04
Dez 16

Tradução: «déprime», de novo

Mas isso é em Espanha

 

      Lembram-se de aqui ter perguntado qual a melhor tradução de déprime, um termo coloquial francês? Vá lá, não sejam mentirosos. Vejam aqui. Bem, hoje lembrei-me de que em Espanha os mais jovens usam, coloquialmente, a abreviação vocabular depre para significar depressão. Tengo la depre.

 

[Texto 7299]

Helder Guégués às 09:13 | comentar | ver comentários (5) | favorito
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25
Out 16

«Poli, peli, boli»...

No caso concreto

 

      Já aqui falei mais de uma vez em redução vocabular, e em como é abundante na língua francesa. Também em castelhano há vários casos, como profe < profesor; boli < bolígrafo; poli < policía; metro < metropolitano; drogata < drogadicto; peli < película... E todas foram acolhidas pelo dicionário da Real Academia Espanhola. Mas a questão é como traduzir cada um desses termos em contexto. Apareceu-me agora mesmo poli, e a opção do tradutor foi verter para «polícia», e a minha seria «bófia».

 

[Texto 7189] 

Helder Guégués às 11:39 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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16
Set 16

Sobre «básquete»

Agora, o português (I)

 

      Só ontem à noite é que me disseram que Sandra Duarte Tavares tem uma rubrica na RTP, Agora, o português (eles escrevem tudo com minúsculas, mal aconselhados), na qual continua a esbanjar os seus conhecimentos. Assim, à pergunta de José Pedro Vasconcelos sobre se é correcto ou incorrecto dizer-se «básquete», Sandra Duarte Tavares embrulhou-se de tal maneira, e ela teve forçosamente noção disso, que quem não sabia, e muitas seriam, nada ficou a saber. E que havia para saber, afinal? Muito pouco, mas certo: básquete, que está atestado nos dicionários, explica-se pelo fenómeno designado braquissemia, ou redução vocabular, como, já aqui o vimos, «foto» por «fotografia», «pneu» por «pneumático», «otorrino» por «otorrinolaringologista», «logo» por «logótipo», e tantas outras. A forma plena, basquetebol, vem do inglês basketball e é escassamente usada, precisamente por ser mais difícil de proferir e escrever. Tão-só isto.

 

[Texto 7090] 

Helder Guégués às 10:46 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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08
Mar 16

Léxico: «logo»

Não é advérbio

 

      «É uma bandeira estilizada e arredondada, uma frase e a possibilidade de lhe adicionar módulos que identificam órgãos governativos e organismos dependentes do Governo — como aquele que respondeu às perguntas do PÚBLICO sobre o tema e cujo email é rematado pelo logo “República Portuguesa” e a respectiva identificação do “Gabinete da secretária de Estado adjunta do primeiro-ministro”, Mariana Vieira da Silva» («António Costa troca marca Governo de Portugal por República Portuguesa», Joana Amaral Cardoso e Maria Lopes, Público, 8.03.2016, p. 26).

      É a forma reduzida de logótipo, mais usada na oralidade do que na escrita. Não está registada em muitos dicionários.

 

[Texto 6671]

Helder Guégués às 12:35 | comentar | ver comentários (1) | favorito
05
Mai 15

Ortografia: «hétero»

Anda perto

 

     «Atacar o presidente do Instituto Português do Sangue por este 
ter afirmado no Parlamento que está definido como factor de exclusão para a dádiva de sangue “ser um homem que tem sexo com homens” não é lutar contra
 o preconceito — é um reflexo pavloviano que inverte direitos 
(o direito fundamental em causa não é dar sangue mas sim receber o sangue mais seguro possível), apouca questões científicas e saca da pistola só porque se está a falar de um tratamento diferenciado entre gays e heteros» («Sangue, gays e discriminação», João Miguel Tavares, Público, 5.05.2015, p. 48).

    Já vimos algures que esta redução vocabular se grafa com acento agudo, hétero. (E o nome da entidade é Instituto Português do Sangue e da Transplantação, IPST.)

 

[Texto 5820]

Helder Guégués às 11:21 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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14
Jun 14

Se «químio», então «rádio»

É por eles

 

 

    aqui falámos de químio, forma reduzida da palavra «quimioterapia», registada, por exemplo, no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, que, contudo, não acolhe a forma reduzida de «radioterapia», rádio. Só venho falar da questão por causa dos troca-tintas que escrevem confiantemente (com a confiança dos ignorantes, pois claro) «quimio» e «radio».

 

[Texto 4719]

Helder Guégués às 15:03 | comentar | ver comentários (1) | favorito
29
Mai 14

«Sôr/sora/sô»?

Sonotone, e já

 

 

   «O assassino que andou a monte, depois de ter assassinado duas mulheres, foi recebido com palmas pela população. Antes de começarmos a cuspir repugnância pelo povinho, devíamos tentar perceber. Até porque perceber não é o mesmo que desculpar, já dizia a Sôr Dona Hannah Arendt» («De onde vêm as palmas do “Palito”?», Henrique Raposo, Expresso Diário, 28.05.2014).

  A forma reduzida de «senhor» é (e sor); de «senhora», pelo menos para Henrique Raposo, é «sôr». Não estará a confundir com «sor», de «sóror»? Está, pois. Alguns dicionários registam sora como forma reduzida de «senhora». Para mim, é «sô» para senhor e para senhora. É óbvio que alguém anda a ouvir mal, e não costumo ser eu.

 

[Texto 4643]

Helder Guégués às 23:14 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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17
Mai 14

Assim não

Dois pesos e duas medidas

 

 

      «– Existe uma grande diferença – lembrou Libor, como se sentisse um pouco de vergonha pelo que fizera na vida – entre escrever sobre o peito de Anita Ekberg e as razões e os erros do Sionismo [Zionism]» (A Questão Finkler, Howard Jacobson. Tradução de Alcinda Marinho. Porto: Porto Editora, 2011, 2.ª ed., p. 195). «– Mas isso não quer dizer que não permita que os outros judeus dêem importância que bem entenderem ao seu judaísmo [Jewishness]. Ok?» (idem, ibidem, p. 202).

      Ah, sim? E qual é o critério subjacente para se usar a maiúscula num caso e a minúsucla noutro, pode saber-se?

 

[Texto 4583]

Helder Guégués às 21:48 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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28
Out 13

Léxico: «psi»

É grego

 

 

      «Estou a falar com dois psis, pai e filha. Para compreender alguma coisa de quem são e da vossa relação, tenho de começar pelo complexo de Édipo da Joana?» («Joana e Carlos Amaral Dias. Amar é natural na espécie humana?», Anabela Mota Ribeiro, «Domingo»/Público, 27.10.2013, p. 19).

      Sim, mas para o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, ainda é apenas o nome da vigésima terceira letra do alfabeto grego.

 

  [Texto 3441]

Helder Guégués às 00:00 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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21
Abr 13

Léxico: «arquitecto-paisagístico»

Outra reduzida

 

 

      «A autarquia promete que serão plantadas novas árvores no lugar das antigas e que uma parte do projecto foi alvo de alterações de modo a evitar o corte de um plátano. “Não serão criados mais lugares de estacionamento”, diz a câmara, que assume considerar os plátanos “de vital importância no conjunto arquitecto-paisagístico da zona”» («Abate de plátanos motiva protestos», João Pedro Pincha, Público, 19.04.2013, p. 14).

 

[Texto 2772]

Helder Guégués às 23:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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