21
Jul 17

Abreviatura de «santo»

Agora inventamos?

 

      «Artérias de St. Clara e Lumiar condicionadas» (Destak, 21.07.2017, p. 2). Desde quando, senhores jornalistas e senhora revisora, é que a abreviatura de «santo» é «st.», podem elucidar-nos? Tanto quanto sei, st e st. é inglês. Em português, a abreviatura de «santo» é S., Sto (que não recomendo), Sto. e S.to ou S.to, e já sobram.

 

[Texto 8045]

Helder Guégués às 08:30 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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20
Jul 17

Como se escreve por aí

Para ↑ e para

 

      Na RR: «O “frontman” do grupo californiano foi encontrado sem vida na sua casa de Palos Verdes, em Los Angeles. Tinha 41 anos e deixa seis filhos» («Morreu Chester Bennington, vocalista dos Linkin Park», Rádio Renascença, 20.07.2017, 19h19). Na TSF: «Chester Bennington, vocalista dos Linkin Park, foi encontrado morto esta quinta-feira, avança o TMZ. Segundo a publicação, que cita fontes policiais, o cantor terá cometido suicídio» («Vocalista dos Linkin Park encontrado morto. Chester Bennington tinha 41 anos», TSF, 20.07.2017, 19h32).

 

[Texto 8043]

Helder Guégués às 20:39 | comentar | favorito (1)
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17
Jul 17

E o sujeito é...?

Isto é pior

 

      «Com 17,8% do buzz [sic] social do ano, correspondente a 378 mil menções, o setor automóvel foi aquele que mais vezes foi referenciado ao longo de 2016. […] Para isso, a empresa baseou-se nas mais de 2 milhões de menções às marcas que compõem o seu painel fixo monitorizado (denominado Barómetro de Marcas)» («Automóveis dominam as redes sociais», Destak, 17.07.2017, p. 4).

    Eles sabem lá o que é ou qual é o sujeito! E isto propinado aos milhares, deve deixar alguma mossa nos já escassíssimos conhecimentos linguísticos da população.

 

[Texto 8032]

Helder Guégués às 12:03 | comentar | favorito
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Como se escreve nos jornais

Essa é boa

 

      «A produção de banana na Região Autónoma da Madeira deverá atingir este ano as 22 toneladas, sendo que 85% se destina à exportação para o mercado nacional» (Destak, 17.07.2017, p. 5).

      Exportação para o mercado nacional... Bem, parece que temos de alargar o sentido de «exportar», não? Isso, ou contratar um bom revisor.

 

[Texto 8031]

Helder Guégués às 09:28 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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15
Jul 17

«Caçar/cassar»

Uma triste confusão

 

      «“Graças a Deus, as pessoas ainda não têm consciência que mudou para o melhor [sic] do infractor. Antes de 1 de Junho de 2016, se eu cometesse três contra-ordenações muito graves no mesmo dia, era condenada por elas, ficava imediatamente com a carta caçada e, durante dois anos, não podia tirar uma nova. Hoje em dia, cometo no mesmo dia cinco contra-ordenações graves e três muito graves e tenho seis pontos retirados da carta”, critica Maria Teresa Lume [advogada que acaba de publicar um livro sobre contra-ordenações ao Código da Estrada]» («Os portugueses estão a morrer mais na estrada. Porquê?», Rádio Renascença, 15.07.2017, 9h00).

      Como se fala habitualmente em caça à multa, o jornalista nem pensou uma vez; mas não: é carta cassada, isto é, anulada. É uma vergonha que um jornalista dê estes erros. E ninguém o corrige, ninguém vê.

 

[Texto 8029]

Helder Guégués às 11:13 | comentar | favorito
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Símbolo de quilotonelada

Analfabetismo funcional

 

      «Na nota do município, pode ainda ler-se que este investimento engloba a engenharia, projeto e construção de uma caldeira de biomassa de última geração, com 90 MW de potência de combustão, equivalente a 266kTon biomassa por ano, que utilizará como combustível biomassa florestal residual» («Central de biomassa em Mangualde vai custar 54 milhões de euros», TSF, 15.07.2017, 00h16).

      O símbolo da quilotonelada não é kt, afinal? O jornalista não deve saber que existem dicionários e prontuários. E para quê aquela amálgama amalucada, quando uma linha atrás escreveu «90 MW»?

 

[Texto 8028]

Helder Guégués às 09:34 | comentar | ver comentários (6) | favorito
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12
Jul 17

«Concelho/conselho»

Safa!

 

      Na MotoSport, li um artigo sobre a nova tetracilíndrica BMW S 1000 XR (12.07.2017, 13h47). MotoSport, «de motos percebemos nós», gabam-se eles. E quanto à língua? «Por isso, o concelho é que descubra por si próprio esta preparada atleta de aventura.»

 

[Texto 8017]

Helder Guégués às 21:45 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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09
Jul 17

Uma cãibra brasileira

Não precisava

 

      «Quem não falhou foi Calmejane, que não olhou mais para trás quando decidiu arrancar e afastar-se dos seus companheiros de escapada na subida de 11,7km [sic] de La Combe de Laisia. Isto apesar de, a cinco quilómetros da meta, ter estado muito perto de colocar o pé no chão por causa de uma câimbra na sua coxa direita» («Nem uma câimbra impediu Lilian Calmejane de vencer a etapa», Jorge Miguel Matias, Público, 9.07.2017, p. 27).

      A variante câimbra, Jorge Miguel Matias, usa-se apenas no Brasil, como já vimos aqui. Se temos cãibra e cambra, não é necessário recorrer a uma brasileira.

 

[Texto 7993]

Helder Guégués às 12:18 | comentar | ver comentários (1) | favorito
08
Jul 17

Indicação das horas

Mil e uma maneiras de errar

 

      A minha filha acabou ontem de ler O Diário de Aurora, Um Verão em Casa da Minha Avó, de India Desjardins (tradução de Rita Barroso, Lisboa: Oficina do Livro, 2013). Nunca saberei se é interessante ou se está bem ou mal traduzido, mas posso dizer uma coisa: em quase 100 % das dezenas de ocorrências, a indicação das horas está errada. Não é, para referir logo a primeira, na página 12, 15h32, mas 15h32. Não é que jamais pudesse servir de desculpa, mas comprovei que no original está correcto. Portanto, foi infausta invencionice da revisão.

     A minha filha esbarrou, no primeiro parágrafo, numa palavra que não conhecia e não está nos dicionários: chocoólico. (No original: «Bonjour, je m’appelle Aurélie Laflamme, j’ai quatorze ans, bientôt quinze, et je suis une chocoholique.»)

 

[Texto 7989]

Helder Guégués às 10:38 | comentar | ver comentários (5) | favorito
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07
Jul 17

Como se escreve nos jornais

Isso mesmo, arrepiante

 

      «No quadro feminino, Betthanie Mattek-Sands fraturou ontem o joelho. O pior foi mesmo o tempo que teve aos gritos a pedir ajuda, que terá demorado 15 a 20 minutos a chegar. A organização nega as (muitas) críticas» («Lesão arrepiante causa polémica», Destak, 7.07.2017, p. 10).

    Na oralidade, enfim, apesar de tudo, ainda passa, mas na escrita? Não, não, é imperdoável.

 

[Texto 7987]

Helder Guégués às 17:46 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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03
Jul 17

«Sob/sobre», a confusão continua

Não estudem, não

 

      Vamos ver se este também me exige o currículo: «Embora o ministro da Defesa já tenha assumido a responsabilidade política pelo assalto aos Paióis Nacionais, em Tancos, os partidos à esquerda do PS não parecem satisfeitos. Embora não tenham pedido claramente a demissão de Azeredo Lopes, o tom das críticas acentuou-se» (João Moniz, Destak, 3.07.2017, p. 4). Uma notícia assim só merecia um título, este — «Ministro(s) sobre pressão». Que tal? Nota-se muito que confundem coisas básicas?

 

[Texto 7971]

Helder Guégués às 09:30 | comentar | ver comentários (1) | favorito (1)
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