16
Set 17

Tradução: «procureur»

É melhor à letra

 

      «Patrick Henry está há quase 40 anos na cadeia. Há quatro meses foi-lhe diagnosticado cancro, pelo que invocou o estado de saúde para poder sair da prisão. O promotor público aceitou» («Diagnosticado com cancro, o preso mais antigo de França vai para casa», António Pinto Rodrigues, TSF, 15.09.2017, 23h43).

      O promotor público... Mas isso não é assim nem em França nem em Portugal, já pensou nisso, António Pinto Rodrigues? Pois, não. Leia a imprensa francesa: é a «procureure de Melun (Seine-et-Marne)», Béatrice Angelelli. Faz-lhe lembrar alguma palavra portuguesa relacionada?

 

[Texto 8153]

Helder Guégués às 11:03 | comentar | favorito
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13
Set 17

«Tratar-se de», novamente

Lamentável

 

      O Ministério Público acusou o cantor Tony Carreira de plagiar onze músicas de autores estrangeiros, com a colaboração do compositor Ricardo Landum. Querida mãezinha! Mas vejamos como se escreve no Ministério Público, porque isso interessa-nos mais: «“Os arguidos publicaram e divulgaram trabalhos mesmo sabendo que se tratavam de meras reproduções, ainda que parciais, de obras alheias, sem individualidade própria, tendo representado a possibilidade de estarem a plagiar obras de outros artistas, e ainda assim conformaram-se com tal resultado”, sublinha o MP» («Ministério Público acusa Tony Carreira de plagiar 11 músicas», Rádio Renascença, 12.09.2017, 14h12).

      Pois, não melhoraram nadinha. No Limoeiro não lhes ensinam isto. Senhor magistrado autor do texto, está errado: tratar-se é um verbo defectivo e impessoal, pelo que se usa sempre na 3.ª pessoa do singular. Do Ministério Público, já aqui tivemos uma amostra do mesmo jaez.

 

[Texto 8150]

Helder Guégués às 15:09 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Topónimos

É escolher

 

      «Emmanuel Macron andou pelas ruas de St. Martin e garantiu que a ilha “vai renascer”» («Furacão “​Irma”. Presidente francês foi ver o que resta de St. Martin», Rádio Renascença, 13.09.2017, 1h16). «O Presidente francês, Emmanuel Macron, prometeu reconstruir rapidamente as ilhas de São Martinho e São Bartolomeu, nas Caraíbas, destruídas pelo furacão Irma» («Macron promete reconstruir ilha de São Martinho», Público, 13.09.2017, p. 25).

 

[Texto 8148]

Helder Guégués às 11:39 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Como se escreve e pensa por aí

Equívocos e parvoíces

 

      «Na apresentação do iPhone 8, também com câmara melhorada, ficámos a saber que um protótipo andou por terras lusas. Uma das fotos exibidas tinha uma modelo de costas com vestido laranja, virada para a ponte 25 de abril (em grande plano) com o Cristo Rei ao fundo» («O novo iPhone é a cara do dono», António Pinto Rodrigues, TSF, 12.09.2017, 21h34). «A Apple aperfeiçoou as suas câmaras para tirar melhores fotos e usou Lisboa para o mostrar. A tecnológica de Cupertino veio a Lisboa tirar fotos à Ponte 25 de Abril e ainda teve tempo para uma brincadeira: “This is not San Francisco” (isto não é São Francisco, em português), disse-se em palco, enquanto se mostrava uma foto de Lisboa» («Há novos iPhones. Dois oitos e um X marcam a novidade (e Lisboa serve para mostrar a câmara)», Rádio Renascença, 12.09.2017, 17h52).

 

[Texto 8147]

Helder Guégués às 11:22 | comentar | favorito
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«Na dianteira»

Vai com calma

 

      «Este tipo de relógios está longe de se ter massificado. O mercado dos relógios inteligentes é muito pequeno quando comparado com o dos telemóveis, mas é um sector que está em crescimento e onde a Apple tem uma dianteira confortável» («O novo iPhone X tem mais ecrã, menos botões e reconhece o dono», João Pedro Pereira, Público, 13.09.2017, p. 20).

    Isto diz-se assim? Ora, não me parece. Eu diria «a Apple está confortavelmente na dianteira». A língua é moldável, plástica, sim, é verdade, mas não podemos estraçalhá-la assim sem mais.

 

[Texto 8146]

Helder Guégués às 10:56 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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A desevolução

Será uma fase — ou para sempre?

 

      Nem tudo neste triste mundo melhora, bem pelo contrário. A Uber, por exemplo, tem vindo a piorar a olhos vistos. São cada vez mais os motoristas, uberistas, que vêm lá detrás do sol-posto e não conhecem a cidade e — sobretudo — não sabem usar o GPS. Cinco estrelas abaixo de zero. Mais piorias: «Novo iPhone desbloqueado com a fase». É um título do Destak.

 

[Texto 8145]

Helder Guégués às 08:44 | comentar | favorito
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11
Set 17

Afinal, é McCarthy

Está até nos dicionários

 

      «Quando colaboraste com Joseph MacCarty no período da “caça às bruxas”, confesso que não te augurava grande futuro, mas o tempo e a História encarregaram-se de demonstrar que eu não tinha razão» (Amados Cães, José Jorge Letria. Revisão de Henrique Tavares e Castro. Cruz Quebrada: Oficina do Livro, 3.ª ed., 2008, p. 177).

      Podíamos facilmente ser levados a crer que sim, pois, vimo-lo aqui, diz-se macartismo ou macarthismo; o nome do senador, porém, só se escreve de uma forma: McCarthy.

 

[Texto 8143]

Helder Guégués às 18:46 | comentar | favorito
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06
Set 17

Raças superiores

Agora é assim?

 

      «Eu sou Moritz, o Grand Danois por si comprado, no início da guerra, a um agricultor da Flandres» (Amados Cães, José Jorge Letria. Revisão de Henrique Tavares e Castro. Cruz Quebrada: Oficina do Livro, 3.ª ed., 2008, p. 75). Neste caso, a maioria dos leitores não estranhará muito, ou encolherá os ombros, já que nem sequer é português. Mas aqui? «Quem conheceu Byron pôde testemunhar a imensa dor causada pela morte do seu cão Terra Nova, amigo de todas as horas, confidente de todos os instantes» (Idem, ibidem, p. 60). Ou aqui? «A questão da posse desse Perdigueiro nunca ficou resolvida entre mim e o meu pai» (Idem, ibidem, p. 223). E por aí fora: Pastor Alemão, Caniche, Galgo Afegão, etc. Pouco faltou para glorificarem a própria merda de cão: Cocó de Cão.

 

[Texto 8132]

Helder Guégués às 10:20 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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05
Set 17

Um estranho Führer

Grandes enganos

 

      «“Este é um acto cheio de simbolismo”, disse ao diário espanhol El Mundo o ministro das Antiguidades egípcio, Khaled al Anani, evocando o aniversário e o facto de esta gruta — que os romanos usavam para armazenar cereais e que hoje guarda artefactos militares e objectos pessoais do homem que o Führer nomeou marechal de campo [sic] e depois forçou ao suicídio — ter estado fechada boa parte da última década. O material exposto, esclareceu Al Anani, “foi cedido pela família, pela polícia local e pelo Ministério das Antiguidades”» («Egipto reabre museu dedicado a um dos favoritos de Hitler», Lucinda Canelas, Público, 30.08.2017, p. 30).

      Führer, pois claro, mas vejam: «As pessoas importantes do regime nazi, casos de Goering, Goebbels ou Himmler, sempre me trataram com carinho e respeito, pois sabiam que eu era a cadela do Fuehrer, e que qualquer desconsideração que me fosse feita seria entendida por ele como um insulto pessoal, o que podia até corresponder a uma pena de morte» (Amados Cães, José Jorge Letria. Revisão de Henrique Tavares e Castro. Cruz Quebrada: Oficina do Livro, 3.ª ed., 2008, p. 142). Uma coisa é escrever, por exemplo, Messkirch em vez de Meßkirch (mesmo que eu prefira esta última); outra, bem diferente, é optar por um estranho «Fuehrer». Bem, não é o pior erro deste livro. Quanto a marechal-de-campo — que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora ignora —, Lucinda Canelas não sabe que se escreve com hífen.

 

[Texto 8126]

Helder Guégués às 10:00 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Cuidado com os números

Reincidentes

 

      Pode não ser apenas descuido, mas um grave problema com números. Sobre a Índia: «O país de mais de um milhão de pessoas tem dezenas de milhares de gurus» («A estranha paixão da Índia pelos seus gurus», Maria João Guimarães, Público, 29.08.2017, p. 30).

 

[Texto 8125]

Helder Guégués às 09:58 | comentar | favorito
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