusão? Lê-se das duas maneiras — mais uma, e a que devemos preferir: efe oito.

 

[Texto 6749]

Helder Guégués às 11:05 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: ,
02
Dez 15

Pronúncia: «lingueirão»

Quando corrigir é errar

 

      Anteontem, o jornalista Paulo Salvador estava no programa Prova Oral, da Antena 3, para falar do seu livro, Mesa Nacional (Oficina do Livro, 2015). Quando Fernando Alvim falou de lingueirão — e pronunciou bem a palavra, /gu-ei/ —, Paulo Salvador «corrigiu» logo, pronunciando /gej/, ou seja, não proferindo o u. Só pode ser confusão com outras variantes, como longueirão e langueirão, em que o u, de facto, se não pronuncia. Neste caso, o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista a pronúncia correcta, e não teriam desculpa se o não fizessem, pois Rebelo Gonçalves é claro: «lingueirão (ü), s. m.». Nunca eu ouvi pronunciar o vocábulo de outra forma. O Portal da Língua Portuguesa, do ILTEC, não regista a pronúncia correcta, mas, como se lê que é a «Pronúncia indicativa (em teste)», não podemos senão esperar que irão corrigir mal saibam que está errado. A não ser que se pronuncie assim na Avenida Elias Garcia.

 

[Texto 6442] 

Helder Guégués às 08:16 | comentar | ver comentários (2) | favorito
30
Nov 15

Pronúncia: «Windhoek»

Africânder não é

 

      «Entre comprimentos e abraços e as boas-vindas do presidente Donald Tusk, este foi um Conselho Europeu tranquilo para António Costa» («Primeiro-ministro estreou-se num Conselho Europeu», António Esteves Martins, Telejornal, RTP1, 29.11.2015).

   Exactamente, são parónimas: têm grafia diferente, mas pronúncia muito parecida — não igual. Quando quero dizer «cumprimento», é «cumprimento» que digo; quando quero dizer «comprimento», é «comprimento» que digo. Dizermos que são parónimas não é nenhum convite a confundirmos tudo. A propósito de pronúncia: hoje, no noticiário das 7 da tarde na Antena 3, uma jornalista pronunciou o nome da capital da Namíbia assim: «Vindoeque». No tempo da Internet, é imperdoável. Em português? Escreva e pronuncie Vinduque. Ora, não tem de quê.

 

[Texto 6439]

Helder Guégués às 20:44 | comentar | favorito
Etiquetas: ,