22
Fev 16

Veneza é a Sereníssima

Serenamente

 

      «Encontrei-me pela primeira vez com Umberto Eco em Veneza
 num claustro próximo da Igreja
 de Santa Maria della Salute, do outro lado do canal, em frente à Praça de São Marcos. O cenário 
do encontro recriava na minha mente a célebre vinheta da Fábula de Veneza onde Corto Maltese, o personagem criado pelo seu amigo Hugo Pratt, deambulava pela noite da sereníssima» («Eco, um cientista social do Renascimento», Gustavo Cardoso, Público, 22.02.2016, p. 41).

     Pois, mas como está em vez de Veneza, é um prosónimo, por isso escreve-se com maiúscula: «A bofetada final na Sereníssima seria dada por Manuel I, no próprio ano em que morreria. Chegara a Lisboa, no final de 1521, uma frota de cinco navios venezianos cujo comandante trazia a proposta de um contrato para as especiarias» (Portugal, o Pioneiro da Globalização. A Herança das Descobertas, Jorge Nascimento Rodrigues e Tessaleno Devezas. Vila Nova de Famalicão: Centro Atlântico, 2009, p. 149).

 

[Texto 6639]

Helder Guégués às 07:00 | comentar | favorito
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26
Jan 16

Leões, Dragões e Águias

Podemos fazer melhor

 

      «Independentemente de quem jogar, os “leões” apenas garantem o apuramento se ganharem e o Portimonense perder. […] Os “verdes-e-brancos” têm um saldo nulo (três golos marcados; três sofridos), enquanto o Portimonense tem cinco golos positivos» («Benfica precisa de um empate, Sporting de um pequeno milagre», David Andrade, Público, 26.01.2016, p. 41).

    Não percebo para que se hão-de usar as aspas nestes casos. Mais: como verdadeiros prosónimos que são, até deviam ser grafados com inicial maiúscula. Para quem se satisfaz com menos, pelo menos sem as aspas. O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, nem uma palavra sobre estas acepções futebolísticas. Já o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa, muito anterior, registava-as, e só com uma incoerência: dos três grandes, apenas águia designa tanto o jogador/adepto/simpatizante como o próprio clube. Na 2.ª edição já estará corrigido.

 

[Texto 6569]

Helder Guégués às 23:37 | comentar | favorito
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01
Jan 15

Princesa do Povo

Agora já sabem

 

     «Além de ser autor, Conway interpreta o papel do jornalista que procura a verdade sobre a morte da Princesa do Povo, a 31 de agosto de 1997, em Paris, França» («Dúvida sobre a paternidade do príncipe Harry sobe ao palco em Inglaterra», Ana Filipe Silveira, Diário de Notícias, 31.12.2014, p. 43).

 

[Texto 5408]

Helder Guégués às 08:56 | comentar | favorito
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23
Out 14

Jerusalém do Oriente

Está certo

 

   «Hoje, não se conhece o número exato de católicos na Coreia do Norte, mas antes da divisão da península, em 1945, eram mais de 50 mil e Pyongyang era conhecida como a Jerusalém do Oriente, devido às muitas igrejas» («Aventura em Pyongyang custou seis meses de liberdade a Fowle», Helena Tecedeiro, Diário de Notícias, 23.10.2014, p. 48).

 

[Texto 5178]

Helder Guégués às 22:05 | comentar | favorito
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01
Set 14

Tecto do Mundo

Com maiúsculas, pois claro

 

 

      «No Tecto do Mundo, como é conhecido o planalto mais alto da Terra, que ocupa a maior parte do Tibete, a escassez de oxigénio não é problema para os seus habitantes tibetanos» («A genética explica como os tibetanos de adaptaram a grandes altitudes», Teresa Firmino, Público, 25.08.2014, p. 24).

 

[Texto 4998]

Helder Guégués às 07:50 | comentar | favorito
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04
Jul 14

Ortografia: «Rei-Sol»

Também de França

 

 

     «A França já nos tinha dado um Rei-Sol. Parecia pretensioso mas, reparem, havia uma só estrela. Agora temos um Presidente-Galáxia, como lhe chamou o jornal Le Monde ontem, falando de uma galáxia – leia-se, miríade de sóis – de affaires à volta de Nicolas Sarkozy» («É mais prudente ser rei», Ferreira Fernandes, Diário de Notícias, 4.07.2014, p. 48).

     Ora se vê com hífen ora sem hífen, por vezes na mesma obra. Rebelo Gonçalves, no seu Vocabulário da Língua Portuguesa, regista este prosónimo, assim como «rei-soldado».

 

[Texto 4796]

Helder Guégués às 11:50 | comentar | favorito
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20
Mai 13

«Grande Maçã»

Vá, agora agradeçam-lhe

 

 

      «Foi na Grande Maçã que [Madalena da Suécia] conheceu o corretor de bolsa, tendo o romance começado no início de 2011» («O príncipe plebeu que salvou a princesa sueca», Raquel Costa, Diário de Notícias, 19.05.2013, p. 53).

      Grande Maçã, muito bem. Mas agora reparem como já não se pode ser somente «corretor», mas «corretor de bolsa». Tudo graças ao Acordo Ortográfico de 1990.

 

[Texto 2858]

Helder Guégués às 07:48 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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06
Ago 12

«Planeta Vermelho»

Há sempre quem não saiba

 

 

      «Ao mesmo tempo que desbrava caminhos em Marte, com a Curiosity para explorar o planeta vermelho, a NASA anuncia o montante que representa a aposta americana nas empresas privadas que levarão, a partir de agora, os astronautas para a Estação Espacial Internacional» («NASA investe quase 900 milhões em naves espaciais de privados», Rita Carvalho, Diário de Notícias, 6.08.2012, p. 33).

      «Bem empacotado e protegido, o robô Curiosity, da NASA, aproxima-se do seu destino, a superfície de Marte, onde descerá na madrugada da próxima segunda-feira, se tudo correr bem. Objetivo: estudar pela primeira vez o subsolo do planeta (a uma profundidade de 25 cm), para se perceber, de uma vez por todas, se já houve (se haverá ainda) vida no Planeta Vermelho» («Robô ‘Curiosity’ a três dias de chegar a Marte», Diário de Notícias, 3.08.2012, p. 24).

 

  [Texto 1937]

Helder Guégués às 08:26 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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02
Ago 12

«Cidade dos Estudantes»

Mais um esforço

 

 

      «Se viver ou estiver de passagem pela cidade dos estudantes[,] não deixe de aproveitar para levar a clássica cesta de vime, recheada de fruta, água e comidinhas leves, até ao Parque Verde. Um almoço à sombra de uma árvore junto ao Mondego é uma boa maneira de aproveitar a cidade de Coimbra. E se estiver na região e o tempo não for um problema, então mais vale levantar-se bem cedo e rumar até ao Luso, onde o que não faltam são espaços verdes e a água fresca jorra livremente nas bicas da fonte do centro da vila» («Levar o farnel na cesta e pôr a mesa ao ar livre», Catarina Reis da Fonseca, Diário de Notícias, 2.08.2012, p. 48).

      Cara Catarina Reis da Fonseca, trata-se de um prosónimo, está em vez de um topónimo, por isso escreve-se com maiúsculas iniciais. Não tem de quê.

 

  [Texto 1907]

Helder Guégués às 08:57 | comentar | favorito
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13
Jun 11

«Tigre Celta»

Algo maior

 

 

      «Habituámo-nos nos últimos anos a chamar à Irlanda o tigre celta, expressão que junta o dinamismo económico de tipo asiático à velha herança da ilha, testemunhada pelo Livro de Keels, um manuscrito do século IX célebre pelas suas iluminuras, e pela sobrevivência do gaélico, apesar da tremenda influência da língua inglesa» («Que animal se esconde por trás do tigre celta?», Leonídio Paulo Ferreira, Diário de Notícias, 13.06.2011, p. 7).

      Só podemos dizer que é um mau hábito: trata-se de um prosónimo, conceito que já aqui tratámos, pelo que se escreverá com maiúsculas iniciais: Tigre Celta.

 

[Texto 137]

Helder Guégués às 18:38 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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