24
Mai 17

«Vetado ao ostracismo»!

Obrigadinho

 

      «O regime apadrinhava um equipamento que prometia colocar Portugal no mapa dos maiores eventos motorizados mundiais e aliviar um pouco o ostracismo internacional a que o país estava vetado. Para a construção e gestão do circuito foi constituída a empresa Autodril — Sociedade do Autódromo do Estoril. Em Maio de 1971 arrancou a empreitada, que seria concluída em apenas 11 meses» («Autódromo do Estoril, ilegal há 45 anos», Paulo Curado, Público, 24.05.2017, p. 36).

      Já aqui vimos outras variantes do erro: «devotado ao abandono» e «dotado ao abandono». Neste caso, é ao ostracismo, mas a construção é a mesma. As formas erradas são infinitas, ao passo que a forma certa e o cuidado são finitos. Basta que isto chegue ao conhecimento do jornalista Paulo Curado para valer a pena eu perder tempo. Solidariedade e altruísmo também é isso: dizerem-lhe que errou e que, com o seu erro, está a induzir em erro muitas pessoas.

 

[Texto 7866]

Helder Guégués às 11:07 | comentar | favorito
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Como se escreve nas dissertações

Em algumas, esperemos

 

      «A Inspeção-Geral da Educação e Ciência vai investigar o mestrado do líder da principal claque do Futebol Clube do Porto, Fernando Madureira, no qual obteve 17 valores, mas que até tem erros de português. […] Maria Alzira Aleixo, professora catedrática da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, classificou o texto de Fernando Madureira como “um insulto à Língua Portuguesa e ao desporto nacional”, escrito “num Português iletrado, analfabeto e ridículo”» («Mestrado do líder dos Super Dragões [sic] investigado pela Inspeção-Geral da Educação», C. B., TVI24, 19.05.2017, 00h58).

      E agora, para tudo ser, já não digo perfeito, mas normal, o Macaco merece ser catedrático — para ficar ao mesmo nível de quem lhe atribuiu 17 valores. E a dissertação versa sobre quê, pode saber-se? «A dissertação, que está disponível na página da Internet da instituição de ensino superior, tem 25 páginas (cinco parágrafos de conclusões) e incide sobre a dinamização da bancada sul do Estádio do Dragão.»

 

[Texto 7865]

Helder Guégués às 08:36 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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22
Mai 17

Léxico: «eutanasista»

Teclas escorregadias

 

      «“Acho que há todo o direito a que as pessoas possam reclamar o suicídio ajudado ou a eutanásia, mas eu por exemplo, que sou médico, sei que não fomos treinados nem educados para isso e serei objector de consciência. Por isso estou numa situação muito desagradável que é por um lado dizer que acho que as pessoas têm todo o direito, mas eu não faço isso.” O Prémio Pessoa [Sobrinho Simões] diz que não foi formado para ser um eutasanista e antevê dificuldades na forma como se vai legislar sobre esta matéria» («Maria de Belém defende “sedação até à morte” em nome da “autonomia”», Susana Madureira Martins, Rádio Renascença, 22.05.2017, 13h09).

   A jornalista queria escrever eutanasista, que já tenho lido, mas atrapalhou-se com as teclas. Tal como se atrapalhou a escrever «sedação», que só está correcto no título e uma vez no corpo do artigo, pois nas outras ocorrências escreveu sempre «sedacção». Na Rádio Renascença, não costumam ser tão descuidados.

 

[Texto 7860]

Helder Guégués às 21:43 | comentar | favorito
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18
Mai 17

Envergar?

They had

 

      Quando (não se, é uma certeza) formos ciborgues, os tradutores já não vão escrever desta forma parva: «Envergavam espadas curtas, etc.»

 

[Texto 7849]

Helder Guégués às 10:56 | comentar | favorito
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Léxico: «Madona»

Louise Ciccone ou a Virgem Maria?

 

      A cantora Madonna foi vista em Lisboa, no Hotel Ritz. Entretanto: «Pela primeira vez em Portugal, é apresentada uma exposição com obras dos Museus do Vaticano. A partir de quinta-feira, o Museu Nacional de Arte Antiga mostra “Madonna – tesouros dos Museus do Vaticano”» («Museus do Vaticano mostram “obras excepcionais” no Museu de Arte Antiga», Maria João Costa, Rádio Renascença, 17.05.2017, 9h21). Pois é, mas, tanto quanto sei, e o director do Museu Nacional de Arte Antiga, António Filipe Pimentel, não sabe, é que em português se escreve Madona. (No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, só falta uma coisa: indicar que se escreve habitualmente com maiúscula inicial.)

 

[Texto 7843]

Helder Guégués às 05:51 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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13
Mai 17

Tradução: «Berner Oberland»

Agora em português

 

      Isso mesmo: como traduzir Berner Oberland? Já vi que, para alguns tradutores, deixar assim é suficiente para o leitor compreender. Não concordo, é claro. Também não quero usar o adjectivo «bernês/bernense». Não poderá ser «planato de Berna»?

 

[Texto 7829]

Helder Guégués às 20:02 | comentar | favorito
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09
Mai 17

Pontuação

Entretanto, na Alemanha

 

    «Einige Kommata, deren Fehlen den Leser eher hätte irritieren können, wurden zusätzlich eingefügt.» Ah, estes sabem o que nos irrita. Já boa parte dos jornalistas acha que não vale a pena corrigir os desconchavos das pessoas que ouvem e entrevistam. Eu só não sei é como não se envergonham.

 

[Texto 7814]

Helder Guégués às 21:27 | comentar | favorito
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«Retratação/retractação»

Não está desligado

 

      «“Se viram o meu monólogo, sabem que eu estava um pouco chateado porque Donald Trump insultou um dos meus amigos. Por isso, retribuí com algumas hipóteses de insultos para o Presidente. E não me arrependo disso. Acho que ele sabe tomar conta dele [sic] — eu tenho piadas; ele tem os códigos das armas nucleares. É uma luta equilibrada. Mas, apesar de voltar a fazer o mesmo, desta vez mudaria algumas palavras que foram mais rudes do que era preciso”, disse o humorista [Stephen Colbert], no que parecia ser o início de uma retratação» («A boca de Donald Trump deixou Stephen Colbert em apuros», Alexandre Martins, Público, 8.05.2017, p. 18).

      É sempre erro, mas no Público é simplesmente imperdoável. Repito: im-per-do-á-vel. A meritória batalha contra o Acordo Ortográfico de 1990 que empreendeu também faz impender sobre o Público, a meu ver, a responsabilidade de usar melhor, usar correctamente, a ortografia que defende com tanto denodo e veemência.

 

[Texto 7811]

Helder Guégués às 10:40 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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«Escopo/escopro»

Nem de longe

 

      «O artista de rua britânico Banksy desenhou em Dover, no Reino Unido, um mural com uma representação da bandeira da União Europeia (UE) e que remete para a decisão do Reino Unido de sair da organização comunitária. O mural apresenta um operário a bater, com um martelo e um escopo, numa das estrelas representadas na bandeira, provocando uma fissura simbólica na União Europeia» («Banksy com nova obra em Dover inspirada no processo do ‘Brexit’», Destak, 9.05.2017, p. 11).

     Pois, todos erramos — mas uns mais, outros menos. Um melhor conhecimento da língua, em que se incluem, obviamente, as variantes, evitaria este erro. Escopo e escopro não têm nenhuma relação, afinidade ou origem comum, nada. E, já agora, devo dizer que na pintura de Bansky me parece estar representado um ponteiro e não um escopro.

 

[Texto 7809]

Helder Guégués às 09:27 | comentar | ver comentários (9) | favorito
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06
Mai 17

Léxico: «criptomoeda»

E também eliminar

 

      Não fiquemos inebriados com o acrescentar: também é necessário — e já o temos feito — melhorar, burilar, corrigir, e até eliminar. Em criptomoeda, o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora remete para bitcoin, em que se lê a seguinte definição: «meio de pagamento digital, com o qual podem ser realizadas transacções online de forma anónima e que está livre de taxas, desvalorização ou inflação por não ser controlado por nenhum banco central; criptomoeda, moeda virtual». Não está correcto, e tão simplesmente porque há várias criptomoedas — cerca de vinte, creio —, e não apenas o bitcoin. Assim, desta vez, proponho, não acrescentar um verbete, mas o oposto: eliminar o verbete bitcoin e passar a sua definição para o verbete criptomoeda, no qual se poderão indicar algumas criptomoedas, entre as quais o bitcoin. A última, de que toda a gente fala e pode vir a destronar o bitcoin, é o ethereum (ETH), lançado em 2015.

 

[Texto 7803]

Helder Guégués às 22:48 | comentar | ver comentários (1) | favorito